Publicação: Qualidade dos recursos hídricos de superfície e sub-superfície
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Data
2001
Autores
Orientador
Coorientador
Pós-graduação
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Resumo
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
A iniciativa basicamente teve início com o desenvolvimento de atividades de pesquisa relacionadas com a identificação do comportamento geoquímico dos elementos nos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, onde os mecanismos de mobilização e possíveis interrelações são investigados, sem deixar de considerar eventuais modificações traduzidas por mudanças nas propriedades redox. Essas atividades fazem parte de uma linha de pesquisa do Grupo do CNPq (versão 3.0) "Hidroquímica e radioatividade na geosfera" que iniciou a sua atuação a partir de 1988 e está inserido na Grande Área do Conhecimento correspondente às Ciências Exatas e da Terra. O enfoque principal das investigações relaciona-se, sobretudo, com os mecanismos de mobilização de radionuclídeos no ambiente, com ênfase nos processos que ocorrem na hidrosfera. A hidroquímica elementar sempre consistiu a primeira etapa necessária para se efetuar as abordagens envolvendo a presença dos radioelementos naturais nos recursos hídricos continentais, uma vez que a presença dos elementos traços (radionuclídeos) somente pode ser bem compreendida quando se têm uma visão hidroquímica geral do sistema estudado. As pesquisas são de natureza interdisciplinar, e, no contexto das sociedades científicas nacionais e internacionais, tem sido enquadradas nas áreas de Hidrogeoquímica, Geoquímica Ambiental, Geoquímica Isotópica e Geofísica Nuclear, dentre outras. Para dar suporte a estas atividades de pesquisa foi necessário implementar toda uma infra-estrutura laboratorial (LABIDRO-Laboratório de Isótopos e Hidroquímica), o que foi efetuado basicamente com recursos financeiros provenientes da FAPESP e CNPq. O LABIDRO atualmente compreende uma área de cerca de 70 m2, prestando-se à análise de águas e efluentes líquidos e sólidos, visando sua caracterização física, química ou físico-química, bem como à determinação da radioatividade natural em amostras de águas, rochas, minerais, sólidos em suspensão e solos. As atividades de extensão universitária, visando transferir o conhecimento adquirido e disponibilizar a infra-estrutura disponível à comunidade e ao setor produtivo, tiveram início a partir de 1992, por ocasião da realização de trabalhos básicos envolvendo apenas a hidroquímica elementar em áreas do país que, em virtude do avançado estágio de desenvolvimento, são caracterizadas por uma grande quantidade e diversidade de problemas relacionados com a interação da sociedade e o meio ambiente. Tais atividades decorrem do fato de que as fontes de poluição dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos são de inúmeros tipos, sendo que, em muitos casos, as soluções são relativamente simples, dependendo apenas do redirecionamento das atividades, enquanto que em outros são dispendiosas ou desconhecidas, requerendo, então, que esforços sejam dirigidos para o levantamento de parâmetros básicos, ainda desconhecidos em nosso país. Dessa forma, alguns programas de monitoramento tiveram início e envolveram a caracterização hidroquímica dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos em áreas de lavra, tratamento de areia para fins industriais e disposição de rejeitos industriais, contribuindo para um melhor conhecimento da dispersão de eventuais poluentes no ambiente. A realização desses monitoramentos foi fundamental para uma adequação dos objetivos do LABIDRO à realidade social, contribuindo igualmente para uma adequação do programa da disciplina GEOQUÍMICA oferecida regularmente aos alunos do terceiro ano do Curso de graduação em Geologia, visando propiciar-lhes novas condições formadoras. Isto porque a disciplina GEOQUÍMICA é de natureza teórico-prática e objetiva mostrar como dados químicos da atmosfera, águas, rochas, minerais, solos e sedimentos podem ser utilizados no estudo de processos geológicos. O assunto assumiu uma grande importância na atualidade, pois, houve um acréscimo acentuado nos últimos anos do número de eventos científicos relacionados com a temática e realizados no Brasil e exterior. As atividades de ensino e de formação de alunos, tanto pelas aulas ministradas quanto pelo seu engajamento em projetos de iniciação científica, tem sido desenvolvidas sempre procurando atingir uma conscientização para o nosso posicionamento nesse final de século XX e início de próximo