Representações sobre homossexualidade docente no ambiente escolar das Escolas Técnicas Estaduais

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Data

2021-11-19

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

A sexualidade humana vem sendo discutida e estudada por pesquisadores de diversos campos do conhecimento, sobretudo no da educação. Este estudo lançou olhar, especificamente, aos(às) professores(as) homossexuais que atuam nas escolas e que cotidianamente enfrentam preconceitos e discriminações advindos de alunos, pais, colegas professores, coordenação e direção escolar, devido à sua orientação sexual. O objetivo deste estudo foi o de conhecer quais são as representações de professores(as), equipe gestora e supervisão, sobre a homossexualidade docente no ambiente escolar das Escolas Técnicas Estaduais (ETECs). Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa. Foram utilizados dois instrumentos na coleta de dados: 1) questionário online aplicado a 80 professores e equipe gestora (direção, coordenação pedagógica e orientação educacional) de 15 ETECs; 2) entrevista semiestruturada aplicada a dois supervisores educacionais do Centro Paula Souza (CPS), totalizando 82 participantes. Os resultados indicam que 49,45% dos participantes apresentam representações consideradas positivas sobre a homossexualidade, ou seja, mais favoráveis à diversidade, além de se preocuparem com uma sociedade mais justa e igualitária. Ainda, 59% expressam que a homossexualidade é “Orientação Sexual” e 41% afirmam que os homossexuais nascem assim, manifestando uma visão essencialista pautada nos aspectos biológicos. Verificamos que 83% acreditam que a homossexualidade docente não influencia na orientação sexual dos(as) alunos(as). No que tange ao preconceito, 37% afirmam ter presenciado situações de homofobia no ambiente escolar, sendo a violência verbal e simbólica os dois principais tipos de violências contra professores(as) homossexuais nas ETECs. Em referência às ações e contribuições do CPS acerca da temática homossexualidade, identificamos divergências de percepções, principalmente no que tem sido feito ou que ainda pode ser realizado. Dessa forma, 48,75% relatam sobre a importância de desenvolver e implementar ações a fim de conscientizar e orientar a comunidade escolar quanto ao respeito e à diversidade. Notamos que apesar dos(as) professores(as) e a equipe gestora trabalharem na mesma instituição, algumas representações se diferenciam, por exemplo, nos conceitos e razões da homossexualidade e isso se justifica pelo fato de cada um vivenciar as relações com os colegas de profissão, e alunos, conforme suas possibilidades. Acreditamos que a diversidade enriquece a convivência e o relacionamento entre os atores escolares e, sobretudo, traz ganhos imensuráveis para o clima organizacional, profissional, pedagógico e afetivo da escola, por meio de novas possibilidades de interações, além de promover ricas transformações, conhecimentos e aprendizagens, em especial no que se refere ao respeito à pluralidade humana. Os nossos resultados revelam certo retrocesso em relação aos aspectos biológico e cultural acerca de gênero e de sexualidade. Entendemos que alguns dos motivos que levam os(as) professores(as) homossexuais a não se assumirem nas escolas, trata-se do medo da represália, do preconceito, da discriminação, do estigma e da exclusão social devido à sua orientação sexual, levando-os(as) a se aprisionarem no “armário”, potencializando sua invisibilidade enquanto ser humano e profissional. Reconhecemos a carência e a necessidade de ampliar as pesquisas acerca da homossexualidade docente no ambiente escolar, e sobretudo as múltiplas possibilidades de investigações nesse campo do conhecimento.
Human sexuality has been discussed and studied by researchers from different fields of knowledge, especially in education. This study aimed specifically at homosexual teachers who work in schools and daily face prejudice and discrimination from students, parents, colleagues (other teachers), coordination and school management, due to their sexual orientation. The objective of this study was to find out what the representations of teachers, management team and supervisors, about teaching homosexuality in the school environment of the State Technical Schools (ETECs). It is a quali-quantitative research. Two instruments were used in data collection: 1) online questionnaire applied to 80 teachers and management team (direction, pedagogical coordination and educational guidance) of 15 ETECs; 2) semi-structured interview applied to two educational supervisors at Centro Paula Souza (CPS), totaling 82 participants. The results indicate that 49.45% of the participants present a representation regarded as positive about homosexuality, in other words, more favorable to diversity, in addition to being concerned with a fairer and more egalitarian society. Still, 59% express that homosexuality is “Sexual Orientation” and 41% affirm that homosexuals are born that way, manifesting an essentialist view based on biological aspects. We found that 83% believe that homosexuality does not influence the sexual orientation of students. With regard to prejudice, 37% claim to have witnessed situations of homophobia in the school environment, with verbal and symbolic violence being the two main types of violence against homosexual teachers at ETECs. In reference to the actions and contributions of the CPS on the theme of homosexuality, we identified divergences in perceptions, especially in what has been done or what can still be done. Thus, 48.75% report on the importance of developing and implementing actions in order to raise awareness and guide the school community regarding respect and diversity. We note that despite the professors and the management team working at the same institution, some representations differ, for example, in the concepts and reasons for homosexuality and this is justified by the fact that each one experiences the relationships with their colleagues and students according to their own possibilities. We think that diversity enriches the coexistence and relationship among school actors and, above all, brings immeasurable gains to the organizational, professional, pedagogical and affective climate of the school, through new possibilities of interactions, in addition to promoting rich transformations, knowledge and learning, especially in what concerns to respect for human plurality. Our results reveal a certain step backwards in relation to the biological and cultural aspects of gender and sexuality. We understand that some of the reasons that lead homosexual teachers not to come out in schools are the fear of reprisal, prejudice, discrimination, stigma and social exclusion due to their sexual orientation, leading them to imprison themselves in the "closet", enhancing their invisibility as a human being and professional. We recognize the lack and the need to expand research on teaching homosexuality in the school environment, and above all the multiple possibilities for investigations in this field of knowledge.

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Palavras-chave

Educação profissional, Representação social, Homossexualidade docente, Preconceito, Professional education, Social representation, Faculty homosexuality, Prejudice

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