Avaliação do comportamento da mecânica respiratória e dos testes de exercício cardiopulmonar no pré e pós-operatório de pacientes submetidos à toracotomia para tratamento de doenças malignas e benignas, sua relação com as complicações pós-operatórias e com a qualidade de vida

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Data

2016-03-01

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Introduction: Thoracic surgeries are performed routinely for treatment of cardiopulmonary diseases and sometimes for diagnostic purposes, generating postoperative repercussions in lung volumes and pulmonary capacity. Despite advances in surgical techniques and pre, intra and postoperative care, some patients have postoperative complications (POC), resulting in patients and health systems impairment. Thus, inexpensive tests has been investigated in the preoperative evaluation. Additionally, postoperative cardiopulmonary recovery is not fully acknowledged and also, there seems to be a discrepancy between the predicted recovery and the observed postoperatively. At the same time, the quality of life has not been entirely studied and correlated to risk predictors tests. Objective: To determine whether cardiopulmonary exercise testing, pulmonary function and respiratory muscle strength and risk indexes are able to differentiate patients who have higher chances of developing POC; describe the evolution of the effects of thoracotomy in cardiopulmonary function, from the first day until the third month of the postoperative period; assess whether the quality of life correlates to functional values found pre-and postoperatively. Method: Patients elected for thoracotomy were evaluated from February 2010 to December 2014. Spirometry, manometry, six-minute walk test (6MWT), stair climbing test (SCT), were performed and the quality of life questionnaire SF 36 was applied. POC were recorded from the immediate postoperative period until hospital discharge. Patients were classified in two groups, according to the absence (A) or presence (B) of POC and assessed from the first day after surgery until the hospital discharge and when returned to the ambulatory, two and three months postoperatively (1M, 2M and 3M). Patients were then analyzed in two subgroups; one composed by patients that have lung cancer and the other for those who had undergone major surgeries (pneumonectomy, lobectomy and bilobectomy), both comparing those with or without POC. Results: A prospective cohort study evaluating POC as outcome. We evaluated 97 patients, 12 (13%) had POC. The age, length of surgery, anesthesia and drainage, as the postoperative hospital and ICU length of stay were higher in group B (p <0.05). About respiratory tests, forced vital capacity (FVC), forced expiratory volume in first second (FEV1) and peak flow (PEF) were significantly lower in patients with POC. Patients who had complications traveled a shorter distance (Group A: 562.63 ± 88.64; Group B: 476.13 ± 60.79; p = 0.0010) and took longer to complete the SCT (Group: 44 75 ± 16.45; Group B: 63.58 ± 23.16, p = 0.0007 *). 6MWD demonstrate a protective factor for this group after multivariate regression. Cutoffs were determined by the ROC curve for FEV1 (1.7 L), 6MWT (537 m) and SCT (47.5 sec). Further regression based on that cutoff demonstrated that 6MWT SCT and extent of surgical procedure had associations with POC. Respiratory muscle strength values were similar to the preoperative period, in Group A, as well as 6MWT at 1M postoperative follow-up. After 2M FVC, FEV1 (L) and time in SCT returned to PRE values in group A. Related to Quality of life, the capacity, physical aspects, A dimension and total score showed differences between moments, but mental health, physical function, general health, B dimension and total score showed correlation to 6MWT distance and SCT time. Conclusion: The distance in 6MWT, the time in the SCT and the extent of the surgical procedure were able to predict surgical risk in patients undergoing thoracotomy. In the third month after surgery, regardless of the presence or absence of CPO, all variables for specific respiratory and cardiopulmonary evaluation returned to values similar to initial and also the quality of life appears to correlate with performance from exercise tests in patients that underwent thoracotomy.
