Traduzindo a nós mesmos : o sujeito duplo da epidemiologia psiquiátrica
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Data
Autores
Orientador
Pós-graduação
Psicologia - FCLAS
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Os números que apontam para uma suposta “epidemia” de saúde mental são alarmantes; contudo, as condições de sua produção raramente são problematizadas. Com base em uma etnografia da ciência, esta tese investiga a produção desses números a partir da tradução do Composite International Diagnostic Interview (CIDI) 5.0 para o contexto brasileiro, conduzida por um grupo multidisciplinar de cientistas na área da epidemiologia psiquiátrica. Paralelamente, examina como categorias de transtornos mentais comuns são experienciadas e interpretadas por moradores de uma favela na zona leste de São Paulo. A partir desse duplo acompanhamento, das práticas científicas e dos contextos de vida, a tese critica a noção hegemônica de “tradução cultural” na saúde global, compreendendo-a como um processo marcado por incertezas, negociações e opacidades, no qual ciência e cultura são esferas inseparáveis. A análise se propõe a pensar com “números, imagens, palavras e corpos”, fazendo vacilar o sonho metafísico de uma unidade unívoca e afirmando uma unidade vibrátil, na qual conhecimento e experiência se conectam em um plano duplo de inteligibilidade imanente. Nesse movimento, os números psiquiátricos não são entendidos como evidências neutras, mas como mediações instáveis, cuja força emerge das relações entre sujeitos e das condições que os tornam possíveis. A tese contribui para os estudos em saúde global, bem como para as práticas de tradução e adaptação de instrumentos transnacionais, ao evidenciar as dimensões invisíveis da coleta e os vínculos e redes que sustentam a produção de dados, sugerindo que a força da evidência reside tanto no que se mede quanto no que escapa à mensuração.
Resumo (inglês)
The numbers pointing to a supposed “mental health epidemic” are alarming; however, the conditions of their production are rarely problematized. Based on a science ethnography, this thesis investigates the production of these numbers through the translation of the Composite International Diagnostic Interview (CIDI) 5.0 into the Brazilian context, conducted by a multidisciplinary group in field of psychiatric epidemiology researchers. Simultaneously, it examines how common mental disorder categories are experienced and interpreted by residents of a favela in the eastern zone of São Paulo. Through this dual engagement, both with scientific practices and with life contexts, the dissertation critiques the hegemonic notion of “cultural translation” in global health, understanding it as a process marked by uncertainties, negotiations, and opacities, in which science and culture are inseparable. The analysis proposes thinking with “numbers, images, words, and bodies,” unsettling the metaphysical dream of a univocal unity and affirming a vibratile unity, in which knowledge and experience are connected in a double plane of immanent intelligibility. In this movement, psychiatric numbers are not understood as neutral evidence, but as unstable mediations, whose force emerges from the relations among subjects and the conditions that make them possible. The thesis contributes to global health studies and to the practices of translation and adaptation of transnational instruments by evidencing the invisible dimensions of data collection and the ties and networks that sustain data production, suggesting that the strength of evidence resides both in what is measured and in what escapes quantification.
Resumo (espanhol)
Los números que apuntan a una supuesta “epidemia de salud mental” son alarmantes; sin embargo, las condiciones de su producción rara vez son problematizadas. Basándose en una etnografía de la ciencia, esta tesis investiga la producción de estos números a partir de la traducción del Composite International Diagnostic Interview (CIDI) 5.0 al contexto brasileño, llevada a cabo por un grupo multidisciplinario de investigadores en el área de la epidemiología psiquiátrica. Paralelamente, examina cómo las categorías de trastornos mentales comunes son experimentadas e interpretadas por habitantes de una favela en la zona este de São Paulo. A partir de este doble seguimiento, de las prácticas científicas y de los contextos de vida, la tesis
critica la noción hegemónica de “traducción cultural” en la salud global, comprendida como un proceso marcado por incertidumbres, negociaciones y opacidades, en el que ciencia y cultura son inseparables. El análisis se propone pensar con “números, imágenes, palabras y cuerpos”, haciendo tambalear el sueño metafísico de una unidad unívoca y afirmando una unidad vibrátil, en la que conocimiento y experiencia se conectan en un plano doble de inteligibilidad inmanente. En este movimiento, los números psiquiátricos no se entienden como evidencias neutras, sino como mediaciones inestables, cuya fuerza emerge de las relaciones entre sujetos y de las condiciones que las hacen posibles. La tesis contribuye a los estudios en salud global, así como a las prácticas de traducción y adaptación de instrumentos transnacionales, al evidenciar las dimensiones invisibles de la recolección y los vínculos y redes que
sostienen la producción de datos, sugiriendo que la fuerza de la evidencia reside tanto en lo que se mide como en lo que escapa a la medición.
Descrição
Idioma
Português
Citação
RAVELLI-CABRINI, Daniela. Traduzindo a nós mesmos: o sujeito duplo da epidemiologia psiquiátrica. 2026. 420 f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2026.



