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Percepções sobre a deficiência entre universitários de medicina: análise sócio-histórica e fenomenológico-hermenêutica

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Orientador

Leite, Lúcia Pereira

Coorientador

Barbosa, Caroline Garpelli

Pós-graduação

Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem - FC

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Resumo

Resumo (português)

Introdução: As concepções de deficiência são histórica e culturalmente constituídas e incidem diretamente sobre os modos de compreender, nomear e atender as pessoas com deficiência, especialmente em campos como a medicina, nos quais ainda predominam leituras organicistas, normativas e tecnicistas do corpo e do cuidado. Nesse contexto, esta tese investiga quais concepções sobre a deficiência universitários de medicina apresentam, articulando tal problemática a uma análise fenomenológico-hermenêutica das percepções e dos sentidos atribuídos à pessoa com deficiência, a fim de problematizar as implicações dessas compreensões para a formação e para a futura atuação médica para além de uma leitura restrita ao corpo biológico. Objetivo: compreender as concepções que universitários de medicina apresentam sobre as pessoas com deficiência, articulando uma leitura sócio-histórica e uma análise fenomenológico-hermenêutica com vistas a problematizar possíveis implicações dessas compreensões para a formação e para a futura atuação clínica desses futuros profissionais. Método: Estudo de natureza mista (quali-quantitativa), realizado em uma universidade privada do interior do estado de São Paulo, com 124 estudantes do curso de Medicina (1º e 9º termos). Foram utilizados: Ficha Sociodemográfica, Escala Intercultural de Concepções de Deficiência (EICD) e questionário semiestruturado sobre a percepção da deficiência e o que a universidade oferece acerca dessa temática. Os dados quantitativos foram analisados conforme parâmetros da EICD e por testes inferenciais; os qualitativos, através da Análise Fenomenológica Descritiva de Giorgi, com interpretação guiada pela ontologia hermenêutica de Heidegger. Resultados: Predominaram as concepções biológica e metafísica, com baixa adesão à concepção social, sem mudanças expressivas entre ingressantes e concluintes, sugerindo que, no contexto investigado, a passagem pelo curso não tem sido suficiente para deslocar de modo consistente a deficiência do registro individual/patológico para um registro relacional e de barreiras. Na análise qualitativa, emergiram compreensões em que a deficiência aparece como limitação, dependência e necessidade de cuidado, desafio e, também, como ocasião de sensibilidade no encontro clínico. Em conjunto, tais achados evidenciam uma tensão entre uma solicitude que se orienta pela abertura ao modo de ser do outro no encontro clínico e um modo técnico-instrumental que apreende a deficiência como objeto a ser classificado, manejado e corrigido. Conclusão: Os achados indicam que a formação médica, tal como vivida pelos participantes, ainda favorece leituras naturalizadas e tecnicistas da deficiência, com implicações diretas para o modo como o futuro médico escuta, interpreta e decide. Essa postura reflete modos sedimentados de compreender o corpo e o cuidado como algo técnico e instrumental, afastando-se de sua dimensão existencial. Os resultados indicam a pertinência de ampliar, na formação médica, espaços transversais de discussão crítica sobre deficiência e sobre os dispositivos que a atravessam. Em termos heideggerianos, trata-se de deslocar o cuidado do registro do domínio técnico que fixa o outro em determinações para uma solicitude que antecipa e liberta, preservando o paciente como Dasein — ser-no-mundo — e ampliando suas possibilidades de existir no encontro clínico.

Resumo (inglês)

Introduction: Conceptions of disability are historically and culturally constituted and directly affect the ways in which persons with disabilities are understood, named, and cared for, especially in fields such as medicine, where organicist, normative, and technicist readings of the body and care still predominate. In this context, this dissertation investigates which conceptions of disability are held by medical students, articulating this issue with a phenomenological-hermeneutic analysis of the perceptions and meanings attributed to persons with disabilities, in order to problematize the implications of these understandings for medical education and future professional practice beyond a reading restricted to the biological body. Objective: To understand the conceptions of persons with disabilities held by medical students, articulating a socio-historical reading and a phenomenological-hermeneutic analysis in order to problematize possible implications of these understandings for their education and future clinical practice. Method: This is a mixed-methods study (qualitative-quantitative), conducted at a private university in the interior of the state of São Paulo, with 124 medical students (1st and 9th terms). The following instruments were used: a Sociodemographic Questionnaire, the Intercultural Scale of Conceptions of Disability (EICD), and a semi-structured questionnaire on perceptions of disability and on what the university offers regarding this topic. Quantitative data were analyzed according to EICD parameters and inferential tests; qualitative data were analyzed through Giorgi’s Descriptive Phenomenological Analysis, with interpretation guided by Heidegger’s hermeneutic ontology. Results: Biological and metaphysical conceptions predominated, with low adherence to the social conception and no significant differences between first-year and final-year students, suggesting that, in the context investigated, progression through the program has not been sufficient to consistently shift disability from an individual/pathological register to a relational and barriers-based one. In the qualitative analysis, understandings emerged in which disability appears as limitation, dependence and need for care, challenge, and also as an occasion for sensitivity in the clinical encounter. Taken together, these findings reveal a tension between a form of solicitude oriented toward openness to the other’s way of being in the clinical encounter and a technical-instrumental mode that apprehends disability as an object to be classified, managed, and corrected. Conclusion: The findings indicate that medical education, as experienced by the participants, still favors naturalized and technicist readings of disability, with direct implications for how future physicians listen, interpret, and decide. This stance reflects sedimented ways of understanding the body and care as technical and instrumental, distancing them from their existential dimension. The results point to the relevance of expanding, within medical education, transversal spaces for critical discussion about disability and the dispositifs that traverse it. In Heideggerian terms, this means shifting care away from the register of technical domination that fixes the other in determinations toward a form of solicitude that anticipates and liberates, preserving the patient as Dasein—being-in-the-world—and expanding their possibilities of existing within the clinical encounter.

Descrição

Palavras-chave

Medicina, Pessoas com deficiência, Fenomenologia, Hermenêutica, Estudantes universitários, Medicine, People with disabilities, Fenomenology, Hermenêutics, University students

Idioma

Português

Citação

PALEARI, Ana Paula Gasparotto. Percepções sobre a deficiência entre universitários de medicina: análise sócio-histórica e fenomenológico-hermenêutica. 2026. Tese (Doutorado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem) – Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2026.

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