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A presença (invisível) da branquitude nas práticas institucionais do SUAS

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Orientador

Souza, Leonardo Lemos de

Coorientador

Pós-graduação

Psicologia - FCLAS

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

A tese analisa como as dinâmicas raciais, especialmente a branquitude, atravessam as práticas institucionais voltadas às infâncias no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Partindo do entendimento de que o racismo opera estruturalmente na sociedade brasileira, sustenta-se que seus efeitos incidem tanto nos marcos normativos da Assistência Social quanto no cotidiano dos serviços, produzindo impactos desiguais sobre crianças brancas e não brancas. A discussão articula três eixos teóricos: os processos históricos de colonialismo e racialização, os estudos da branquitude e os referenciais da Sociologia da Infância, destacando a interseccionalidade entre raça e geração. A pesquisa, de abordagem qualitativa, combina revisão bibliográfica, análise de documentos normativos e entrevistas com profissionais dos serviços CRAS, CREAS e SAICA de Bertioga-SP. O estudo examina como psicólogas e assistentes sociais reconhecem, interpretam ou reproduzem desigualdades raciais, evidenciando tensões entre diretrizes legais, concepções de infância e práticas institucionais. Também analisa a presença das crianças nos serviços, os registros do marcador racial e os silenciamentos que permeiam o atendimento. Os resultados mostram que, apesar de avanços normativos, persistem lacunas significativas na consideração da dimensão racial no SUAS. Observou-se que a branquitude atua como norma tácita, orientando percepções, decisões e formas de reconhecimento institucional, inclusive entre profissionais não brancos. A ausência de formações continuadas e de abordagens interseccionais contribui para a reprodução de naturalizações e para a invisibilização das desigualdades envolvendo crianças negras e indígenas. A tese recomenda o fortalecimento de práticas antirracistas por meio da revisão crítica das concepções de infância que orientam a política, da inclusão sistemática da categoria raça nos registros e do investimento em formações interseccionais. Argumenta-se que garantir infâncias plurais e o pleno exercício de direitos exige enfrentar as lógicas coloniais que ainda estruturam o SUAS e seus modos de funcionamento.

Resumo (inglês)

The thesis examines how racial dynamics—especially whiteness—shape institutional practices directed toward children within the Unified Social Assistance System (SUAS). Based on the understanding that racism operates structurally in Brazilian society, it argues that its effects permeate both the normative frameworks of Social Assistance and the everyday functioning of services, producing unequal impacts on white and non-white children. The discussion articulates three theoretical axes: the historical processes of colonialism and racialization, studies on whiteness, and the frameworks of the Sociology of Childhood, emphasizing the intersectionality between race and generation. The qualitative research combines a bibliographic review, analysis of normative documents, and interviews with professionals working in CRAS, CREAS, and SAICA services in the municipality of Bertioga, São Paulo. The study examines how psychologists and social workers recognize, interpret, or reproduce racial inequalities, revealing tensions between legal guidelines, conceptions of childhood, and institutional practices. It also analyzes the presence of children in the services, the recording of racial markers, and the silences that permeate professional conduct. The findings indicate that, despite normative advances, significant gaps remain in addressing the racial dimension within SUAS. Whiteness was observed to function as a tacit norm that shapes perceptions, decisions, and institutional recognition—even among non-white professionals. The lack of continuing education and of intersectional approaches contributes to the reproduction of naturalizations and to the invisibilization of inequalities affecting Black and Indigenous children. The thesis recommends strengthening antiracist practices by critically revising the conceptions of childhood that guide the policy, systematically including race in institutional records, and investing in intersectional training. It argues that ensuring plural childhoods and the full exercise of rights requires confronting the colonial logics that continue to structure SUAS and its modes of operation.

Descrição

Palavras-chave

Infância, Racismo, Branquitude, Sistema Único de Assistência Social (Brasil), Childhood, Racism, Whiteness, SUAS

Idioma

Português

Citação

CARLI, Tassiana. A presença (invisível) da branquitude nas práticas institucionais do SUAS. 2026. 328 p. Tese (Doutorado em Psicologia) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2026.

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