Mecanismos inflamatórios ligando a prática esportiva em alta intensidade e o desenvolvimento ósseo entre jovens

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Data

2017-05-26

Autores

Agostinete, Ricardo Ribeiro [UNESP]

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Introdução: Sabe-se que a prática de exercícios físicos é capaz de induzir respostas no tecido ósseo, como a elevação de concentrações de marcadores bioquímicos do metabolismo, secretados pelos osteoblastos no processo de formação da matriz óssea. Porém, o treinamento em alta intensidade está relacionado com elevadas concentrações de marcadores pró-inflamatórios, os quais podem retardar os processos relacionados ao ganho de massa óssea. Objetivos: Comparar o ganho de densidade óssea ao longo de 09 meses de seguimento entre jovens esportistas e seus pares sedentários, bem como identificar o impacto da carga de treinamento e inflamação neste ganho ósseo. Métodos: Coorte de 09 meses. A amostra é composta por adolescentes, divididos em grupo esportista (adolescentes engajados em natação e basquetebol) e grupo controle. Foram incluídos os jovens que apresentaram os seguintes critérios de inclusão: i) idade entre 11 e 17 anos; ii) ausência de distúrbios clínicos ou metabólicos; iii) não fazer consumo de qualquer medicamento que possa interferir no metabolismo ósseo; iv) prática de apenas uma modalidade esportiva nos últimos 12 meses; v) envolvimento prévio mínimo de 12 meses na modalidade esportiva; vi) o responsável legal assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Para o grupo controle (com ressalvas aos itens iv e v), foi adicionado o critério: não praticar atividades esportivas regulares nos últimos 12 meses. Os desfechos analisados referem-se à inflamação (PCR). Carga de treinamento, mensurada a partir da utilização de um caderno individual de controle diário, por meio de escala de percepção subjetiva de esforço. Além disso, a composição corporal foi analisada pelo DEXA (absortiometria de raio-x de dupla energia). Logo, também foram considerados fatores de confusão, maturação biológica, idade, hábitos alimentares e sexo. A significância estatística adotada foi de p-valor <0,05. Resultados Transversais: Os nadadores apresentaram menor densidade óssea do que o controle, entretanto superiores valores de PCR; Houve uma relação significativa e positiva entre a carga de treino e a massa livre de gordura. Em meninos, a carga de treinamento apresentou correlação negativa com a densidade óssea em membros inferiores (r= -0,293 [IC95%: -0,553 a -0,034]). Nas meninas, a carga de treinamento foi negativamente relacionada à DMO nos membros inferiores (r= 0.563 [IC95%: -0.770 a -0.356]) e corpo total (r= -0.409 [IC95%: -0.609 a -0.209]), independentes da inflamação. Resultados Longitudinais: Nadadores e jogadores de basquete apresentaram maiores valores de inflamação (PCR) no inicio do estudo. A carga de mensal de treinamento foi positivamente relacionada à massa livre de gordura independente dos fatores de confusão, tais como a inflamação, em ambas as modalidades. No entanto, não houve relação negativa entre a carga de treinamento e as mudanças na densidade mineral óssea após o ajuste. Conclusão: A carga de treino apresentou relação negativa sobre a densidade óssea dos nadadores de ambos os sexos, independentemente do efeito positivo da MLG na densidade óssea. Entretanto, os ganhos na massa óssea durante o acompanhamento de 9 meses foram semelhantes entre os grupos e a carga do treinamento não influenciou os ganhos de densidade óssea depois de considerar o efeito das covariáveis.
Introduction: Physical exercise practice can induce bone mass responses, such as elevation of metabolism biochemical markers, secreted by osteoblasts in the bone matrix formation and calcification process. However, high intensity training is related with elevated pro-inflammatory markers, which can attenuate the process related with bone mass gain. Objectives: To compare bone mass/density gain during nine months, as well identify the impact of training load and inflammation in this outcome. Methods: Nine months cohort. Sample was composed by adolescents, divided in to groups: sports practitioners (adolescents engaged in swimming and basketball practice) and control group. The adolescents were included in the sample whether present the following inclusion criteria: i) aged 11 to 17 years old; ii) do not present any metabolic disorders; iii) do not consume regular medications for blood pressure and lipid profile control; iv) practice only on sport modality during the last 12 months; v) practice at least 12 months in the current sport modality; vi) signature of consent and clarified term by the tutor. For the control group (with the exception for iv and v items), this last criteria will be added: vii) do not practice any sport modalities during the last 12 months. Inflammation, measured using c-reactive protein (CRP), were the outcomes analyzed. Load training was measured using an individual notebook of daily load control, through the rating of perceived exertion (RPE) and body composition were analyzed using DXA (dual-energy x-ray absorptiometry scanner). Statistical analysis was controlled by confounders, such as biological maturation, age, food intake frequency and sex and were analyzed using the BioEstat software with p-value <0.05. Cross Sectional Results: Swimmers had lower bone density than control, however higher CRP values; there was a significant and positive relationship between training load and fat free mass (muscle mass). In boys, the training load presented a negative correlation with bone density in the lower limbs (r = -0.293 [95% CI: -0.553 to -0.034]). In girls, the training load was negatively related to BMD in the lower limbs (r = 0.563 [95% CI: -0.770 to -0.356]) and total body (r = - 0.409 [95% CI: -0.609 to -0.209]). Longitudinal Results: Swimmers and basketball players presented higher values of inflammation (CRP) at baseline. The monthly training load was positively related to fat free mass independent of the effect of confounding factors, such as inflammation, in both modalities. However, there was no negative relationship between training load and gain of bone mineral density after adjustment. Conclusion: The training load had a negative relation on the bone density of swimmers of both sexes, regardless of the positive effect of MLG on bone density. However, gains in bone mass during the 9-month follow-up were similar between groups and the training load did not influence bone mineral density gains after considering the effect of the covariates (inflammation, maturation, age and practice of resistance training.

Descrição

Palavras-chave

Esporte, Adolescentes, Tecido ósseo, Sport, Adolescence, Bone tissue

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