A influência de fatores sociodemográficos sobre os níveis de atividades físicas habituais em estudantes universitários

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Data

2023-02-17

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

É tocante nos dias atuais, no ápice da modernidade tecnológica, observar as mudanças produzidas pela ciência de ponta e as suas demais consequências no cotidiano das pessoas, sejam elas no perímetro urbano ou rural ou em áreas como saúde, comunicação e transporte. Estes fatores sociodemográficos que se imbricam com o estilo de vida individual, estão, em estado de tensão, relacionados a baixos níveis de atividade física, sedentarismo e obesidade, nos quais, por sua vez, se têm os seus desdobramentos conectados diretamente a uma série de fatores de risco à saúde, como o acometimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT); sendo elas, por exemplo, doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes tipo 2. Haja visto que o excesso de peso chegou a atingir 60,3% da população de adultos acima de 18 anos em 2019, segundo dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de suma importância compreender como esses fatores se relacionam e como levam a tal comportamento. Assim, o presente estudo buscou investigar como os fatores sociodemográficos interagem com níveis de atividades físicas habituais (AFH) em estudantes universitários e verificar se há dentro de uma “cultura universitária” uma preponderância para a prática de atividades físicas. Para isto, foi realizado um estudo transversal onde foram coletados idade, Índice de Massa Corporal (IMC), Nível Socioeconômico (NSE), ano de ingresso na universidade, tempo de tela, propriedade veicular, e o nível de atividade física que foi avaliado pela aplicação do questionário de Atividades Físicas Habituais (AFH) de Baecke; o estudo foi composto de uma amostra de 190 estudantes com idade média 21,2 ± 2,9 anos, dos quais 54,7% do sexo masculino, 44,2% do sexo feminino e 1,1% preferiram não declarar. As análises sobre os níveis de prática e os fatores sociodemográficos coletados foram realizadas utilizando teste T student (pareado e não pareado) e análise de variância (ANOVA), o nível de significância adotado foi de p ≤ 0,05, o software utilizado foi o GraphPad InsTat na versão 3.05. Desta forma, observou-se menores níveis de AFH: entre as mulheres, tanto na variável de exercício físico durante o lazer (EFL), como no escore total de atividade física (ET); pelos mais jovens em EFL; e pelos proprietários de veículos na variável de atividades físicas na hora de lazer e locomoção (ALL). Quanto a classe social, não se encontrou grande influência desta sobre tais níveis, porém, ao analisar as atividades físicas ocupacionais (AFO), a classe DE apresentou maiores níveis que as demais, e, em outro ponto, os dados apontaram para a superioridade no indicador de EFL dos alunos que ingressaram de 2018 para trás em relação aos estudantes que tiveram seu ano de ingresso em 2020 e em 2022, além do que 46,80% dos alunos que possuíam veículos apresentaram sobrepeso ou obesidade. Diante destes resultados, conclui-se que são vários os fatores sociodemográficos que se relacionam negativamente aos níveis de AFH e que aliados ao sedentarismo são condições de risco que aumentam a predisposição para o acometimento de várias DCNT. Por fim, considerando a importância da prática de atividades físicas e de outros hábitos saudáveis nessa fase universitária, faz-se necessário a educação para com a saúde como fator primordial de conscientização na proteção e prevenção desse público.
It is touching nowadays, at the height of technological modernity, to observe the changes produced by cutting-edge science and its other consequences in people's daily lives, whether in urban or rural areas or in areas such as health, communication and transport. These sociodemographic factors that overlap with individual lifestyle, are, in a state of tension, related to low levels of physical activity, sedentary lifestyle and obesity, which, in turn, have their consequences directly connected to a series of health risk factors, such as suffering from Chronic Non-Communicable Diseases (NCDs); these being, for example, cardiovascular diseases, hypertension and type 2 diabetes. Given that excess weight reached 60.3% of the population of adults over 18 years of age in 2019, according to census data from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), it is extremely important to understand how these factors relate to each other and how they lead to such behavior. Thus, the present study sought to investigate how sociodemographic factors interact with levels of habitual physical activity (AFH) in university students and to verify whether there is a preponderance for the practice of physical activities within a “university culture”. For this, a cross-sectional study was carried out where age, Body Mass Index (BMI), Socioeconomic Level (SES), year of entry into university, screen time, vehicle ownership, and the level of physical activity were collected, which was assessed by the application of the Baecke Habitual Physical Activities (AFH) questionnaire; the study was composed of a sample of 190 students with an average age of 21.2 ± 2.9 years, of which 54.7% were male, 44.2% were female and 1.1% preferred not to declare. Analyzes on practice levels and sociodemographic factors collected were carried out using the student T test (paired and unpaired) and analysis of variance (ANOVA), the level of significance adopted was p ≤ 0.05, the software used was GraphPad InsTat in version 3.05. Thus, lower levels of AFH were observed: among women, both in the variable of physical exercise during leisure time (EFL) and in the total physical activity score (ET); by younger people in EFL; and by vehicle owners in the variable of physical activities during leisure time and transportation (ALL). As for social class, no great influence was found on these levels, however, when analyzing occupational physical activities (AFO), the DE class presented higher levels than the others, and, at another point, the data pointed to superiority in EFL indicator of students who entered from 2018 backwards in relation to students who entered in 2020 and 2022, in addition to 46.80% of students who owned vehicles were overweight or obese. In view of these results, it is concluded that there are several sociodemographic factors that are negatively related to AFH levels and that, combined with a sedentary lifestyle, these are risk conditions that increase the predisposition for developing various NCDs. Finally, considering the importance of practicing physical activities and other healthy habits at this university stage, health education is necessary as a primary factor in raising awareness in the protection and prevention of this population.

Descrição

Palavras-chave

Exercício, Sobrepeso, Sedentarismo, Condição socioeconômica, Universitários, Exercise, Overweight, Sedentary lifestyle, Socioeconomic condition, College student

Como citar

FURTADO, Mário Vieira Duarte. A influência de fatores sociodemográficos sobre os níveis de atividades físicas habituais em estudantes universitários. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Educação Física) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Bauru, 2023.