Silêncio: a privatização do sofrimento

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Data

2019-03-28

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

A reestruturação que o ensino superior privado vem experimentado nos últimos anos impactou nas instituições criadas pós 1968 e 1996. Os paradigmas da gestão flexível foram introduzidos no mercado educacional “graças” a entrada do capital especulativo, representado pelos grandes conglomerados do setor. As instituições “locais” e as fundações, tiveram que promover uma reengenharia nas instituições para concorrer nesse mercado. Essas mudanças afetaram sobre maneira o trabalho do docente, que viu seus ganhos minorados, e suas condições de trabalhos precarizadas, além é claro de conviverem com o medo constante da demissão, fruto da instabilidade do negócio da educação. O adoecimento, que seria resultado esperado do aviltamento das condições de trabalho, no entanto, não são expressos no número de absenteísmo no setor. Isso em razão da privatização do sofrimento, etos requerido do docente pelo ramo da educação privada. Essa privatização do sofrimento é a forma de permanecer em atividade num setor que valoriza o discurso gerencialista da proatividade e resiliência. A privatização do sofrimento é expressa através do silenciamento dos docentes, que mesmo em face de precarização e rebaixamento do trabalho e das condições de vida, se resignam as condições laborativas apresentadas.
The restructuring that private higher education has undergone in recent years has impacted the institutions created after 1968 and 1996. The paradigms of flexible management were introduced into the educational market "thanks" to the entry of speculative capital, represented by the great conglomerates of the sector. The "local" institutions and the foundations had to promote a re-engineering in the institutions to compete in that market. These changes affected in a way the work of the teacher, who saw his gains reduced, and his conditions of precarious work, besides of course of living with the constant fear of dismissal, fruit of the instability of the education business. Illness, which would be expected from the degradation of working conditions, however, are not expressed in the number of absenteeism in the sector. This is due to the privatization of the suffering, required by the teacher in private education. This privatization of suffering is the way to remain active in a sector that values the managerialist discourse of proactivity and resilience. The privatization of suffering is expressed through the silencing of teachers, who, even in the face of precariousness and relegation of work and living conditions, resign themselves to the working conditions presented.

Descrição

Palavras-chave

Docente, Trabalho, Privatização, Silêncio, Precarização, Teacher, Work, Privatization, Silence, Precarization

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