milênio, período de transição caracterizado por grandes preocupações envolvendo a compatibilização entre o desenvolvimento sócio-econômico e a utilização dos recursos naturais. Isto porque o aproveitamento inadequado dos recursos naturais necessários à existência de uma civilização industrializada e tecnológica no campo e nas áreas urbanas tem incorrido em elevados prejuízos para os recursos hídricos continentais. Portanto, as atividades de extensão que tem sido realizadas beneficiam diretamente o ensino ao propiciar aos alunos vivências de situações impostas pela realidade social. Conforme referido, as atividades de extensão em desenvolvimento somente podem ser conduzidas com o apoio de infra-estrutura laboratorial. Nesse sentido, vários procedimentos e protocolos analíticos são atualmente utilizados no LABIDRO para a aquisição de dados, por exemplo: amostragem controlada, evaporação e pesagem, filtragem em membrana Millipore, eliminação de gás carbônico, esterilização, destilação, incubação, decantação, digestão, dissolução a alta pressão, titulometria, espectrofotometria, potenciometria (eletrodos de vidro, placas paralelas, junção simples, combinados, referência e íon-seletivos), britagem/moagem/dissolução de rochas, separação de minerais, coprecipitação, centrifugação, extração de íons por solventes orgânicos, troca iônica, eletrodeposição, emanometria, cintilometria alfa, espectrometria alfa e espectrometria gama. Os principais parâmetros físicos, químicos, organolépticos e físico-químicos caracterizados nos ensaios realizados no LABIDRO para as amostras de águas e efluentes líquidos e sólidos são: temperatura, cor, turbidez, pH, potencial redox, resíduo seco, resíduos sedimentáveis, oxigênio dissolvido, demanda química e bioquímica de oxigênio, sulfeto, bicarbonato, carbonato, cloreto, sulfato, fosfato, fluoreto, nitrato, nitrito, amônio, sódio, potássio, cálcio, magnésio, bário, ferro, cádmio, cromo, cromo (VI), cobalto, cobre, cumbo, manganês, mercúrio, molibdênio, níquel, titânio, prata, zinco, boro, alumínio, bromo, iodo, selênio, arsênio, cianeto, silício, fenóis, matéria orgânica, óleos e graxas, tanino e lignina, surfactantes. Os ensaios realizados no LABIDRO também proporcionam a quantificação de vários nuclídeos naturais instáveis como é o caso do K-40 e aqueles presentes nas séries naturais de decaimento radioativo do urânio e tório, ou seja: U-238, U-234, Th-230, Rn-222, Ra-226, Po-210, Th-232, Ra-228 e Th-228. Além desses, radionuclídeos artificiais como o Cs-137 e Co-60 são rotineiramente determinados. A partir dos primeiros monitoramentos realizados em 1992, efetuaram-se outros trabalhos, igualmente importantes para o setor produtivo, com o propósito de avaliar a qualidade de águas continentais para finalidades de consumo e engarrafamento, onde, além da caracterização hidroquímica elementar também é fundamental a identificação dos radioelementos dissolvidos. Sob esse aspecto, em decorrência dos processos de interação água-rocha, radioelementos naturais podem ser transferidos para a fase líquida em concentrações que excedem as máximas permitidas, tornando inadequada a sua utilização, de maneira que os resultados obtidos tem contribuido para a geração de informações de interesse para a gestão dos recursos hídricos. Evidentemente, estas abordagens tem constituído tópicos adicionais às relacionadas com a utilização de energia nuclear em nosso país, uma vez que poluição pode ocorrer devido a presença de rejeitos produzidos pelo emprego deste tipo energia em atividades como a geração de eletricidade e a mineração de urânio e tório. A seguir, consta uma relação dos principais resultados transferidos à comunidade e ao setor produtivo: - Estudo da qualidade das águas subterrâneas e superficiais em áreas de lavra e tratamento de areia industrial. 1992 a 1994. - Estudo da qualidade das águas subterrâneas e superficiais em áreas industriais e de disposição de rejeitos. 1994. - Estudo comparativo de águas subterrâneas do interior do Estado de São Paulo. 1994. - Estudo de viabilidade de engarrafamento de água subterrânea. 1995. - Avaliação das características físicas, químicas e físico-químicas de água de nascente. 1995 e 1997. - Ensaios de solubilização e lixiviação de resíduos sólidos em área de lavra e tratamento de areia industrial. 1995. - Caracterização físico-química de lodos de curtume. 1996 e 1997. - Caracterização hidroquímica em poços de monitoramento de águas subterrâneas. 1998. - Laudo pericial sobre contaminação de águas superficiais. 1998.
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Português