A construção da América no livro didático: Memória, Identidade e Povos Indígenas (1925-2022)
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Data
Autores
Orientador
Portugal, Ana Raquel Marques da Cunha Martins 

Coorientador
Pós-graduação
História - FCHS
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta tese analisa a forma como a História da América foi representada nos livros didáticos brasileiros entre 1925 e 2022, buscando compreender os mecanismos de seleção, apagamento e reelaboração das narrativas sobre os povos indígenas. Partindo de uma abordagem que articula teoria da história, estudos decoloniais e análise do material escolar, identificamos que, apesar das reformas curriculares e das mudanças historiográficas, a narrativa eurocêntrica permaneceu hegemônica. As representações indígenas oscilaram entre estereótipos cristalizados e tentativas recentes de reconhecimento de resistência e agência, ainda que de forma superficial. A pesquisa evidenciou que os manuais didáticos não se limitam a ferramentas pedagógicas: eles constituem arenas de disputa simbólica e política, onde se decide o que deve ser lembrado e com quais sentidos. Ao longo de quase um século, observamos permanências estruturais que reforçam a colonialidade do saber, mas também emergências de narrativas alternativas, sobretudo após a promulgação da Lei 11.645/08 e da BNCC. Concluímos que repensar o ensino da História da América exige superar a inclusão marginal dos povos indígenas e afrodescendentes, reconhecendo-os como sujeitos epistêmicos e produtores de conhecimento histórico. A pesquisa demonstra como o livro didático atua na construção da memória social e das identificações, oferecendo subsídios para práticas pedagógicas mais críticas e inclusivas.
Resumo (inglês)
This dissertation examines how the History of the Americas has been represented in Brazilian textbooks between 1925 and 2022, with the aim of understanding the mechanisms of selection, erasure, and re-elaboration of narratives concerning Indigenous peoples. Drawing on an approach that articulates theory of history, decolonial studies, and textbook analysis, the research identifies that, despite curricular reforms and historiographical shifts, the Eurocentric narrative has remained hegemonic. Representations of Indigenous peoples oscillated between crystallized stereotypes and recent attempts at acknowledging resistance and agency, though often in a superficial way. The study shows that textbooks are not merely pedagogical tools: they are arenas of symbolic and political dispute, where decisions are made about what is remembered and with which meanings. Over nearly a century, we observed structural continuities reinforcing the coloniality of knowledge, but also the emergence of alternative narratives, especially after the enactment of Law 11.645/08 and the BNCC. We conclude that rethinking the teaching of the History of the Americas requires moving beyond the marginal inclusion of Indigenous and Afro-descendant peoples, recognizing them as epistemic subjects and producers of historical knowledge. The research highlights how textbooks shape social memory and identity, offering insights for more critical and inclusive pedagogical practices.
Descrição
Palavras-chave
Ensino de História, Livro didático, América, Povos Indígenas, Identidade
Idioma
Português
Citação
DAMASCENO, Chrislaine Janaina. A Construção da América no livro didático : memória, identidade e povos indígenas (1925-2022). Orientadora: Ana Raquel Marques da Cunha Martins Portugal. 2025. 162 f. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Estadual Paulista, Franca, 2025.


