Aspectos clínico-laboratoriais e sonográficos no diagnóstico complementar de lesões fibróticas em parênquima mamário de fêmeas ovinas

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Data

2021-03-15

Autores

Bonacin, Yuri da Silva [UNESP]

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

O presente estudo avaliou 27 fêmeas ovinas e suas glândulas mamárias, no 60º dia de lactação. Os objetivos foram a detecção de alterações nas concentrações das proteínas do soro lácteo, contagem de células somáticas frente à mastite crônica e subclínica de ocorrência natural, bem como o possível uso da elastografia por impulso de força de radiação acústica (ARFI) como diagnóstico de mastite em glândulas com parênquima fibrosado. Os grupos experimentais foram divididos de acordo com a CCS em: GC com CCS < 500.000 cls/ml sem fibrose em parênquima; Baixa contagem de células somáticas (CB) com CCS < 500.000 cls/ml e presença de fibrose na glândula; CA com CCS > 500.000 cls/ml e presença de fibrose. Para a análise das proteínas e CCS, foram utilizadas 48 amostras de soro lácteo. A CCS obtida nos três grupos apresentou valores médios de 136,63 x 103 ± 98,09 cls/ml, 122,06 x 103 ± 94,83 cel/ml e 3.979,55 x 103 ± 2943,81 cls/ml. Através do método SDS-PAGE, foi possível identificar seis proteínas: Lactoferrina, Albumina Sérica, IgG Pesada, IgG Leve, β-lactoglobulina e α-lactoalbumina. Através da comparação entre grupos, notou-se aumento da Lactoferrina entre GC e CA, aumento da albumina sérica entre CB e CA e aumento da IgG de cadeia pesada entre GC e CA, bem como entre CB e CA. Acredita-se que o valor limite de CCS em 500.000 cls/ml seja seguro para a detecção de mastites subclínicas. O aumento da albumina sérica e IgG de cadeia pesada em animais que possuem lesões no parênquima e CCS alta, quando comparados aos demais grupos pode indicar a presença de mastite. Não houve diferenças na composição proteica avaliada que diferenciasse glândulas sadias de fibrosas, dentro da mesma faixa de CCS. Cabe ressaltar que há a necessidade de estudos avaliando outros componentes lácteos, bem como compará-los ao grau de fibrose da glândula. O parênquima mamário e linfonodos também foram submetidos à ultrassonografia em modo-B, com posterior elastografia ARFI, obtendo-se variáveis qualitativas (ecogenicidade e ecotextura) e quantitativas (velocidade de cisalhamento, profundidade e proporção eixo curto/longo) de 52 glândulas mamárias. Através da elastografia ARFI em áreas sadias da glândula nos grupos, foi possível observar aumento da velocidade de cisalhamento (p<0,05) no grupo CB quando comparado ao grupo GC, o que ocorreu também quando comparados CB e CA. Quando comparadas as áreas de fibrose nos grupos CB e CA, com suas respectivas áreas normais, a velocidade aumentou nos dois grupos: CB (p<0,05; t= 4,07) e CA (p<0,05; t= 6,92). Ao comparar as áreas de fibrose em CB e CA com o parênquima de GC, houve aumento em CB (p<0,05; t=4,95) e CA (p<0,05; t=5,49). Ao avaliar o linfonodo supramamário de cada glândula, a velocidade de cisalhamento aumentou quando comparados os grupos GC e CA (p<0,05, T=2,11), apresentando-se maior no último. Os resultados da ultrassonografia em modo-B apontam predomínio da ecogenicidade hipoecóica nos linfonodos, bem como redução da proporção do eixo curto/longo em casos de mastite subclínica ativa. A eslatografia ARFI pode indicar pontos de corte para que haja diferenciação de um processo de mastite ativa de mastites que já se curaram, seu uso é excelente ferramenta para diferenciação das áreas normais de áreas fibrosadas em parênquima. A avaliação nos linfonodos supramamários, com altas velocidades de cisalhamento, podem indicar mastites, porém o comportamento no parênquima mamário é diferente, produzindo maiores valores em mastites já crônicas, necessitando de estudo com mais animais e mastites induzidas artificialmente, para padronização de valores de corte.
The present study evaluated 27 ewes and their mammary glands, on the 60th lactation day. The aims were the detection in whey proteins, somatic cell count against chronic and subclinical mastitis, as well as the possible use of ARFI elastography as a diagnosis tool of mastitis in glands with fibrous parenchyma. The experimental groups were divided according to the SCC into: GC with SCC<500,000 cls/ml without parenchyma fibrosis; CB with SCC <500, cls/ml and presence of fibrosis; CA with CCS> 500,000 cls/ml and fibrosis. For proteins and SCC, 48 samples of milk serum were used. The SCC obtained in the three groups showed mean values of 136.63 x 103 ± 98.09 cell / ml, 122.06 x 103 ± 94.83 cell / ml and 3,979.55 x 103 ± 2943.81 cls/ml. Through the SDS-PAGE method, it was possible to identify six proteins: Lactoferrin, Serum Albumin, Heavy IgG, Light IgG, β-lactoglobulin, and αlactoalbumin. According to the group's analysis, there was an increase in lactoferrin between GC and CA, an increase in serum albumin between CB and CA, and an increase in heavy IgG between GC and CA, as well as between CB and CA. The CCS high limit value of 500,000 cls/ml is believed to be safe for the detection of subclinical mastitis. The increase in serum albumin and heavy IgG in animals with lesions in the parenchyma and high CCS, when compared to the other groups, may indicate the presence of active mastitis. There were no differences in the protein composition evaluated that differentiated healthy and fibrous glands, using the same CCS range. Major studies evaluating other whey components, as well as comparing them to the degree of gland fibrosis are needed. The mammary parenchyma and supramammary lymph node were also submitted to B-mode ultrasonography, with subsequent ARFI elastography, obtaining qualitative (echogenicity and echotexture) and quantitative (shear speed, depth and short/long axis ratio) variables from 52 mammary glands. Through ARFI elastography in healthy areas of the gland in the groups, it was possible to observe an increase in shear velocity (p <0.05) in CB group when compared to the GC group, which also occurred when comparing CB and CA. When comparing the fibrous areas in the CB and CA groups, with their respective normal areas, the speed increased in the two groups: CB (p <0.05; t = 4.07) and CA (p <0.05; t = 6.92). When comparing the areas of fibrosis in CB and CA with the parenchyma of GC, there was an increase in CB (p <0.05; t = 4.95) and CA (p <0.05; t = 5.49). When assessing the supramammary lymph node of each gland, the shear velocity increased when the groups GC and CA were compared (p <0.05, T = 2.11), being higher in the last one. The results of B-mode ultrasonography indicate a predominance of hypoechoic echogenicity in nodes, as well as a reduction in the proportion of the short/long axis in cases of active subclinical mastitis. ARFI elastography can indicate cut off points for differentiating an active mastitis process from mastitis that has already healed, its use is an excellent tool for differentiating normal areas from fibrous areas in the parenchyma. The evaluation in the supramammary lymph nodes, with high shear speeds, may indicate active mastitis, but the behavior in the mammary parenchyma is different, producing higher values in already chronic mastitis, Further studies are needed using more animals and artificially induced mastitis, for standardization cut off values.

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Palavras-chave

Fibrose, Leite, Modo-B, Proteinograma, Proteoma, Ultrassom, Fibrosis, Milk, Proteinogram, Ultrassound

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