Efeito do fungicida piraclostrobina no transcriptoma de abelhas Apis mellifera africanizadas na fase de campeiras
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Data
Autores
Orientador
Orsi, Ricardo de Oliveira 

Coorientador
Pós-graduação
Zootecnia - FMVZ
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
As abelhas são organismos que apresentam elevada sensibilidade a desequilíbrios ambientais, o que fundamenta sua utilização como bioindicadoras. Simultaneamente, desempenham papel funcional central na polinização, contribuindo para a manutenção da biodiversidade, a produção de alimentos e a estabilidade econômica. Em razão de sua intensa interação com o ambiente, estão continuamente expostas a diversos contaminantes, como o fungicida piraclostrobina, frequentemente detectado em produtos apícolas e potencialmente prejudicial à saúde das abelhas e, consequentemente, à segurança alimentar. Diante desse cenário, a presente tese teve como objetivo investigar os efeitos da piraclostrobina (PYR) em abelhas Apis mellifera por meio de abordagens complementares, integrando uma revisão sistemática da literatura e um estudo experimental com foco na análise de expressão gênica. A revisão sistemática foi conduzida conforme as diretrizes PRISMA e a estratégia PICO, utilizando as palavras-chave “Apis mellifera” AND “Pyraclostrobin” em bases de dados científicos. Foram incluídos 25 artigos que avaliaram os efeitos da piraclostrobina, em sua forma pura ou formulada, considerando diferentes vias de exposição e dosagens. Na etapa experimental, avaliou-se o impacto da PYR pura no transcriptoma de abelhas forrageiras expostas ao fungicida por ingestão a uma dose letal (DL50: 8,85 μg/abelha) ou subletal (DL50/100: 0,0885 μg/abelha), com análises transcriptômicas realizadas após 1 e 4 horas de exposição. A síntese da literatura revelou que a PYR pode afetar negativamente as abelhas em múltiplos níveis biológicos, do celular e molecular ao comportamental, comprometendo a saúde individual das abelhas e a estabilidade das colônias. No experimento por ingestão, após 1 hora de exposição, foram observadas alterações na expressão de genes associados principalmente a processos de desintoxicação e resposta imune, sugerindo a ativação de mecanismos de defesa em resposta ao estresse químico. Em conjunto, os resultados demonstram que a PYR, mesmo em baixas doses e após curtos períodos de exposição, é capaz de desencadear respostas moleculares detectáveis em abelhas que merecem atenção devido às possíveis consequências ecológicas. Essas evidências reforçam a necessidade de incorporar marcadores moleculares nas avaliações de risco ecotoxicológico e de fortalecer políticas públicas que conciliem a proteção dos polinizadores com práticas agrícolas sustentáveis.
Resumo (inglês)
Bees are organisms that have high sensitivity to environmental imbalances, which underlies their use as bioindicators. At the same time, they play a central functional role in pollination, contributing to the maintenance of biodiversity, food production, and economic stability. Due to their intense interaction with the environment, they are continuously exposed to various contaminants, such as the fungicide pyraclostrobin, which is frequently detected in bee products and is potentially harmful to bee health and, consequently, to food safety. Given this scenario, the present thesis aimed to investigate the effects of pyraclostrobin (PYR) on Apis mellifera honey bees through complementary approaches, integrating a systematic literature review and an experimental study focused on gene expression analysis. The systematic review was conducted according to the PRISMA guidelines and the PICO strategy, using the keywords “Apis mellifera” AND “Pyraclostrobin” in scientific databases. A total of 25 articles were included, evaluating the effects of pyraclostrobin, in its pure or formulated form, considering different exposure routes and dosages. In the experimental stage, the impact of pure PYR on the transcriptome of forager bees exposed to the fungicide via ingestion was assessed at a lethal dose (LD50: 8.85 μg/bee) and a sublethal dose (LD50/100: 0.0885 μg/bee), with transcriptomic analyses performed after 1 and 4 hours of exposure. The synthesis of the literature revealed that PYR can negatively affect bees at multiple biological levels, from cellular and molecular to behavioral, compromising individual health and colony stability. In the ingestion experiment, after 1 hour of exposure, alterations were observed in the expression of genes mainly associated with detoxification processes and immune response, suggesting the activation of defence mechanisms in response to chemical stress. Taken together, the results demonstrate that PYR, even at low doses and after short exposure periods, is capable of triggering detectable molecular responses in bees that warrant attention due to their potential ecological consequences. The findings reinforce the need to incorporate molecular markers into ecotoxicological risk assessments and to develop public policies that reconcile pollinator protection with sustainable agricultural practices.
Descrição
Palavras-chave
Abelha-africanizada, Expressão gênica, Fungicidas, Polinizadores, Produtos químicos agrícolas, Africanized honeybee, Gene expression, Fungicides, Pollinators, Agricultural chemicals
Idioma
Português
Citação
SCHEFFER, Jaine da Luz. Efeito do fungicida piraclostrobina no transcriptoma de abelhas Apis mellifera africanizadas na fase de campeiras. 2026. Tese (Doutorado em Zootecnia) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.


