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Zonas climáticas locais na cidade de Rio Claro, SP: considerações sobre a temperatura urbana e a vulnerabilidade social

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Orientador

Fante, Karime Pechutti

Coorientador

Pós-graduação

Curso de graduação

Rio Claro - IB - Ecologia

Título da Revista

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Trabalho de conclusão de curso

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

A urbanização tem transformado intensamente as paisagens naturais em todo o mundo. Quando esse processo ocorre sem planejamento e infraestrutura adequados, gera consequências socioambientais e climáticas, como modificações no clima urbano, intensificação das ilhas de calor e situações de desconforto térmico. Inserido nesse contexto, este estudo analisa os padrões climáticos locais na cidade de Rio Claro/SP, buscando identificar as áreas mais aquecidas e mais vulneráveis socialmente aos efeitos do calor. A metodologia adotada baseia-se na classificação das Zonas Climáticas Locais (LCZs), proposta por Stewart e Oke (2012), definidas pela geometria urbana e o contexto microclimático. A identificação das LCZs foi realizada em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG), por meio de classificação manual. Essa abordagem forneceu subsídios para a instalação de sensores termais, voltados à detecção de ilhas de calor diurnas e noturnas, em período de inverno no ano de 2024. Paralelamente, empregaram-se imagens de satélite para comparar a temperatura superficial em diferentes classes de LCZs. No que se refere à vulnerabilidade social, a análise contemplou características demográficas e socioeconômicas relacionadas à suscetibilidade e exposição ao risco térmico, integradas a parâmetros de qualidade ambiental e condições de moradia, a partir do banco de dados do IBGE (2010). Os resultados indicam que cerca de 30% da cidade enquadra-se na classe LCZ 3 (compacta de baixa elevação), enquanto 17% correspondem à LCZ A (vegetação densa). Em relação às ICU, observou-se que as maiores diferenças térmicas ocorreram no período da madrugada, sendo os pontos mais incorporados ao meio urbano aqueles que apresentaram maior retenção de calor. No inverno (julho), registraram-se diferenças de até 2,8 °C, caracterizando ilha de calor moderada. Para as temperaturas superficiais, o Horto (LCZ A) apresentou as temperaturas mais baixas durante o período da madrugada (13,9°C), enquanto o Lago Azul (LCZ 3), registrou 16,2 °C. Já o Ceapla (LCZ 9), embora tenha alcançado a maior temperatura diurna (25,4 °C às 15h), mostrou resfriamento mais eficiente à noite (18,6°C) em relação à Defesa Civil (25 °C às 15h e 19,4°C às 21h). Constatou-se que as áreas urbanizadas com maior densidade construtiva concentram as temperaturas mais elevadas. Quanto à vulnerabilidade social, bairros periféricos como Distrito Industrial, Jd. Nova Rio Claro, Jd. Novo Wenzel e Jd. Novo/Terra Nova reúnem a maior parte das populações vulneráveis, além de maiores deficiências em infraestrutura básica, tal como o Dist. Industrial apresentando as maiores concentrações de população infantil, não alfabetizados e com rendimento até um salário mínimo (26,5%, 9,9%, 58,5%, respectivamente), em conjunto com a maior porcentagem de domicílios sem energia elétrica, sanitário\banheiro e a partir de 7 moradores (13,5%, 6,5%,8,1%, respectivamente). Em contrapartida, bairros centrais como Centro, Cidade Jardim e Bela Vista, embora sujeitos a temperaturas elevadas, contam com melhores condições socioeconômicas e estruturais, tal como o bairro Bela Vista com a concentrações de 0% em domicílios sem energia elétrica e sanitários\banheiro e apenas 0,7% de domicílios com mais de 7 moradores, favorecendo maior capacidade adaptativa. Conclui-se que a vulnerabilidade térmica em Rio Claro reflete desigualdades sociais e espaciais. O estudo evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas ao planejamento urbano e à justiça climática, priorizando investimentos em infraestrutura, saneamento e habitação adequada nas periferias.

Resumo (inglês)

Urbanization has intensely transformed natural landscapes worldwide. When this process occurs without proper planning and infrastructure, it leads to socio environmental and climatic consequences, such as changes in the urban climate, intensification of heat islands, and thermal discomfort. In this context, this study analyzes local climatic patterns in the city of Rio Claro/SP, aiming to identify the warmest areas and those that are socially more vulnerable to heat effects. The methodology adopted is based on the classification of Local Climate Zones (LCZs), proposed by Stewart and Oke (2012), characterized by urban geometry and microclimatic context. LCZ identification was carried out within a Geographic Information System (GIS) environment using manual classification. This approach supported the installation of thermal sensors for detecting daytime and nighttime heat islands during the winter period of 2024. Additionally, satellite imagery was utilized to compare surface temperature across different LCZ classes. Regarding social vulnerability, the analysis incorporated demographic and socioeconomic characteristics related to susceptibility and exposure to thermal risk, integrated with environmental quality parameters and housing conditions, based on data from IBGE (2010). Results indicate that approximately 30% of the city falls under LCZ 3 (compact low-rise), while 17% corresponds to LCZ A (dense vegetation). Concerning UHIs, the greatest thermal differences were observed during the early morning, with the most urbanized areas showing higher heat retention. In winter (July), temperature differences reached up to 2.8°C, indicating a moderate heat island. For surface temperatures, Horto (LCZ A) presented the lowest temperatures during the early morning (13.9°C), while Lago Azul (LCZ 3) recorded 16.2°C. Ceapla (LCZ 9), although presenting the highest daytime temperature (25.4°C at 3 p.m.), cooled more efficiently at night (18.6°C) compared to Defesa Civil (25°C at 3 p.m. and 19.4°C at 9 p.m.). It was found that urbanized areas with higher building density concentrate the highest temperatures. As for social vulnerability, peripheral neighborhoods such as Distrito Industrial, Jardim Nova Rio Claro, Jardim Novo Wenzel, and Jardim Novo/Terra Nova gather most of the vulnerable population, along with greater deficiencies in basic infrastructure. For instance, Distrito Industrial showed the highest concentrations of children, illiterate residents, and households earning up to one minimum wage (26.5%, 9.9%, and 58.5%, respectively), combined with high percentages of households without electricity, bathroom/toilet facilities, and with seven or more residents (13.5%, 6.5%, and 8.1%, respectively). Conversely, central neighborhoods such as Centro, Cidade Jardim, and Bela Vista, although subject to high temperatures, have better socioeconomic and structural conditions. In Bela Vista, for example, 0% of households lacked electricity or bathroom/toilet facilities, and only 0.7% had more than seven residents, indicating greater adaptive capacity. It is concluded that thermal vulnerability in Rio Claro reflects social and spatial inequalities. The findings highlight the need for public policies aimed at urban planning and climate justice, prioritizing investments in infrastructure, sanitation, and adequate housing in peripheral areas.

Descrição

Palavras-chave

Climatologia urbana, Desigualdades sociais, Zonas climáticas locais, Ilhas de calor

Idioma

Português

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