Resistência camponesa e expansão do Complexo Celulose Papel no Vale do Paraíba Paulista

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Data

2017-08-28

Autores

Tinti, Lucas dos Santos

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

O presente trabalho busca compreender o processo de resistência camponesa à presença e métodos utilizados pelo agronegócio através do Complexo Celulose Papel (CCP) no Vale do Paraíba Paulista (VPP), evidenciando o conflito territorial existente entre o campesinato e o agronegócio na região. Para lograr o objetivo proposto apresentamos como ponto de partida o debate a respeito da disputa de diferentes modelos de desenvolvimento para o campo, geradores de conflitos ao longo da história. Estes estão materializados pelo agronegócio, modelo hegemônico vinculado ao modo de produção capitalista, e pela(s) agricultura(s) camponesa(s), modelo alternativo e de resistência ao agronegócio, no qual o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) emerge com um dos principais representantes. Na sequência, nos debruçamos sobre a constituição e especificidades desses dois modelos de desenvolvimento para o campo na região do VPP, na qual o CCP é o principal expoente do agronegócio e a luta pela terra do MST, a principal resistência camponesa. Aqui, é dedicado um olhar mais acurado aos assentamentos de reforma agrária Nova Esperança, no município de São José dos Campo, e Olga Benário, no município de Tremembé. À sequência, voltamos atenção à atual resistência camponesa protagonizada pelo MST na região do VPP, materializada na formulação do Programa de Reforma Agrária Popular (RAP). Procuramos identificar quais ações ligadas a tal formulação vêm sendo construídas na região e quais os desafios que vêm sendo impostos para o seu avanço enquanto alternativa de um novo modelo de desenvolvimento que nega o agronegócio. Entre os principais elementos a serem trabalhados a respeito do avanço da RAP na região está a produção de Sistemas Agroflorestais (SAFs). Por fim, trazemos elementos contemporâneos a respeito da continuidade da resistência camponesa dentro do contexto do golpe jurídico-midiático-parlamentar e as respostas aos desafios colocados por este para a continuidade da construção da RAP, identificando assim que esta não apenas é necessária como vem avançando rumo a construção de um outro modelo de desenvolvimento para o campo. Além da revisão bibliográfica foram realizadas entrevistas com camponeses dos assentamento Nova Esperança, Olga Benário e lideranças do MST na região.
The present work seeks to understand the process of peasant resistance to the presence and methods used by agribusiness through the Pulp and Paper Complex (CCP) in the Paraíba Paulista Valley (VPP), evidencing the territorial conflict between the peasantry and agribusiness in the region. In order to achieve the proposed objective, we present as a starting point the debate about the dispute of different models of development for the field, generators of conflicts throughout history. These are materialized by agribusiness, a hegemonic model linked to the capitalist mode of production, and peasant(s) agriculture(s), an alternative modeland of resistance to agribusiness, in which the Landless Rural Workers Movement (MST) emerges with one of the main representatives. Following, we focus on the constitution and specificities of these two models of development for the countryside in the VPP region, in which the CCP is the main exponent of agribusiness and the struggle for land of the MST, the main peasant resistance. Here, a more accurate look is dedicated to the settlements of agrarian reform Nova Esperança, in the municipality of São José dos Campos, and Olga Benário, in the municipality of Tremembé. In the sequence, we return to the current peasant resistance carried out by the MST in the region of the VPP, materialized in the formulation of the Program of Popular Agrarian Reform (RAP). We seek to identify what actions are associated with this formulation in the region and what challenges have been imposed for its progress as an alternative to a new development model that denies agribusiness. Among the main elements to be worked on the progress of RAP in the region is the production of Agroforestry Systems (SAFs). Finally, we bring contemporary elements on the continuity of peasant resistance within the context of the legal-media-parliamentary coup and the answers to the challenges posed by it for the continuity of the construction of the RAP, thus identifying that this is not only necessary but also has been advancing towards the construction of another development model for the field. In addition to the bibliographic review, interviews were carried out with peasants from the settlements of Nova Esperança, Olga Benário and MST leaders in the region.
El presente trabajo busca comprender el proceso de resistencia campesina a la presencia ymétodos utilizados por el agronegocio a través del Complejo Celulosa y Papel (CCP) en el Valle del Paraíba Paulista (VPP), evidenciando el conflicto territorial entre campesinado y agronegocios en la región. Para lograr el objetivo propuesto, presentamos como punto departida el debate sobre la disputa de diferentes modelos de desarrollo para el campo, generadores de conflictos a lo largo de la historia. Estos se materializan en el agronegocio, modelo hegemónico vinculado al modo de producción capitalista, y la (s) agricultura(s) campesina(s), modelo alternativo y de resistencia al agronegocio, en el que el Movimiento deTrabajadores Rurales Sin Tierra (MST) emerge con uno de los principales representantes. A continuación, nos centramos en la constitución y especificidades de estos dos modelos de desarrollo para el campo en la región VPP, en la que el CCP es el principal exponente del agronegocio y la lucha por tierras del MST, la principal resistencia campesina. En este sentido, se ha dedicado una mirada más precisa a los asentamientos de la reforma agraria Nova Esperança, en el municipio de São José dos Campos, y Olga Benário, en el municipio de Tremembé. En la secuencia regresamos a la actual resistencia campesina llevada a cabo por el MST en la región del VPP, materializada en la formulación del Programa de Reforma Agraria Popular (RAP). Buscamos identificar qué acciones están asociadas a esta formulación en la región y qué desafíos se han impuesto para su progreso como alternativa a un nuevo modelo de desarrollo que niega el agronegocio. Entre los principales elementos a ser trabajados en el avance de RAP en la región está la producción de Sistemas Agroforestales (SAFs). Por último, aportamos elementos contemporáneos sobre la continuidad de la resistencia campesina en el contexto del golpe jurídico-mediático-parlamentario y las respuestas a los retos que plantea para la continuidad de la construcción del RAP, identificando así que esto no solo es necesario pero también ha avanzado hacia la construcción de otro modelo de desarrollo para el campo. Además de la revisión bibliográfica, se realizaron entrevistas con campesinos de los asentamientos de Nova Esperança, Olga Benário y líderes del MST en la región.

Descrição

Palavras-chave

Agricultura Camponesa, Agronegócio, Luta pela terra, Complexo Celulose Papel, Eucalipto, Resistência Camponesa, Reforma Agrária Popular, Vale do Paraíba Paulista

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