Sentido pessoal do trabalho para alunos do ensino médio: um estudo a partir da Pedagogia do Movimento
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Data
Autores
Orientador
Asbahr, Flávia da Silva Ferreira 

Coorientador
Pós-graduação
Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem - FC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Baseada nos pressupostos teóricos da Psicologia Histórico-cultural, a presente pesquisa teve como foco compreender e analisar o processo de constituição de sentido pessoal do trabalho para adolescentes de uma Escola do Movimento Sem Terra (MST). O trabalho, para Marx e Engels, é a atividade vital humana, pois foi e é pelo trabalho que o ser humano se desenvolve enquanto ser social, transformando a natureza para suprir suas necessidades e modificando-se ao mesmo tempo. A categoria atividade é fundamental aos autores da Psicologia Histórico-cultural para compreender o desenvolvimento humano, pois é a atividade principal que, em cada período da vida, promove os saltos qualitativos do psiquismo. A atividade tem uma estrutura complexa com ações, operações e finalidades, e é nessa relação dialética com seus componentes que os motivos que podem gerar sentido à atividade são criados. Em busca de uma apreensão maior da realidade, a presente pesquisa de caráter qualitativo e de inspiração etnográfica propôs uma investigação de campo, a qual acompanhou uma turma de ensino médio durante seus três anos, observando os estudantes em momentos distintos de seu cotidiano escolar, e, consequentemente, da organização da vida no acampamento. A pesquisa usou como instrumentos de coleta de dados: a observação participante; entrevistas semiestruturadas; atividades em grupo; e análise do projeto político pedagógico da escola. As observações das atividades pedagógicas e de estudo da turma foram registradas em diário de campo. Para as entrevistas, seguiu-se um mesmo modelo aplicado com seis alunos nos 1º, 2º e 3º anos do ensino médio. As atividades em grupo tiveram como objetivo promover o debate entre os adolescentes e uma maior integração entre pesquisadora e participantes. Também foram realizadas entrevistas com o coordenador pedagógico e três professores. Para a análise dos dados, todo o material foi lido; entretanto, foram escolhidos somente dois alunos para a análise integral de suas entrevistas, com o intuito de compreender o movimento do processo de atribuição do sentido pessoal do trabalho. Para o movimento de análise foi utilizada a dialética do singular-particular-universal. Dividimos a análise em duas partes. Na primeira buscamos os determinantes da particularidade do campo da pesquisa que medeiam o processo de subjetivação do sentido pessoal para o trabalho; separados em três categorias: trabalho e educação; trabalho e gênero; trabalho livre associado e trabalho alienado. Pra a apreensão do movimento singular de atribuição do sentido pessoal, fizemos uma linha do tempo com as entrevistas e observações, em diálogo com as categorias, para compreender os sentidos possíveis dentro do contexto de vida desses adolescentes. Concluímos que, mesmo que a escola não consiga materializar a proposta pedagógica, tendo o trabalho como centralidade de sua organização, os sentidos possíveis atribuídos ao trabalho encontram-se na totalidade da vida no acampamento, nas ações na escola, nas ações de trabalho na terra, nas ações no acampamento e nas relações sociais nesse contexto, o que demonstra que o Movimento se torna o próprio educador na produção de sentidos mais humanizados ao trabalho.
Resumo (inglês)
Based on the theoretical assumptions of Historical-Cultural Psychology, this research focused on understanding and analyzing the process of constructing personal meaning of the work for teenagers in a Landless Workers’ Movement school (Movimento Sem Terra - MST). To Marx and Engels, work is a vital human activity, because it was and still is through work that human beings become human beings, transforming nature to meet their needs and changing themselves at the same time. The category of activity is fundamental to the authors of Historical-Cultural Psychology to understand human development, as it is the main activity that, in each period of life, promotes qualitative leaps in the psyche. Activity has a complex structure with actions, operations, and purposes, and it is in this dialectical relationship with its components with the reasons that can generate meaning to the activity are created. In search of a better understanding of the reality, this qualitative and ethnographically inspired research proposed a field research, accompanying a high school class for three years, observing students in different times of their school life and; therefore, the life's organization at the camp. The research used the following data collection instruments: participant observation; semistructured interviews; group activities; and analysis of the school's pedagogical policy project. Observations of the class's pedagogical and study activities were recorded. For the interviews, the same model was used with six students from the 1st, 2nd, and 3rd periods of the high school. The group activities aimed to promote discussion among the adolescents and greater integration between the researcher and participants. Interviews were also conducted with the educational coordinator and three teachers. For data analysis, all the material was read, but only two students were chosen for a comprehensive analysis of their interviews, with the aim of understanding the process of attributing personal meaning to work. The dialectic of the singular-particular-universal was used for the analysis. The analysis was divided into two parts. In the first one, the determinants were sought of the particularity of the research field that mediate the subjectivization's process of personal meaning for the work, separated into three categories: work and education; work and gender; associated work and “free” salaried work. In order to grasp the unique movement of personal meaning attribution, a timeline was created with interviews and observations in a dialogue with the categories to understand the possible meanings within the context of these adolescents' lives. We concluded that, even if the school is unable to materialize the pedagogical proposal with work as the central focus of its organization, the possible meanings attributed to work are found in the totality of the camp's life, in the actions at school, in the actions of working with the land, in the camp's actions and in the social relations in this context, which demonstrates that the Movement itself becomes the educator in the process of creating a more humanized meaning for the work.
