Publicação: Injúria renal aguda droga induzida: um estudo de coorte sobre incidência, identificação de mecanismos fisiopatológicos e fatores prognósticos
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Data
2024-07-12
Autores
Orientador
Ponce, Daniela 

Coorientador
Pós-graduação
Medicina - FMB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
Introdução: A Injúria Renal Aguda (IRA) é uma síndrome clínica comumente encontrada, caracterizada por uma abrupta redução da taxa de filtração glomerular (TFG), que pode provocar graves alterações na volemia e no equilíbrio acido básico do organismo. Especialmente entre pacientes hospitalizados, destaca-se a Injúria Renal Aguda Droga-Induzida (IRADI), entidade clínica associada à exposição dos rins a medicamentos com potencial nefrotóxico. A IRADI pode ser classificada em reações do tipo A e do tipo B. As reações do tipo A são aquelas que são previsíveis com base na farmacologia da substância, dose-dependentes e expressam-se na forma de Necrose Tubular Aguda (NTA). Já as reações do tipo B são imprevisíveis, idiossincráticas, não dose-dependentes e expressam-se na forma de Nefrite Intersticial Aguda (NIA), Nefropatia Induzida por Cristais, entre outras. Objetivo: Avaliar a incidência, identificar as principais drogas associadas e o mecanismo fisiopatológico da lesão observada, analisar os fatores prognósticos associados a desfechos desfavoráveis, além de comparar os desfechos óbito e necessidade de Suporte Renal Agudo (SRA) entre os pacientes com IRADI vs IRA de outras etiologias. Métodos: Estudo do tipo coorte retrospectiva realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP (HC-FMB), a partir de dados de pacientes internados entre janeiro de 2016 e abril de 2022 e seguidos, via interconsulta, pela equipe da IRA-Nefrologia do HC-FMB. Critérios de inclusão: diagnóstico de IRA e DRC com IRA sobreposta. Critérios de exclusão: pacientes menores de 18 anos de idade ou em Terapia Renal Substitutiva crônica. O diagnóstico de IRA foi realizado com base no aumento da creatinina estabelecido pelo KDIGO 2012. Os dados foram apresentados como média e desvio-padrão ou mediana com intervalo interquartílico e frequência. A significância estatística foi de 5% (p < 0,05). Análises comparativas foram realizadas utilizando-se Qui Quadrado para variáveis categóricas e Teste T para as variáveis contínuas. Posteriormente, foi realizada regressão logística para identificação dos fatores associados à necessidade de SRA e óbito. Resultados: Foram
analisados 1398 pacientes, a maior parte homens (61,4%), com idade média de 64 anos "14.4
anos. A etiologia de IRA mais prevalente foi IRA Mista Isquêmica + Séptica (28%). A IRADI foi uma causa importante de IRA (19,3%). Destas, foram IRADI isolada 25,2% e IRA Mista IRADI + Isquemia e/ou Sepse 74,8%. Entre os pacientes com IRADI a idade média foi de 61,15 "15,26,
o sexo masculino foi o mais frequente, a maior parte não foi submetida a SRA e sobreviveu. Entre
estes pacientes, a maioria encontrava-se internado em enfermaria, não precisou de droga vaso- ativa, bem como não utilizou ventilação mecânica. A IRADI apresentou menor gravidade e mortalidade quando comparada a outras etiologias de IRA, porém com a mesma necessidade de SRA (26,3% vs 35,4%, p < 0,05 e 31,8% vs 36,8%, p > 0,05). A maioria dos medicamentos nefrotóxicos provocou reações do tipo A e a principal nefrotoxina foi a Vancomicina. Dentre as drogas associadas à IRADI, a Vancomicina associou-se à maior necessidade de SRA e óbito, enquanto Anfoterina B associou-se a menor risco de SRA e óbito. Conclusão: Embora a taxa de mortalidade seja menor entre as IRADIs quando comparada às outras etiologias de IRA, a necessidade de SRA foi semelhante. Assim sendo, é recomendado que a IRADI seja reconhecida precocemente para que seja realizada redução da dose ou mesmo suspensão da droga, a depender do tipo de reação, com o objetivo de reduzir gastos com o sistema de saúde e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes.
Resumo (inglês)
Introduction: Acute Kidney Injury (AKI) is a commonly encountered clinical syndrome, characterized by an abrupt reduction in the glomerular filtration rate (GFR), which can cause serious changes in blood volume and the body's acid-base balance. Especially among hospitalized patients, Drug-Induced Acute Kidney Injury (DIAKI) stands out, a clinical entity associated with exposure of the kidneys to drugs with nephrotoxic potential. DIAKI can be classified into type A and type B reactions. Type A reactions are those that are predictable based on the pharmacology of the substance, dose-dependent and are expressed in the form of Acute Tubular Necrosis (ATN). Type B reactions are unpredictable, idiosyncratic, non-dose-dependent and are expressed in the form of Acute Interstitial Nephritis (AIN), Crystal-Induced Nephropathy,
among others. Objective: To evaluate the incidence, identify the main associated drugs and the pathophysiological mechanism of the observed injury, analyze the prognostic factors associated with unfavorable outcomes, in addition, compare the outcomes of death and need for Acute Kidney Support Therapy (AKST) between patients with DIAKI vs AKI of other etiologies.
Methods: A retrospective cohort study carried out at the Clinical Hospital from Botucatu School of Medicine – UNESP (HC-FMB), based on data from patients hospitalized between January 2016 and April 2022 and followed, using the analysis from the AKI team that works at the hospital.
Inclusion criteria: diagnosis of AKI or Chronic Kidney Disease (CKD) + AKI drug induced (DIAKI).
Exclusion criteria: patients under 18 years or on Chronic Renal Replacement Therapy. Among patients included in the study were evaluated the need for mechanical ventilation (MV), vasoactive drugs (VAD), AKST, ATN-ISS score, and outcome (discharge hospital or death). Data analysis was carried out using the STATA 8.0 program (Statacorp, 2004). The data were presented as average and standard deviation or median with range interquartile and frequency. The statistical significance was 5% (p < 0.05). Subsequently, logistic regression was performed to identify factors associated with the need for AKST and death.
Results: 1398 patients were analyzed, most of them men (61.4%), with a mean age of 64 years ± 14.4 years. The most prevalent etiology of AKI was Mixed Ischemic + Septic AKI (28%). DIAKI was an important cause of AKI (19.3%), isolated DIAKI was 25.2% and Mixed DIAKI + Ischemia and/or Sepsis 74.8%. Among patients with DIAKI, the mean age was 61.15 ± 15.26, the male gender was the most common, the majority did not undergo AKTS and survived. Among these patients, the majority were admitted to the nursery, did not require VAD, and did not use MV. DIAKI had lower severity and mortality when compared to other AKI etiologies, but with the same need for AKST (26.3% vs 35.4%, p < 0.05 and 31.8% vs 36.8%, p > 0.05). Most nephrotoxic medications caused type A reactions and the main nephrotoxin was Vancomycin. Among the drugs associated with DIAKI, Vancomycin was associated with a greater need for AKST and death, while Amphoterin B was associated with a lower risk of AKST and death.
Conclusion: Even though the mortality rate was lower among DIAKI when compared to other AKI etiologies the need for AKST was similar. Therefore, it is recommended that DIAKI should be recognized earlier so the dose of the drug could be reduced or even suspended, depending on the type of reaction, with the aim of reducing the healthcare system expenses and improving patient’s clinical outcomes.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português