O mito literário picaresco em Portugal e Espanha do século XX : um estudo comparado dos romances Trabalhos e paixões de Benito Prada, de Fernando Assis Pacheco, e El amante bilingüe, de Juan Marsé
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Data
Autores
Orientador
Marcari, Maria de Fatima Alves de Oliveira 

Coorientador
Pós-graduação
Letras - FCLAS
Curso de graduação
Título da Revista
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
A presente tese tem como objetivo investigar de que forma o mito literário picaresco, originado no Século de Ouro espanhol, é retomado e reconfigurado na literatura ibérica do século XX. A pesquisa parte da hipótese de que o pícaro, enquanto arquétipo da marginalidade e da sobrevivência, mantém-se vivo na tradição narrativa ibérica, adaptando-se aos novos contextos históricos, sociais e ideológicos. Por meio da análise comparativa das obras selecionadas, procura-se demonstrar como as transformações da figura picaresca refletem as mudanças das sociedades portuguesa e espanhola ao longo do século XX, especialmente em contextos marcados pela repressão política, pela crise de identidade e pela ascensão dos valores capitalistas. A pesquisa baseia-se na teoria de Mario M. González, que discute na obra A saga do anti-herói (1994), a teoria de obras neopicarescas no contexto brasileiro, com o intuito de transpô-la ao contexto ibérico. Dessa forma, o estudo demonstra que o mito picaresco continua a funcionar, na literatura ibérica do século XX, como uma poderosa metáfora das contradições sociais, políticas e existenciais de Portugal e Espanha. A permanência desse mito revela não apenas a vitalidade da tradição narrativa ibérica, mas também a capacidade da literatura de ressignificar arquétipos antigos para expressar os dilemas da modernidade: a exclusão, a identidade, a resistência e a necessidade de reinventar-se diante da adversidade.
Resumo (espanhol)
La presente tesis tiene como objetivo investigar de qué manera el mito literario picaresco, originado en el Siglo de Oro español, es retomado y reconfigurado en la literatura ibérica del siglo XX. La investigación parte de la hipótesis de que el pícaro, como arquetipo de la marginalidad y de la supervivencia, se mantiene vivo en la tradición narrativa ibérica, adaptándose a los nuevos contextos históricos, sociales e ideológicos. A través del análisis comparativo de las obras seleccionadas, se busca demostrar cómo las transformaciones de la figura picaresca reflejan los cambios experimentados por las sociedades portuguesa y española a lo largo del siglo XX, especialmente en contextos marcados por la represión política, la crisis de identidad y el ascenso de los valores capitalistas. La investigación se basa en la teoría de Mario M. González, desarrollada en A saga do anti-herói (1994), donde se aborda la teoría de las obras neopicarescas en el contexto brasileño, con el propósito de trasladarla y adaptarla al contexto ibérico. De esta forma, el estudio demuestra que el mito picaresco continúa funcionando, en la literatura ibérica del siglo XX, como una poderosa metáfora de las contradicciones sociales, políticas y existenciales de Portugal y España. La permanencia de este mito revela no solo la vitalidad de la tradición narrativa ibérica, sino también la capacidad de la literatura para reinterpretar arquetipos antiguos y expresar los dilemas de la modernidad: la exclusión, la identidad, la resistencia y la necesidad de reinventarse frente a la adversidad.
Resumo (inglês)
This doctoral thesis aims to investigate how the picaresque literary myth, originating in the Spanish Golden Age, is revisited and reconfigured in 20th-century Iberian literature. The research is based on the hypothesis that the pícaro, as an archetype of marginality and survival, remains alive within the Iberian narrative tradition, adapting to new historical, social, and ideological contexts. Through a comparative analysis of the selected works, the study seeks to demonstrate how the transformations of the picaresque figure reflect the changes experienced by Portuguese and Spanish societies throughout the twentieth century,particularly in contexts marked by political repression, identity crises, and the rise of capitalist values.The research draws on Mario M. González’s theoretical framework, as developed in A saga do anti-herói (1994), which discusses the theory of neopicaresque works in the Brazilian context, with the aim of transposing and adapting it to the Iberian literary reality. Thus, the study demonstrates that the picaresque myth continues to function in 20th-century Iberian literature as a powerful metaphor for the social, political, and existential contradictions of Portugal and Spain. The persistence of this myth reveals not only the vitality of the Iberian narrative tradition but also the capacity of literature to reinterpret ancient archetypes in order to express the dilemmas of modernity: exclusion, identity, resistance, and the need for self-reinvention in the face of adversity.
Descrição
Palavras-chave
Mito literário picaresco, Literatura comparada, Pacheco, Fernando Assis, Marsé, Juan, 1933-, Literatura neopicaresca, Picaresque literary myth, Comparative literature, Neopicaresque literature
Idioma
Português
Citação
TEIXEIRA, Romeu da Silva. O mito literário picaresco em Portugal e Espanha do século XX : um estudo comparado dos romances Trabalhos e paixões de Benito Prada, de Fernando Assis Pacheco, e El amante bilingüe, de Juan Marsé. 2026. Tese (Doutorado em Letras) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Assis, 2025.


