Pessoas com deficiência visual e a prevenção de HIV/ IST: uma interface entre saúde e sexualidade

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Data

2024-04-02

Orientador

Bortolozzi, Ana Cláudia

Coorientador

Pós-graduação

Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem - FC 33004056085P0

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

No Brasil, as epidemias do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) continuam a afetar milhares de pessoas por ano, com risco de adoecimento físico e sofrimento emocional. Neste contexto, a educação preventiva de HIV/IST tem um papel importante e todas as pessoas têm o direito de recebê-la. Pessoas com deficiência podem apresentar vulnerabilidade aumentada e necessidades específicas no acesso aos serviços de saúde e às informações preventivas. Apesar da deficiência visual ser um dos tipos mais prevalentes no Brasil, pouco se sabe sobre as vulnerabilidades de pessoas com deficiência visual ao HIV/IST e a comunicação preventiva voltada para este público ainda é escassa. Este estudo teórico-prático teve como objetivos identificar vulnerabilidades de pessoas com deficiência visual ao HIV/ IST e seus saberes em prevenção, e propor intervenções educativas adaptadas. A primeira parte do estudo consistiu em uma revisão narrativa abrangente sobre o desenvolvimento psicossocial e da sexualidade de pessoas com deficiência visual, sua saúde sexual e a prevenção de HIV/ IST nesta população. A segunda parte foi um estudo de campo com 11 participantes com cegueira ou baixa visão, de 42 a 77 anos, frequentadores de um Centro de Referência Especializado de um município do interior do estado de São Paulo. Investigamos os saberes preventivos da amostra por meio de entrevista e aplicação de um formulário. Depois, elaboramos e aplicamos um projeto com quatro intervenções voltadas às necessidades educativas do grupo. Os resultados da revisão teórica mostraram que pessoas com deficiência visual são tão ou mais vulneráveis ao HIV/IST que as demais, principalmente adolescentes e mulheres, em condições de: vulnerabilidade social; preconceitos em relação à sua sexualidade; oferta de Educação Sexual Formal escassa e/ou sem acessibilidade; barreiras atitudinais, comunicacionais e arquitetônicas nos serviços de saúde; falta de autonomia e independência; e risco de violência sexual. Em uma perspectiva interseccional, os preconceitos e as opressões sociais podem se multiplicar e intensificar, como no caso de pessoas com deficiência visual negras e idosas. Tanto na literatura como em nossa amostra foram encontradas dúvidas sobre o risco de transmissão do HIV por contato, por alimentos e vertical. E baixo uso de preservativos e de frequência da testagem diagnóstica. Enquanto a literatura apontou dificuldades no acesso às informações, nossa amostra afirmou ser possível acessá-las pela internet. Ainda em nosso estudo, encontramos muitos/as relatos de familiares e amigos com HIV/IST ou falecidos por AIDS e os conhecimentos preventivos pareceram advir dessas experiências de vida. Estratégias preventivas como a testagem rápida, o tratamento como prevenção e as profilaxias com antirretrovirais eram quase desconhecidas. No projeto educativo, houve interesse do grupo nas atividades e pudemos esclarecer dúvidas, informar sobre novas tecnologias preventivas e refletir sobre preconceitos, direitos sexuais e à saúde. Enfrentamos alguns desafios como baixa frequência de alguns/as participantes e a necessidade de restringir conteúdos mediante o tempo disponível. Concluímos que as vulnerabilidades de pessoas com deficiência visual ao HIV/ IST estão atreladas principalmente aos aspectos socioeconômicos, ao capacitismo, e à falta de acessibilidade nos serviços de saúde e na comunicação preventiva. Intervenções de educação preventiva devem ocorrer preferencialmente dentro de Programas mais amplos de Educação sexual formal, com o planejamento didático e do tempo das atividades de acordo com os interesses, as necessidades e o perfil do grupo. A provisão ou facilitação do transporte e na organização do espaço são outros pontos importantes.

Resumo (inglês)

The Human Immunodeficiency Virus (HIV) and Sexually Transmitted Infections (STI) epidemics continue to affect thousands of Brazilians per year, with the risk of physical illness and emotional suffering. Therefore, HIV/STI preventive education plays an important role and everyone has the right to receive it. People with disabilities may present increased vulnerability and specific needs when accessing health services and preventive information. Although visual disability is one of the most prevalent types of disability in Brazil, their vulnerability to HIV/STI is almost unrecognized, and preventive communication for them is still scarce. This theoretical–practical study identified the vulnerability of people with visual disabilities to HIV/STI and their knowledge on prevention and proposed adapted educational interventions. The first part of the study consisted of a comprehensive narrative review of the psychosocial and sexual development of people with visual disabilities as well as their sexual health and prevention. The second part was a field study with 11 participants with blindness or low vision, aged 42–77 years, attending a Specialized Reference Center of a city in São Paulo state. We investigated the knowledge of the sample through interviews and the application of a form. We then developed and implemented a project with four interventions specific to this group’s educational needs. The review results revealed that people with visual disabilities are so or more vulnerable to HIV/STI than others, especially adolescents and women, in the following conditions: social vulnerability; prejudices regarding their sexuality; scarce and/or inaccessible provision of Formal Sexual Education; attitudinal, communicational, and architectural barriers in health services; lack of autonomy and independence; and risk of sexual violence. From an intersectional perspective, prejudices and social oppression can multiply and intensify, as seen in the cases of blacks and the elderly with visual disabilities. Both in the literature and in our sample, there were doubts about the risk of HIV transmission through contact, through food, and vertically. We found low use of condoms and low frequency of diagnostic testing. We found in the literature reports of difficulties in accessing information, and our sample stated that they could do so using the Internet. Our sample has reported many family members and friends with HIV/STI or who died of AIDS, and knowledge about diseases and prevention seemed to come from these life experiences. Preventive strategies, such as rapid testing, treatment as prevention, and antiretroviral prophylaxis, are almost unknown. The group demonstrated interest in the activities of the educational project, and we were able to clarify doubts, inform about new preventive technologies, and reflect on prejudices and sexual and health rights. We faced challenges such as the low frequency of some participants and the need to restrict content according to available time. We conclude that the vulnerability of people with visual disabilities to HIV/STI is mainly linked to socioeconomic factors, ableism, and lack of access to health services and preventive communication. Preventive education interventions should preferably occur within broader formal sexual education programs, with didactic planning and the timing of activities according to the group’s interests, needs, and profile. Provision of transport and organization of space are also important measures.

Descrição

Idioma

Português

Como citar

NAVEGA, Débora de Aro. Pessoas com deficiência visual e a prevenção de HIV/ IST: uma interface entre saúde e sexualidade. 2024. 220 f. Tese (Doutorado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2024.

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