Dando corpo à voz: educação somática na construção de uma proposta de preparação vocal pela experiência do corpo no âmbito do canto coral

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data

2021-03-26

Autores

Sousa, Simone Santos

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Esta pesquisa tem como ideia central o entendimento do corpo por inteiro como lugar e o agente de formação da cantora e do cantor coralista. Parte da problemática do trabalho de preparação vocal/corporal da cantora e do cantor, a partir das seguintes questões de pesquisa: a) vivenciar corpo/movimento/voz de maneira integrada favorece a aprendizagem do canto? De que maneira? b) que procedimentos metodológicos poderiam ser abordados no trabalho corporal da cantora e do cantor coralista durante sua preparação vocal? Na tentativa de responder a estas questões escolhi o caminho da Educação Somática, que é ao mesmo tempo campo teórico de conhecimento e conjunto de práticas que consideram o corpo do indivíduo uma unidade psicofísica, sem as tradicionais fragmentações a ele impostas. O objetivo desta pesquisa é compreender de que maneira os fundamentos teóricos e práticos da Educação Somática poderiam ajudar a construir uma proposta de preparação vocal em contextos corais fundamentada na ideia de corpo em sua integralidade; “preparação vocal” aqui entendida não apenas como aquecimento ou técnica vocal, mas também como momento de aprendizagem, espaço de formação da cantora e do cantor coralista e lugar de experiências e explorações do ato de cantar; e “corpo por inteiro” significando que o corpo deve ser visto como uma unidade psicofísica que inclui a voz que o expressa. Assim, o trabalho vocal deve ser pensado a partir e através do corpo. O processo investigativo foi guiado pela ideia de cognição como experiência corporificada apresentada pela abordagem atuacionista conforme proposta por Francisco Varela, Evan Thompson e Eleanor Rosch. Configura-se como pesquisa qualitativa de natureza experiencial e descritiva que se aproxima do método cartográfico no que diz respeito à processualidade. O campo empírico do estudo constituiu-se por duas oficinas conduzidas por mim e realizadas no ano de 2018 na cidade de São Paulo. Para as oficinas foi elaborado um plano de ação e criados roteiros dos encontros, construídos com base nos princípios e procedimentos de cinco práticas somáticas: a Antiginástica, o Método Bertazzo, o Método GDS de Cadeias Musculares e Articulares, a Coordenação Motora de Piret e Béziers e a Técnica de Alexander. As oficinas ocorreram em contextos diferentes e foram compostas por grupos diferenciados de cantoras e cantores, com regularidade semanal e ao longo de três meses cada uma. O experienciado e observado durante as oficinas foi registrado em diários de campo; as impressões dos participantes estão documentadas em transcrições de grupo focal e entrevistas individuais. Ao longo do período de campo, foram feitos registros em fotografia, áudio e vídeo. O detalhamento, análise e discussão dos dados produzidos apontam para algumas considerações: 1) uma proposta de preparação vocal fundamentada na somática deve ser construída como um caminho fluido em direção à verticalidade do corpo e ao encontro com o outro e com o grupo; 2) este caminho passa repetidamente, numa organização cíclica, por quatro temas dedicados a aspectos técnico-vocais (postura, respiração, vocalização e repertório) e segue numa experiência contínua de posições e interações (deitados, sentados, em pé; individual, duplas, em grupo); 3) o tempo necessário para percorrer este caminho depende do processo que cada grupo experiencia; 4) tanto os participantes como quem conduz a proposta atravessam um caminho que se assemelha a uma espiral (presente também nos ciclos que constituem a proposta) na qual é possível retornar às experiências de maneira diferente; 5) para conduzir a proposta, uma pessoa deve necessariamente já ter passado pela experiência somática, e compreender que não se trata do que se sugere no processo, e sim do como se sugere o processo; 6) o caminho percorrido envolve escolhas e descobertas, não controle.
This research has the main idea that the whole body is the place and the agent of learning for the choral singer. From the problematic of the vocal / body preparation work of the singer, the following research questions were elaborated: a) does experiencing body / movement / voice in an integrated manner favor the learning of singing? In what way? b) what methodological procedures could be addressed in the bodywork of choral singers during their vocal preparation? In an attempt to answer these questions, I chose Somatic Education, which is both a theoretical field of knowledge and a set of practices that consider the human's body as a psychophysical unit, without the traditional fragmentations imposed on it. The aim of the research is to understand how the theoretical and practical foundations of Somatic Education could help to build a proposal for vocal preparation in choral contexts based on the idea of the “whole body”; “Vocal preparation” here means not only warm-up or vocal technique, but also a moment of learning, a place for the formation of the choral singer and for experiences and explorations of the act of singing; and “whole body” means that the body must be seen as a psychophysical unit that includes the voice that expresses it. Thus, vocal work must be thought of from and through the body. The investigative process was guided by the idea of cognition as an embodied experience presented by the enactive approach as proposed by Francisco Varela, Evan Thompson and Eleanor Rosch. It is configured in qualitative research of an experiential and descriptive nature that approaches the cartographic method with regard to procedurality. The empirical field