Desmistificando o HIV: saúde bucal e qualidade de vida de indivíduos soropositivos de um serviço especializado
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Data
Autores
Orientador
Coorientador
Pós-graduação
Saúde Coletiva em Odontologia - FOA
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Introdução: Considerada a epidemia mais longa da história, o cenário do HIV no Brasil segue em transformação, acompanhando avanços e persistentes desafios. A infecção continua sendo marcada por desigualdades e pela persistência da discriminação, exigindo estratégias que promovam equidade e enfrentem o estigma. Objetivo: Analisar as características sociodemográficas, os hábitos relacionados ao uso de substâncias psicoativas e os fatores clínicos relacionados à doença; o preconceito e a discriminação sofridos nos serviços de saúde e o impacto desses aspectos sobre a qualidade de vida. Além disso, avaliar a influência de fatores farmacológicos e psicológicos, como ansiedade e depressão, sobre a saúde bucal de pessoas vivendo com HIV. Metodologia: Ambos capítulos consistem em um estudo transversal com abordagem quantitativa. O tamanho amostral foi calculado considerando um nível de confiança de 95%, erro máximo de 5% e proporção estimada de 80% da população com alterações bucais, resultando em uma amostra equivalente a 111 indivíduos HIV positivos, atendidos pela equipe de odontologia do Serviço Ambulatorial Especializado de Araçatuba – SAE/DST, no período de fevereiro a setembro de 2025. Foram consultados os prontuários utilizados na unidade, compostos pela identificação dos pacientes e pelos dados semiológicos, incluindo histórico da doença, carga viral, uso de medicações e presença de comorbidades. Em seguida foram aplicados dois instrumentos: um questionário semiestruturado, elaborado especificamente para este estudo, voltado para às questões sociodemográficas, aos aspectos relacionados ao HIV e as situações de preconceito e discriminação sofridas no serviço de saúde; para Qualidade de vida, foi utilizado o instrumento validado HIV/AIDS – Target Quality of Life (HAT-QoL). Para análise das condições bucais, foi utilizado o Índice de Dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD), seguida da análise do pH salivar por meio de fitas colorimétricas pH. Também foi realizado o teste de fluxo salivar por meio da coleta de saliva total estimulada, em sala ventilada e iluminada, com o paciente sentado confortavelmente. Para ansiedade e depressão foi aplicado o questionário Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS). Foi utilizado o programa Microsoft Excel para tabulação dos dados em planilha e os programas EpiInfoTM 7.2 e BioEstat versão 5.3 para análise descritiva quantitativa e análise. Resultados: No primeiro capítulo foi identificado que a maioria da população estudada era do sexo masculino (70,27%), com idade entre 36 a 55 anos (52,25%) e com estado civil solteiro (67,57%). Os domínios do HAT-QoL com menores médias foram “Preocupações em revelar a doença” (18,87), seguido de “Preocupações financeiras” (28,83) e “Atividade sexual” (67,79). Variáveis sociodemográficas, tais como idade, cor, vínculo trabalhista, carga viral, Cluster de diferenciação 4 (CD4) e adesão à Terapia Antirretroviral (TARV) apresentaram impacto negativo sobre a qualidade de vida. Em relação à discriminação nos serviços de saúde, 18 indivíduos relataram ter sofrido algum tipo ação preconceituosa durante os atendimentos, sendo cometida pela maioria das vezes pela equipe de enfermagem (72,22%), de forma verbal (83,33%) e no serviço público (88,88%). No segundo capítulo, foram observados sintomas de ansiedade possível ou provável em 60,3% dos indivíduos e de depressão em 20,7%. Na avaliação bucal, 53,1% apresentaram hipossalivação ou baixo fluxo salivar, 43,2% pH salivar ácido e a média do índice CPOD foi 12,95. Houve significância entre menor faixa etária e menor CPOD, além de indivíduos com carga viral indetectável e CD4+ >500 células/mm³ com maior fluxo salivar. Indivíduos com provável depressão apresentaram tendência a piores indicadores bucais e o regime antirretroviral contendo Tenofovir + Lamivudina + Darunavir/ritonavir + Etravirina associou-se a maiores valores de CPOD. Conclusão: Condições socioeconômicas e clínicas desfavoráveis impactam negativamente a qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV/AIDS. Além disso, apesar do adequado controle virológico, pessoas vivendo com HIV apresentam alterações bucais relevantes, influenciadas por fatores farmacológicos e psicológicos, reforçando a importância do cuidado multiprofissional integrado.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
Silva, C.E. Desmistificando o HIV: saúde bucal e qualidade de vida de indivíduos soropositivos de um serviço especializado. 2026. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Odontologia, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Araçatuba, 2026.



