Franca não é do imperador, É do povo preto! Memórias identidades e resistências

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Data

2023-08-01

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

O objetivo deste trabalho consistiu em interpretar os processos de construção das identidades étnicos-raciais da população negra da cidade de Franca (SP), através da escuta e do registro de suas memórias. A pesquisa foi qualitativa e se utilizou da metodologia de História Oral. Além da revisão bibliográfica e documental realizou-se a pesquisa de campo, sendo utilizadas as técnicas de entrevista de depoimentos de vida e de grupo focal. Para a identificação das(os) participantes, foram feitos contatos com lideranças dos movimentos e coletivos negros, em especial do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca (COMDECON). Optou-se pela Análise de Discurso enquanto metodologia que propiciou a interpretação das narrativas que foram divididas em categorias. Os principais resultados deste estudo consistiram no registro das memórias das negras e negros quanto às suas vivencias, existências e resistências na cidade de Franca (SP), sendo possível interpretá-las diante da história oficial da cidade; aproximar e compreender quais influências a população negra francana sofreu e/ou sofre nos processos de construção de suas identidades étnico-raciais; aprofundar o estudo sobre as relações étnico-raciais brasileiras, da região do nordeste paulista e em especial de Franca (SP). Concluiu-se que em Franca (SP), a maioria das histórias oficiais e dos marcadores históricos e arquitetônicos invisibilizam e ensurdecem a população negra, por representarem, referenciarem e retratarem somente a branquitude, possuindo grande influência do período colonial europeu e do catolicismo romano. E por mais que as negras e os negros apareçam na história oficial de Franca (SP) como escravizadas(os), mercadoria e “braço escravo”, nas memórias das(os) participantes da pesquisa de campo, são evidenciadas(os) e referenciadas(os), explicitando toda a sua potência, protagonismo, resistência, afeto, força, sabedoria, alegria, cultura e espiritualidade, enquanto aquelas e aqueles que construíram e influenciaram na formação de Franca (SP) em todos os seus aspectos, sociais, econômicos, culturais e políticos. Por isso, a Franca não é do Imperador, mas sim do povo preto!
The objective of this work was to interpret the processes of construction of ethnic-racial identities of the black population of the city of Franca (SP), through listening and recording their memories. The research was qualitative and used the Oral History methodology. In addition to the bibliographic and documentary review, field research was carried out, using life testimonial and focus group interview techniques. To identify the participants, contacts were made with leaders of black movements and collectives, especially the Municipal Council for Participation and Development of the Black Community of Franca (COMDECON). Discourse Analysis was chosen as a methodology that enabled the interpretation of narratives that were divided into categories. The main results of this study consisted of recording the memories of black women and men regarding their experiences, existences and resistance in the city of Franca (SP), making it possible to interpret them in light of the official history of the city; approach and understand what influences the black Franconian population suffered and/or suffers in the processes of building their ethnic-racial identities; deepen the study of Brazilian ethnic-racial relations, in the northeast region of São Paulo and especially in Franca (SP). It was concluded that in Franca (SP), most official histories and historical and architectural markers make the black population invisible and deafen, as they represent, reference and portray only whiteness, having a great influence from the European colonial period and Roman Catholicism. And even though black women and black men appear in the official history of Franca (SP) as enslaved people, merchandise and “slave arm”, in the memories of field research participants, they are highlighted and referenced (them), explaining all their power, protagonism, resistance, affection, strength, wisdom, joy, culture and spirituality, while those who built and influenced the formation of Franca (SP) in all its aspects, social, economic, cultural and political. Therefore, Franca does not belong to the Emperor, but to the black people!
El objetivo de este trabajo fue interpretar los procesos de construcción de identidades étnico-raciales de la población negra de la ciudad de Franca (SP), a través de la escucha y el registro de sus memorias. La investigación fue cualitativa y utilizó la metodología de Historia Oral. Además de la revisión bibliográfica y documental, se realizó una investigación de campo, utilizando técnicas de testimonios de vida y entrevistas de grupos focales. Para identificar a los participantes se realizaron contactos con líderes de movimientos y colectivos negros, especialmente el Consejo Municipal de Participación y Desarrollo de la Comunidad Negra de Franca (COMDECON). Se eligió el Análisis del Discurso como metodología que permitió la interpretación de narrativas divididas en categorías. Los principales resultados de este estudio consistieron en registrar las memorias de mujeres y hombres negros sobre sus vivencias, existencias y resistencias en la ciudad de Franca (SP), posibilitando interpretarlas a la luz de la historia oficial de la ciudad; acercarse y comprender qué influencias sufrió y/o sufre la población negra “francana” en los procesos de construcción de sus identidades étnico-raciales; profundizar el estudio de las relaciones étnico-raciales brasileñas, en la región noreste de São Paulo y especialmente en Franca (SP). Se concluyó que en Franca (SP), la mayoría de las historias oficiales y marcadores históricos y arquitectónicos invisibilizan y ensordecen a la población negra, ya que representan, referencian y retratan sólo la blancura, teniendo gran influencia del período colonial europeo y del catolicismo romano. Y si bien las mujeres y los hombres negros aparecen en la historia oficial de Franca (SP) como esclavos, mercancías y “brazo de esclavo”, en la memoria de los participantes de la investigación de campo, son resaltados y referenciados, explicando todo su poder, protagonismo, resistencia, cariño, fuerza, sabiduría, alegría, cultura y espiritualidad, mientras que quienes construyeron e influyeron en la formación de Franca (SP) en todos sus aspectos, social, económico, cultural y político. ¡Por tanto, Franca no pertenece al Emperador, sino al pueblo negro!

Descrição

Palavras-chave

Identidades étnico-raciais, Memórias, Resistências, População negra, Franca (SP), Ethnic-racial identities, Memoirs, Resistances, Black population, Identidades étnico-raciales, Memorias, Resistencias, Población negra

Como citar

SILVA, Rosicler Lemos da. Franca não é do imperador, É do povo preto! Memórias, identidades e resistências. 2023. 237f. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Franca, 2023.