of study consisted of two workshops conducted by me in 2018 in the city of São Paulo. For the workshops, an action plan was elaborated and meeting scripts were created, based on the principles and procedures of five somatic practices: Antigym, the Bertazzo Method, the GDS Method of Muscle-Joint Chains, the Motor Coordination by Piret and Béziers and the Alexander Technique. The workshops took place in different contexts and had different groups of singers, with weekly regularity and over three months each. What was experienced and observed during the workshops was recorded in field notes; the participants’ impressions are documented in focus group transcripts and individual interviews. Throughout the field work, photography, audio and video were recorded. The details, analysis and discussion of the data produced point to some considerations: 1) a vocal preparation work based on somatic must be constructed as a fluid path towards the verticality of the body and the encounter with the other and with the group; 2) this path passes repeatedly, in a cyclical organization, through four themes dedicated to technical-vocal aspects (posture, breathing, vocalization and repertory) and follows a continuous experience of positions and interactions (lying, sitting, standing; individual, doubles, groups); 3) the time required to travel this path depends on the process that each group experiences; 4) both the participants and the person conducting the proposal go through a path that resembles a spiral (also present in the cycles that constitute the proposal), in which it is possible to return to the experiences in a different way; 5) to guide the proposal, a person must necessarily have already gone through the somatic experience, and understand that it is not about what is suggested in the process, but how the process is suggested; 6) the path taken involves choices and discoveries, not control.
Esta investigación tiene como idea central la comprensión del cuerpo entero como lugar y agente formador del cantante coral. Parte de la problemática del trabajo de preparación vocal / corporal del cantante, a partir de las siguientes preguntas de investigación: a) ¿Experienciar cuerpo / movimiento / voz de manera integrada favorece el aprendizaje del canto? ¿De que manera? b) ¿Qué procedimientos metodológicos se podrían abordar en el trabajo corporal del cantante coral durante su preparación vocal? En un intento de dar respuesta a estas preguntas, elegí la Educación Somática, que es tanto un campo teórico de conocimiento como un conjunto de prácticas que consideran el cuerpo del individuo como una unidad psicofísica, sin las tradicionales fragmentaciones que se le imponen. El objetivo de esta investigación es comprender cómo los fundamentos teóricos y prácticos de la Educación Somática podrían ayudar a construir una propuesta de preparación vocal en contextos corales a partir de la idea del cuerpo en su totalidad; La “preparación vocal” aquí entendida no solo como calentamiento vocal o como técnica vocal, sino también como un momento de aprendizaje, un espacio para la formación del cantante coral y un lugar para vivencias y exploraciones del acto de cantar; y “cuerpo entero” significa que el cuerpo debe ser visto como una unidad psicofísica que incluye la voz que lo expresa. Por tanto, el trabajo vocal debe pensarse desde ya través del cuerpo. El proceso de investigación estuvo guiado por la idea de la cognición como una experiencia encarnada presentada por el enfoque actuacionista propuesto por Francisco Varela, Evan Thompson y Eleanor Rosch. Se configura como una investigación cualitativa de carácter vivencial y descriptivo que aborda el método cartográfico en cuanto a procedimentalidad. El campo de estudio consistió en dos talleres realizados por mí en 2018 en la ciudad de São Paulo. Para los talleres se elaboró un plan de acción y se crearon guiones para los encuentros, basados en los principios y procedimientos de cinco prácticas somáticas: Antigimnasia, Método Bertazzo, Cadenas Musculares Y Articulares (Método G.D.S.), Coordinación Motora de Piret y Béziers y la Técnica Alexander. Los talleres se desarrollaron en diferentes contextos y contaron con diferentes grupos de cantantes, con regularidad semanal y durante tres meses cada uno. Lo vivido y observado durante los talleres se registró en diarios de campo; las impresiones de los participantes se documentan en las transcripciones de los grupos focales y entrevistas individuales. Durante todo el período de campo se realizaron grabaciones de fotografía, audio y video. Los detalles, análisis y discusión de los datos producidos apuntan a algunas consideraciones: 1) una propuesta de preparación vocal basada en somática debe construirse como un camino fluido hacia la verticalidad del cuerpo y el encuentro con el otro y con el grupo; 2) este camino pasa repetidamente, en una organización cíclica, por cuatro temas dedicados a aspectos técnico-vocales (postura, respiración, vocalización y repertorio) y sigue una experiencia continua de posiciones e interacciones (acostado, sentado, de pie; individual, dobles, grupal); 3) el tiempo necesario para recorrer este camino depende del proceso que experimenta cada grupo; 4) tanto los participantes como la persona que orienta la propuesta atraviesan un camino en espiral (también presente en los ciclos que constituyen la propuesta), volviendo a las experiencias de una manera diferente; 5) para orientar la propuesta es necesario que la persona ya haya pasado por la experiencia somática, y comprenda que no se trata de lo que se sugiere en el proceso, sino de cómo se sugiere el proceso; 6) el camino tomado implica elecciones y descubrimientos, no control.

Descrição

Palavras-chave

Canto coral, Preparação vocal, Educação somática, Formação vocal, Corpo

Como citar