Publicação: Análise dos princípios de planejamento argumentativo e das condições de promoção da argumentação na formação inicial de professores de Física
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Data
2020-02-10
Autores
Orientador
Nardi, Roberto 

Coorientador
Pós-graduação
Educação para a Ciência - FC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Os ambientes formais de ensino são feitos de uma combinação complexa e dinâmica de diversos fatores que determinam as classes de objetivos que congregam professores e estudantes naqueles espaços, os tipos de atividades didáticas que são desenvolvidas e os conhecimentos que potencialmente serão desenvolvidos com o envolvimento dos indivíduos nas atividades propostas. Nos últimos anos, uma das linhas de pesquisa que têm crescido consideravelmente no Brasil e no mundo é a argumentação no ensino de Ciências. Dentro de seu escopo de investigações, têm ganhado destaque trabalhos que focam seus esforços no mapeamento das condições que ambientes formais de ensino oferecem para que os estudantes sejam levados a vivenciar o processo de emitir opiniões e de formular justificativas coerentes baseadas em fatos teóricos ou experimentais. No entanto, recentes publicações apontam que apesar do grande número de evidências que sugerem a incorporação de práticas argumentativas ao ensino de ciências, tais práticas ainda estão muito distantes dos cursos de formação de professores. Nesse sentido, o presente estudo de caso teve como objetivo central compreender como estão configuradas quatro disciplinas de um curso de Licenciatura em Física em relação a seis elementos que mais influenciam o desenvolvimento de saberes argumentativos por parte de seus estudantes. A pesquisa foi desenvolvida junto a professores e estudantes de um curso de Licenciatura em Física de uma universidade pública do estado de São Paulo entre os anos de 2016 e 2020. As disciplinas analisadas foram escolhidas por representarem bem a diversidade de departamentos que integram o curso, por estarem situadas em momentos importantes do curso e pelo fato de que os docentes já ministravam tais disciplinas há bastante tempo. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com os docentes responsáveis por cada disciplina e com licenciandos do curso, de notas de campo do pesquisador ao acompanhar as aulas de cada disciplina, da leitura das ementas das disciplinas disponíveis na página do curso e de informações acadêmicas e profissionais dos docentes obtidas na Plataforma Lattes. Além disso, uma prática argumentativa foi realizada ao final de cada uma das quatro disciplinas, cujas transcrições de áudio e vídeo foram utilizadas para posterior análise. A análise de dados foi realizada a partir de conceitos da terceira geração da Teoria da Atividade e de modelos teóricos para a compreensão da argumentação em espaços formais de ensino. Os resultados do estudo revelam que apesar das recentes reestruturações curriculares que alteraram a estrutura e o funcionamento do curso, as quatro disciplinas analisadas não constituem espaços propícios ao desenvolvimento de saberes argumentativos, afirmação esta que poderia ser estendida para a maioria das disciplinas do curso. Tal constatação baseia-se no fato de que as alterações nos objetivos formativos do curso, expressos no novo projeto pedagógico e nas ementas de cada disciplina, parecem não ter sido capazes de promover mudanças significativas nas concepções de ensino e de aprendizagem dos docentes do curso e nos tipos de interações dialógicas mais recorrentes em sala de aula.
Resumo (inglês)
Formal learning environments are made up of a complex and dynamic combination of diverse factors that determine the types of learning goals that bring teachers and students together in those spaces, the sorts of didactic activities that are carried out, and the knowledge that may be developed as individuals engage in the proposed activities. In recent years, one line of research that has grown considerably in Brazil, as well as all over the world, is the study of argumentation in science education. Within this broad line, a particular set of studies has acquired a very important status: studies that aim at mapping the conditions that formal learning environments provide to their students to voice their opinions and to formulate solid justifications based on empirical or theoretical facts to back their claims. However, recent publications point out that despite the large amount of evidence that suggests the incorporation of argumentative practices in science teaching, such practices are still a long way from teacher training courses. In this sense, the present case study had as central objective to understand how four disciplines of a Physics Degree course are configured in relation to six elements that most influence the development of argumentative knowledge by its students. The research was developed with professors and students of a Physics Degree course at a public university in the state of São Paulo between the years 2016 and 2020. The subjects analyzed were chosen because they represent well the diversity of departments that integrate the course, for being located at important moments of the course and for the fact that the professors had already taught such subjects for a long time. The data were obtained through semi-structured interviews with the professors responsible for each discipline and with course graduates, from the researcher's field notes when observing the classes of each discipline, from reading the course menus available on the course page and academic and professional information from teachers obtained from the Lattes Academic Database. In addition, one argumentative practice was carried out at the end of each of the four disciplines, whose audio and video transcriptions were used for further analysis. Data analysis was performed based on concepts from the third generation of Activity Theory and theoretical models for understanding argumentation in formal learning environments. The results of the study reveal that despite the recent curricular reforms that altered the structure and operation of the undergraduate program, the four analyzed courses are not considered as environments that are prone to scaffold the development students’ argumentative knowledge and skills, a statement that could be extended to most of the courses of this program. Such finding is based on the fact that the changes in the educational goals of this program, expressed in the new pedagogical project and in the syllabus of each discipline, have not been able to promote significant changes in the teaching and learning conceptions of the professors that are responsible for such courses and in the types of dialogic interactions that are more frequent in the classroom.
Descrição
Idioma
Português