Validação da Utah Gender Presentation Scale (U-GPS) para o português brasileiro pela teoria clássica dos testes
Carregando...
Data
Autores
Orientador
Moreti, Felipe 

Coorientador
Pós-graduação
Ciências da Saúde e Comunicação Humana - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A voz constitui elemento central na construção da identidade de gênero, especialmente para pessoas trans, travestis e não binárias, influenciando a percepção social, o bem-estar psicológico e a qualidade de vida. A incongruência entre a voz percebida e o gênero experienciado representa demanda frequente em serviços de saúde, sendo abordada por intervenções fonoaudiológicas e cirúrgicas. Embora parâmetros acústicos, como a elevação da frequência fundamental, sejam relevantes, evidências indicam que a satisfação vocal envolve dimensões subjetivas e psicossociais mais amplas. No Brasil, há escassez de instrumentos validados que avaliem de forma abrangente a incongruência de gênero relacionada à comunicação, especialmente contemplando diferentes identidades ao longo do espectro de gênero. Nesse contexto, destaca-se o Utah Gender Presentation Scale (U-GPS), instrumento desenvolvido para mensurar incongruência vocal e comunicativa em pessoas trans e não binárias. O objetivo desta tese foi realizar validação da U-GPS para o português brasileiro (U-GPS-BR) por meio da Teoria Clássica dos Testes (TCT). Para isso, realizou-se um estudo metodológico, quantitativo e transversal, fundamentado na TCT e nas diretrizes do COSMIN. Participaram 102 pessoas maiores de 18 anos, autodeclaradas transfemininas/travestis (n=43; 42,1%), transmasculinas (n=29; 28,4%) ou não binárias (n=30; 29,5%), com amostra por conveniência, em que a coleta foi realizada on-line. Avaliaram-se consistência interna (alfa de Cronbach e ômega de McDonald), confiabilidade teste–reteste (ICC e Bland–Altman), erro de medida (SEM e SDC), efeitos de piso e teto e validade baseada em grupos conhecidos. A média de idade foi 27,1 anos (DP±7,1). O escore médio de incongruência foi 22,8 (DP±16,6), com ausência de efeitos relevantes de piso e teto. A consistência interna foi excelente nos blocos Atual (α = 0,94; ω = 0,94) e Objetivo (α = 0,98; ω = 0,98). A confiabilidade teste–reteste do escore de incongruência foi boa (ICC = 0,81; IC95%: 0,67–0,89), sem viés sistemático na análise de Bland–Altman. O erro padrão de mensuração foi 6,1 pontos e a menor mudança detectável foi 17,0 pontos. Não houve diferença significativa entre identidades de gênero (p = 0,059), mas participantes com queixa vocal apresentaram escores significativamente maiores (p < 0,001). A U-GPS-BR apresentou propriedades psicométricas satisfatórias, com adequada confiabilidade, estabilidade temporal e evidências de validade. O instrumento mostrou-se sensível à experiência subjetiva de incongruência vocal.
Resumo (inglês)
Voice is a central element in the construction of gender identity, especially for transgender, transvestite, and nonbinary individuals, influencing social perception, psychological well-being, and quality of life. Incongruence between the perceived voice and the experienced gender is a frequent demand in health services and is addressed through speech-language therapy and surgical interventions. Although acoustic parameters such as elevation of fundamental frequency are relevant, evidence indicates that vocal satisfaction involves broader subjective and psychosocial dimensions. In Brazil, there is a shortage of validated instruments that comprehensively assess gender-related communication incongruence, particularly across different identities along the gender spectrum. In this context, the Utah Gender Presentation Scale (U-GPS) stands out as a multidimensional instrument developed to measure vocal and communicative incongruence in transgender and nonbinary people. This thesis aimed to validate the U-GPS for Brazilian Portuguese (U-GPS-BR) using Classical Test Theory (CTT). To this end, a methodological, quantitative, cross-sectional study was conducted, grounded in CTT and COSMIN guidelines. A total of 102 participants aged 18 years or older were included, self-identifying as transfeminine/transvestite (n = 43; 42.1%), transmasculine (n = 29; 28.4%), or nonbinary (n = 30; 29.5%), in a convenience sample with online data collection. Internal consistency (Cronbach’s alpha and McDonald’s omega), test–retest reliability (ICC and Bland–Altman), measurement error (SEM and SDC), floor and ceiling effects, and known-groups validity were assessed. Mean age was 27.1 years (SD = 7.1). The mean incongruence score was 22.8 (SD = 16.6), with no relevant floor or ceiling effects. Internal consistency was excellent for the Current (α = 0.94; ω = 0.94) and Target (α = 0.98; ω = 0.98) sections. Test–retest reliability of the incongruence score was good (ICC = 0.81; 95% CI: 0.67–0.89), with no systematic bias in the Bland–Altman analysis. The standard error of measurement was 6.1 points, and the smallest detectable change was 17.0 points. No significant differences were found across gender identities (p = 0.059), but participants reporting vocal complaints had significantly higher scores (p < 0.001). The U-GPS-BR demonstrated satisfactory psychometric properties, with adequate reliability, temporal stability, and validity evidence. The instrument was sensitive to the subjective experience of vocal incongruence.
Descrição
Palavras-chave
Identidade de gênero, Psicometria, Voz, Gender identity, Psychometrics, Voice
Idioma
Português
Citação
DEPOLLI, Gabriel Trevizani. Validação da Utah Gender Presentation Scale (U-GPS) para o português brasileiro pela teoria clássica dos testes. 2026. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde e Comunicação Humana. ) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2026.


