Geração pós-alfabética no Brasil: políticas curriculares e autoformação em contexto de semiocapitalismo
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Data
Autores
Supervisor
Pagni, Pedro Ângelo 

Coorientador
Pós-graduação
Curso de graduação
Título da Revista
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Relatório de pós-doc
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa pós-doutoral que analisou os impactos do semiocapitalismo sobre a escola pública paulista com ênfase na emergência da chamada “geração pós-alfabética”, nas reformas curriculares neoliberais e nas novas formas de subjetivação em ambientes educacionais mediados por tecnologias digitais. A partir da filosofia da educação e de uma abordagem genealógica foucaultiana, investiga-se como as novas formas de governamentalidade algorítmica influenciam a autoformação, subordinando a educação a regimes de vigilância, produtividade e performatividade. Com base na obra de Franco “Bifo” Berardi, o estudo caracteriza o semiocapitalismo como um regime de exploração da energia psíquica, no qual a aceleração informacional e a financeirização da vida rompem os vínculos simbólicos. A geração pós-alfabética, socializada por dispositivos digitais, forma-se em um ambiente onde a linguagem escrita cede espaço a fluxos de dados audiovisuais, afetando a atenção, a cognição e a capacidade crítica. O trabalho argumenta que tais mutações se traduzem em uma crise intergeracional, evidenciada pela ruptura da mediação simbólica entre professores e estudantes. A análise das reformas educacionais brasileiras — em especial a BNCC e a instauração dos programas de ensino integral — revela como essas políticas consolidam uma lógica performativa e mercantil, naturalizando a autoexploração e o empreendedorismo de si como práticas pedagógicas. Denuncia-se a redução da escola a um dispositivo de datificação da experiência e de formação para a mensuração, em detrimento da formação ética, crítica e afetiva. Ao mesmo tempo, a precarização docente é analisada à luz da pesquisa de Wanderley Codo, mostrando como a lógica neoliberal interrompe o circuito afetivo essencial à prática pedagógica, produzindo exaustão, sofrimento e desistência. O relatório conclui que a escola contemporânea opera sob tensão entre a promessa de inovação pedagógica e a captura semiótica das subjetividades. Diante da erosão dos vínculos afetivos, da fragmentação cognitiva e da estetização do desempenho escolar, propõe-se resgatar a filosofia da educação como prática de resistência. O cuidado de si, enquanto atitude ética e pedagógica é destacada como eixo fundamental para uma reconfiguração da escola que recupere o tempo, a escuta e a criação de sentido como fundamentos da formação humana. Nesse horizonte, a educação integral, aliada à promoção dos direitos humanos e à crítica das racionalidades neoliberais, aparece como caminho possível para reimaginar a cidadania no século XXI.
Descrição
Fomento: Edital 05/2024/PROP – Modalidade Ampla concorrência (PD-AC): PPI (pretos e pardos). ID 5437.
Palavras-chave
Educação, Semiocapitalismo,, Crise intergeracional, Reformismo educacional e subjetividades
Idioma
Português
Citação
ALMEIDA, Jonas Rangel de. Geração pós-alfabética no Brasil: políticas curriculares e autoformação em contexto de semiocapitalismo. Supervisor: Pedro Ângelo Pagni. 2025. Relatório (Pós-doutorado) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.