Resumo (espanhol)
Basada en los supuestos teóricos de la psicología histórico-cultural, la presente investigación se centró en comprender y analizar el proceso de constitución del sentido personal del trabajo para los adolescentes de una escuela del Movimiento de los Sin Tierra (MST). Para Marx y Engels, el trabajo es la actividad vital del ser humano, ya que fue y es a través del trabajo que el ser humano se desarrolla como tal, transformando la naturaleza para satisfacer sus necesidades y modificándose a sí mismo al mismo tiempo. La categoría de actividad es fundamental para los autores de la psicología histórico-cultural a la hora de comprender el desarrollo humano, ya que es la actividad principal la que, en cada etapa de la vida, promueve los saltos cualitativos de la psique. La actividad tiene una estructura compleja con acciones, operaciones y finalidades, y es en esta relación dialéctica con sus componentes donde se crean los motivos que pueden dar sentido a la actividad. En busca de una mayor comprensión de la realidad, la presente investigación de carácter cualitativo e inspiración etnográfica propuso una investigación de campo, que acompañó a una clase de secundaria durante sus tres años, observando a los estudiantes en diferentes momentos de su vida escolar cotidiana y, en consecuencia, de la organización de la vida en el campamento. La investigación utilizó como instrumentos de recopilación de datos: la observación participante; entrevistas semiestructuradas; actividades en grupo; y análisis del proyecto político pedagógico de la escuela. Las observaciones de las actividades pedagógicas y de estudio de la clase se registraron en un diario de campo. Para las entrevistas, se siguió un mismo modelo aplicado a seis alumnos de 1.º, 2.º y 3.º de secundaria. Las actividades en grupo tenían como objetivo promover el debate entre los adolescentes y una mayor integración entre la investigadora y los participantes. También se realizaron entrevistas con el coordinador pedagógico y tres profesores. Para el análisis de los datos, se leyó todo el material; sin embargo, se eligieron solo dos alumnos para el análisis integral de sus entrevistas, con el fin de comprender el movimiento del proceso de atribución del sentido personal del trabajo. Para el movimiento de análisis se utilizó la dialéctica de lo singular-particular-universal. Dividimos el análisis en dos partes. En la primera, buscamos los determinantes de la particularidad del campo de investigación que median el proceso de subjetivación del sentido personal del trabajo, separados en tres categorías: trabajo y educación; trabajo y género; trabajo asociado y trabajo “libre” asalariado. Para captar el singular movimiento de atribución de sentido personal, elaboramos una línea temporal con las entrevistas y observaciones, en diálogo con las categorías, para comprender los posibles significados dentro del contexto de vida de estos adolescentes. Llegamos a la conclusión de que, aunque la escuela no logre materializar la propuesta pedagógica que tiene el trabajo como eje central de su organización, los posibles significados atribuidos al trabajo se encuentran en la totalidade de la vida en el campamento, en las acciones en la escuela, en las acciones de trabajo en la tierra, en las acciones en el campamento y en las relaciones sociales en ese contexto, lo que demuestra que el Movimiento se convierte en el propio educador en la producción de significados más humanizados para el trabajo.
Descrição
Palavras-chave
Sentido pessoal, Trabalho, Adolescência, Movimento Sem Terra, Educação, Personal meaning, Work, Teenagers, Landless Workers' Movement, Education
Idioma
Português
Citação
SILVA, Bárbara Maria Costa. Sentido pessoal do trabalho para alunos do ensino médio: um estudo a partir da Pedagogia do Movimento. 2025. Tese (Doutorado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem) – Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2025.


