A luta do “Oito de março” como espacialização emancipatória do debate feminista no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

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Data

2020-01-28

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

A questão que se propõe neste trabalho de pesquisa é entender a participação das mulheres na sociedade de classes, evidenciando a luta das mesmas contra as opressões a que são submetidas na sociedade dividida em classes que tem no ho-mem a medida de tudo, como um ser superior, que tem no branco um ser superior ao negro, que tem no patrão um ser superior ao trabalhador. As mulheres trabalha-doras que ingressam em um movimento social, e aqui estamos nos referindo ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), passam a se ver como sujei-tas e seres humanas coletivas. E por isso, o que refletimos aqui faz parte dessas sujeitas que mostram nos “Oito de março”, eventos anuais de paralização e mobili-zação das mulheres, a capacidade que têm em enfrentar o machismo, o patriarcado e o capital. Entende-se que esta luta está inserida numa dimensão mais ampla, com olhar de classes, sem que isso signifique a perda de sua particularidade. Para tanto, abordamos esta questão a partir do feminismo e a luta do “Oito de março” das mu-lheres Sem Terra de 2006 a 2019. Busca-se entender como as mulheres que fazem a luta pela terra enfrentando o grande latifúndio, fazem também a luta pela emanci-pação da mulher e defesa do território, do espaço e da vida. Neste aspecto, no MST, as lideranças têm afirmado que são as mulheres camponesas as principais guar-diãs da biodiversidade, da defesa do território, da agroecologia e da soberania ali-mentar. Ressalta-se que, historicamente ocorre uma invisibilidade social e política feminina que é transgredida nos movimentos sociais do campo. A presença de luta e de afirmação feminina é realizada com participação ativa na organização do mo-vimento social protagonizando a luta de classe numa perspectiva feminista. Em par-ticular, no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as mulheres di-namizam o processo pedagógico do enfrentamento ao agronegócio, ao latifúndio, ao capital estrangeiro, sem deixar de refletir e sistematizar, discutindo e evidencian-do as transformações nas relações de gênero externas e internas ao movimento.
Con este trabajo de investigación se propone comprender la participación de la mu-jer en la sociedad de clases, evidenciando la lucha de las mujeres contra la opre-sión a la que están sometidas, a partir de su vinculación al movimiento social MST. Abordamos esta cuestión a partir del feminismo y la Lucha del Ocho de Marzo de las Mujeres Sin Tierra de 2006 a 2019. Entendemos que esta lucha está inserida en una dimensión más amplia, desde la perspectiva de clases, sin que esto signifique la pérdida de su particularidad. Nos interrogamos por el lugar y la actuación de las mujeres en la lucha de clases, buscando reconstruir el camino recorrido por ellas dentro de un movimiento de lucha por la tierra, por la Reforma Agraria y por la justi-cia social, desde las acciones de lucha del Ocho de Marzo, considerando los proce-sos que han acontecido hasta el momento actual y trabajando con el marco de ac-ciones de denuncias realizadas de 2006 a 2019. Se busca entender como las muje-res llevan a cabo la lucha por la tierra, enfrentando al gran latifundio, la lucha por la emancipación de la mujer y defensa del territorio y de la vida. En el MST se ha afir-mado que son las mujeres campesinas las principales guardianas de la biodiversi-dad, de la defensa del territorio, de la agroecología y la soberanía alimentar. Resal-tamos que, históricamente se percibe y describe una invisibilidad social y política femenina que es transgredida en los movimientos sociales del campo con la pre-sencia de lucha y de afirmación femenina, realizada con la participación activa y a partir de la organización del movimiento, protagonizando la lucha de clases en una perspectiva feminista en el espacio de lucha por la tierra. En particular, en el Movi-miento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST), las mujeres dinamizan el pro-ceso pedagógico del enfrentamiento al agronegocio, latifundio y capital extranjero; sin dejar de reflexionar y sistematizar, discutiendo y evidenciando las transforma-ciones en las relaciones de género.
The proposal in this research is to understand the participation of women in the class society, highlighting their struggle against the oppression to which they are subjected in the society divided in classes which has in men the measure for everything, as a superior, which has the white man as superior to the black man, which has the boss as a superior to the worker. The working women, part of the social movement, that here we refer to MST (Landless workers movement of Brazil), started to see themselves as collective beings. And because of that, what we reflect here is part of these women showing us through “the eight of march”, an annual event of strike and mobilization, their capacity to face chauvinism, patriarchy and capital. The understanding of this struggle is inserted in a broad dimension, with the look of the classes, without losing the particularity of the meaning. Therefore, we approach this question from feminism and “the eight of march” act of landless women from 2006 to 2019. We aim to understand how women who fight for the land facing against the meat farmers, also build the fight for women’s emancipation and defense of territory, for the space and for life. In this respect, in the MST, the leaders have asserted that it is the peasant women who are the main guardians of biodiversity, the defense of the territory, agroecology and food sovereignty. It is noteworthy that, historically, there is a social and political invisibility that has being transgressed in the social movements of the rural field. The struggle and female affirmation are performed with active participation in the organization of the social movement, leading the class struggle with a feminist perspective. In particular, the Landless Rural Workers Movement (MST), women are able to carry out the pedagogical process of confronting the agrobusiness the dominant land property, the foreign capital, while reflecting and systematizing, discussing and evidencing transformations in gender relationships external or internal to the social movement.

Descrição

Palavras-chave

Feminismo, Luta de classes, Movimento social, Feminismo, Feminism, Class struggle, Lucha de clases, Movimiento social

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