Nostra Signora del Mar Dolce: a (re) criação da viagem na narrativa de Gemma Ferruggia

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Data

2014-06-23

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Os estudos sobre a literatura de viagem desenvolveram-se a partir da década de 1980 paralelamente ao desenvolvimento dos estudos pós-coloniais. Antes desse período era vista como um subgênero ou um gênero menor relacionado com a autobiografia. Em parte, isso ocorreu pela dificuldade de se formular uma definição que auxiliasse em sua classificação dentro dos padrões tradicionais, mas também porque a literatura de viagem comporta textos de diversas formas (diários, relatórios, cartas,etc.) produzidos por viajantes de diferentes origens, homens e mulheres. No caso das mulheres, esses textos são em número menor porque, devido a questões históricas e culturais, a viagem feminina era mais difícil. Alguns teóricos apresentados nesta tese defendem a ideia de que muitos livros de viagem são o resultado de um processo de seleção e de uma elaboração narrativa no qual o viajante cria sua própria versão da realidade ficando no limite entre a veracidade e a ficção. Baseando-nos nessa premissa, esta tese analisa como se dá esse processo na obra Nostra Signora del Mar Dolce (Missioni e Paesaggi di Amazzonia) da escritora e jornalista italiana Gemma Ferruggia (1867-1930), publicado em 1902, relato de uma viagem ao Pará e ao Amazonas realizada em 1898 em companhia do marido, Alberto Manzi. Nosso objetivo é identificar as estratégias da autora para (re)criar sua experiência de viagem através da escrita considerando alguns elementos, tais como sua experiência como ficcionista, as leituras de outros viajantes e de obras brasileiras e a questão do gênero
Studies on travel literature evolved from the 1980s with the development of post-colonial studies, before this period was seen as a minor genre or subgenre associated with the autobiography. In part, this was due to the difficulty of formulating a definition that would help in their classification within the traditional patterns, but also because the travel literature comprises texts in different forms (diaries, reports, letters, etc). produced by male and female travelers from different origins. For women, these texts are fewer because, due to historical and cultural issues, women's journey was more difficult. Some theorists presented in this study support the idea that many travel books are the result of a process of selection and preparation of a narrative in which the traveler creates their own version of reality getting in the boundary between truth and fiction. Based on this premise, this thesis analyzes how this process occurs in the work Nostra Signora del Mar Dolce (Missioni e Paesaggi di Amazzonia), by the Italian writer and journalist Gemma Ferruggia (1867-1930), published in 1902, in which she tells about her journey to Pará and Amazonas held in 1898 with her husband, Alberto Manzi. Our aim is to identify the author’s strategies to (re)create her travel experience through writing by considering some elements, such as her experience as a fiction writer, her readings from other travelers and Brazilian works and gender issues

Descrição

Palavras-chave

Ferruggia, Gemma, 1868-1930, Literatura italiana - Crítica e interpretação, Narrativas pessoais, Literature, Amazônia

Como citar

SANTOS, César Palma dos. Nostra Signora del Mar Dolce: a (re) criação da viagem na narrativa de Gemma Ferruggia. 2014. 200 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, 2014.