Introdução: As cirurgias torácicas são realizadas rotineiramente para tratamento de doenças cardiopulmonares e por vezes para fins diagnósticos, gerando repercussões de volumes e capacidades pós-operatórias. Apesar dos avanços nas técnicas cirúrgicas e cuidados pré, intra e pós-operatórios, alguns pacientes apresentam complicações pós-operatórias (CPO), resultando em prejuízo para o paciente e para o sistema de saúde. Sendo assim, testes de baixo custo têm sido investigados na avaliação pré-operatória. Adicionalmente, ainda não é totalmente conhecida a recuperação pósoperatória, acrescida do fato de parecer haver discrepância entre a recuperação predita e a obtida no pós-operatório. Paralelamente, a qualidade de vida foi pouco estudada e correlacionada com os testes utilizados como preditores de risco. Objetivo: Determinar se os testes de exercício cardiopulmonar, de função e de força muscular respiratória e os índices de risco são capazes de diferenciar os pacientes que teriam maiores chances de desenvolver CPO; descrever a evolução dos efeitos da toracotomia na função cardiopulmonar a partir do primeiro dia até o terceiro mês do período pós-operatório; avaliar se a qualidade de vida tem correlação com os valores funcionais encontrados no período pré e pós-operatório. Método: Foram avaliados os candidatos à toracotomia de fevereiro de 2010 a dezembro de 2014. Foi realizada a espirometria, manovacuometria, teste de caminhada de seis minutos (TC6), teste de escada (TE) e aplicado o questionário de qualidade de vida SF-36. Foram anotadas as CPO desde o pósoperatório imediato até a alta hospitalar. Os pacientes foram classificados em dois grupos de acordo com a ausência (A) ou presença (B) de CPO e reavaliados desde o primeiro dia de pós-operatório até o momento da alta hospitalar, e em retornos ambulatoriais, com um, dois e três meses de pós-operatório (1M, 2M e 3M). Os pacientes foram analisados posteriormente em dois subgrupos: um composto por pacientes com diagnóstico de câncer de pulmão e outro por aqueles que foram submetidos a maiores cirurgias (pneumectomia, bilobectomia e lobectomia), ambos comparando aqueles que apresentaram ou não CPO. Resultados: O trabalho realizado foi um estudo analítico longitudinal de coorte prospectivo com desfecho em CPO. Foram avaliados 97 pacientes, sendo que 12 (13%) apresentaram CPO. O tempo de cirurgia, de anestesia, de drenagem, a idade, o tempo de internação pós-operatório e em UTI foram superiores no GRUPO B (p<0,05). Dos testes respiratórios, a capacidade vital forçada (CVF),volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e pico de fluxo expiratório (PFE) foram significativamente menores nos pacientes com CPO. Os pacientes que complicaram percorreram uma menor distância (Grupo A: 562,63 ± 88,64; Grupo B: 476,13 ± 60,79; p=0,0010) e demoraram mais tempo para concluir o TE (Grupo A: 44,75 ± 16,45; Grupo B: 63,58 ± 23,16; p=0,0007). Após regressão multivariada, a distância percorrida no TC6 se mostrou como fator de proteção para esse grupo. Foram determinados pontos de corte com a curva ROC para as variáveis VEF1 (1,7 L), TC6 (537 m) e TE (47,5 seg). Após nova regressão baseada nesse ponto de corte as variáveis de TC6 e TE, além de extensão do procedimento cirúrgico mostraram associações com as CPO. No acompanhamento pós-operatório, com 1M os valores de força muscular respiratória já estavam similares ao pré-operatório no Grupo A, assim como a distância percorrida no TC6. No 2M, os valores de CVF, VEF1 (L) e o tempo no TE voltaram aos valores estaticamente similares ao PRE no grupo A. Na qualidade de vida a capacidade, aspectos físicos, dimensão A e escore total apresentaram diferenças entre os momentos, mas a saúde mental, capacidade física, estado geral de saúde, dimensão B e Escore total mostraram correlações com a distância do TC6 e tempo do TE. Conclusão: A distância percorrida no TC6, o tempo no TE e a extensão do procedimento cirúrgico foram capazes de predizer o risco cirúrgico em pacientes submetidos à toracotomia. No terceiro mês de pós-operatório, independente da presença ou ausência de CPO, todas as variáveis de avaliação especifica respiratória e cardiopulmonar retornaram a valores similares aos iniciais, e ainda a qualidade de vida parece se correlacionar com a performance em testes de exercício de pacientes submetidos à toracotomia.

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Palavras-chave

Thoracotomy, Exercise test, Spirometry, Quality of life, Lung cancer, Toracotomia, Teste de esforço, Espirometria, Qualidade de vida, Câncer de pulmão

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