Desfralde na educação infantil: o que dizem professoras de creche de um município do interior paulista
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Data
Autores
Orientador
Nono, Maévi Anabel 

Coorientador
Pós-graduação
Ensino e Processos Formativos - FCAV/FEIS/IBILCE
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
O processo pedagógico de deixar as fraldas na escola de Educação Infantil representa uma etapa essencial na formação da autonomia das crianças pequenas. O controle esfincteriano é um processo fisiológico e neuropsicomotor que faz parte do desenvolvimento infantil, o qual deve ser respeitado em sua singularidade. No entanto, esse tema ainda é pouco discutido nas políticas públicas, nos currículos de formação docente e na literatura acadêmica da área educacional. A presente pesquisa teve como objetivo descrever e analisar os dizeres de professoras de creches públicas de um município do noroeste paulista sobre o desfralde na Educação Infantil. Trata-se de uma investigação de abordagem quanti-qualitativa, de caráter descritivo-analítico. Participaram do estudo 46 professoras que atuam nos agrupamentos de Berçários II e Maternais I de dez creches municipais, sendo uma delas conveniada. Os dados foram coletados por meio de um questionário com questões abertas e fechadas, cujas respostas foram analisadas a partir de seis focos de análise: práticas pedagógicas adotadas no processo de desfralde; saberes construídos nas formações inicial e continuada; desafios enfrentados e estratégias utilizadas; condições institucionais; orientações recebidas das escolas e da Secretaria Municipal de Educação; e o papel das famílias. Os resultados revelam que o desfralde é realizado, em grande parte, com base na experiência prática das docentes, mais do que em saberes sistematizados adquiridos nas formações. As práticas pedagógicas, por sua vez, nem sempre se articulam às diretrizes curriculares ou se sustentam em uma intencionalidade pedagógica planejada. Além disso, a pesquisa evidenciou importantes lacunas formativas, ausência de normatizações específicas e desafios estruturais nas instituições, como a elevada proporção de crianças por educador e a formação limitada dos profissionais auxiliares. Também se observou que o alinhamento com as famílias é considerado fundamental pelas professoras, mas nem sempre é efetivo, o que impacta negativamente o andamento do processo. Diante dessas evidências, a pesquisa reforça a importância de reconhecer o desfralde como uma prática pedagógica essencial, que demanda planejamento, formação específica, diretrizes institucionais consistentes e corresponsabilidade entre escola e família. Reavaliar o processo de desfralde implica, portanto, repensar o currículo da Educação Infantil e os programas de formação docente, de modo a garantir um atendimento integral, humanizado e respeitoso às necessidades das crianças bem pequenas.
Resumo (inglês)
The pedagogical process of leaving diapers in early childhood education represents a crucial stage in the development of young children’s autonomy. Sphincter control is a physiological and neuropsychomotor process that is part of child development and must be respected in its uniqueness. However, this topic is still rarely discussed in public policies, teacher education curricula, and academic literature in the field of education. This research aimed to describe and analyze the statements of teachers from public daycare centers in a municipality in the northwest region of São Paulo State regarding toilet training in early childhood education. This is a quanti-qualitative, descriptive-analytical study. A total of 46 teachers working with groups of toddlers (Berçário II and Maternal I) in ten municipal daycare centers-one of them affiliated-participated in the study. Data were collected through a questionnaire with open and closed questions, and the responses were analyzed based on six analytical foci: pedagogical practices adopted in the toilet training process; knowledge constructed during initial and continuing education; challenges faced and strategies used; institutional conditions; guidance received from schools and the Municipal Department of Education; and the role of families. The results reveal that toilet training is mostly based on teachers’ practical experience rather than on systematized knowledge acquired during their education. Pedagogical practices are not always aligned with curriculum guidelines or grounded in planned pedagogical intentionality. Furthermore, the research highlighted significant training gaps, lack of specific regulations, and structural challenges in institutions, such as the high child-to-teacher ratio and limited training of support staff. It was also observed that alignment with families is considered essential by teachers, although it is not always effective, which negatively affects the process. These findings underscore the importance of recognizing toilet training as a key pedagogical practice that requires planning, specific training, consistent institutional guidelines, and shared responsibility between school and family. Rethinking the toilet training process, therefore, involves revisiting the early childhood education curriculum and teacher education programs to ensure comprehensive, humanized, and respectful care for young children.
Descrição
Palavras-chave
Desfralde, Creche, Professoras-formação, Toilet training, Daycare, Teacher education
Idioma
Português
Citação
COUTO, Géssica Santos. Desfralde na educação infantil: o que dizem professoras de creche de um município do interior paulista. 2025. 144 p. Dissertação (Mestrado em Ensino e Processos Formativos) – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São José do Rio Preto, 2025.


