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"Conhecimentos tradicionais" e educação ambiental: um estudo a partir de teses e dissertações brasileiras

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Orientador

Cavalari, Rosa Maria Feiteiro

Coorientador

Pós-graduação

Educação - IB

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Frente ao cenário de mudanças ambientais e compreendendo a atual crise como uma crise política e epistêmica, cujas raízes remontam à instrumentalização da razão, esta pesquisa investiga as possíveis contribuições de outras formas de conhecimento para fundamentar alternativas ao modelo hegemônico de compreensão da natureza. Busca-se, assim, elucidar que aspectos dos “conhecimentos tradicionais” vêm sendo discutidos em uma das áreas de relevância para a temática socioambiental: o campo da pesquisa em Educação Ambiental (EA). Para tanto, o presente trabalho estrutura-se a partir de três objetivos: (i) investigar as compreensões sobre “conhecimentos tradicionais” presentes nas teses e dissertações brasileiras de EA; (ii) analisar as relações estabelecidas entre os “conhecimentos tradicionais” e outras formas de conhecimento, enfatizando a relação com o conhecimento científico; e (iii) identificar os referenciais teóricos comuns à temática. O estudo caracteriza-se como uma pesquisa de “Estado da Arte” e está vinculado ao projeto “EArte: Estado da Arte da Pesquisa em Educação Ambiental no Brasil”. Conta com um corpus documental final de vinte e nove trabalhos, sendo sete teses e vinte e duas dissertações, todos vinculados à temática dos “conhecimentos tradicionais” e disponíveis na “Plataforma Fracalanza”, do “Projeto EArte”. A partir da “Análise Textual Discursiva” (Moraes; Galiazzi, 2016), identificou-se, no corpus documental, quatro principais compreensões sobre os “conhecimentos tradicionais”: (i) sua associação ao ambiente natural; (ii) sua compreensão a partir de uma perspectiva de conhecimento integrado; (iii) seu entendimento enquanto um patrimônio coletivo; e (iv) sua distinção a partir do método de elaboração do conhecimento. No que diz respeito às relações entre “conhecimentos tradicionais” e outras formas de conhecimento foram identificadas tanto as relações de comparação quanto as de integração, incluindo, na última, o “Diálogo de Saberes”, a “Ecologia de Saberes”, a “Dialogicidade”, a “Racionalidade Comunicativa”, a “Educomunicação” e a “Etnociência”. Por fim, entre os referenciais teóricos mais recorrentes, destacam-se as contribuições de Antônio Carlos Diegues, Víctor M. Toledo e Lévi-Strauss (1908-2009). A partir das análises realizadas, considera-se importante ressaltar que, embora os “conhecimentos tradicionais” não sejam compartimentalizados, a apropriação acadêmica que se faz deles tende à segmentá-los, desconsiderando aspectos centrais da sua constituição, como é o caso das questões relacionadas ao território e à espiritualidade. Outro ponto a ser levado em consideração é o de que, mesmo existindo um movimento de investidas na direção de um compartilhamento de conhecimentos a partir da escuta de atores sociais inseridos no interior de “comunidades tradicionais”, na prática, persistem obstáculos significativos ao reconhecimento da legitimidade desses conhecimentos. Como alternativa para a superação desse entrave, alguns elementos do pensamento de Silvia Cusicanqui são apresentados e levanta-se a necessidade de investigações futuras que discutam não apenas práticas de EA que, do interior de comunidades tradicionais, ofereçam possibilidades de resistência epistêmica, como também pesquisas que, partindo da compreensão de Lévi-Strauss acerca da capacidade de generalização do “pensamento mítico”, inspirem uma EA capaz de, a exemplo de tantas comunidades tradicionais e povos originários, sonhar outros mundos.

Resumo (inglês)

Facing the challenges of climate change and understanding the current crisis as both political and epistemic, this research investigates the potential contribution of other forms of knowledge to support alternatives to the hegemonic model of nature understanding. The aim is to elucidate which aspects of “traditional knowledge” are being discussed in the Environmental Education (EE) research field. Therefore, this study is guided by three objectives: (i) to investigate the understandings of “traditional knowledge” present in Brazilian doctoral and master's theses in Environmental Education; (ii) to analyze the relationship established between “traditional knowledge” and other forms of knowledge, especially its interaction with scientific knowledge; and (iii) to identify the theoretical frameworks commonly used in this context. This study is characterized as a “State of the Art” type of research and is part of the project “EArte: Estado da Arte da Pesquisa em Educação Ambiental no Brasil”. It is based on a final analytical corpus of twenty-nine academic works - seven doctoral dissertations and twenty-two master's theses - all related to the theme of “traditional knowledge” and available on the “Plataforma Fracalanza” of the project EArte. Using “Discursive Textual Analysis” (Moraes; Galiazzi, 2016), the present investigation identified in the analytical corpus four main conceptions of “traditional knowledge”: (i) its association with the natural environment; (ii) its interpretation as an integrated form of knowledge; (iii) its recognition as collective heritage; and (iv) its distinction based on the method of knowledge production. Regarding the relationships between “traditional knowledge” and other forms of knowledge, both comparative and integrative relations were identified, including “Dialogues of Knowledges”, “Ecology of Knowledges”, “Dialogicity”, “Communicative Rationality”, “Edu-communication” and “Ethnoscience.” Among the most frequently theoretical references are the contributions of Antônio Carlos Diegues, Víctor M. Toledo, and Claude Lévi-Strauss (1908–2009). The analyses highlight that, although “traditional knowledge” is inherently non-compartmentalized, its academic appropriation tends to segment it, often disregarding central aspects such as its ties to territory and spirituality. Another relevant point is that, while there is a growing effort to promote knowledge sharing, significant barriers remain to the full recognition of this knowledge as legitimate. As a potential response to these challenges, this study presents some elements of Silvia Cusicanqui’s thought and emphasizes the need for future research that not only explores EE practices rooted in traditional communities as expressions of epistemic resistance but also draws on Lévi-Strauss’s insights into the generalizing potential of “mythical thought” to inspire an EE that, like so many traditional and Indigenous communities, imagine other possible worlds.

Descrição

Palavras-chave

Educação ambiental, Conhecimentos tradicionais, Estado da arte, Environmental education, Traditional knowledge, State of the art

Idioma

Português

Citação

BRANCO, Gleici. "Conhecimentos tradicionais" e educação ambiental: um estudo a partir de teses e dissertações brasileiras. 2025. Dissertação (Mestrado em Educação) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro, 2025.

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