A escola como lugar de desenvolvimento profissional docente: dos desafios às possibilidades.

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Data

2021-06-16

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Esta pesquisa se fundamenta na profissionalização do ensino e da docência, movimento que contribuiu para que a escola passasse a ser concebida como lugar de formação e produção de saberes docentes. Estudos têm apontado para isso há cerca de quatro décadas, mas, na prática, ainda se verificam muitos entraves para que a escola desempenhe tal função, como: legislações que ainda não asseguram esse lugar, excesso de atividades burocráticas, falta de compreensão dos gestores em relação a essa função etc. Assim, questiona-se: Como possibilitar a construção da escola como lugar de desenvolvimento profissional docente (DPD)? Por isso, objetivamos investigar os processos de construção da escola como lugar de DPD, tendo por base os princípios da profissionalização da docência. Especificamente, buscamos: (a) documentar e analisar processos e ferramentas que podem colaborar com tal construção; (b) apontar os desafios encontrados na construção da escola como lugar de DPD; (c) apresentar as transformações introduzidas nos novos processos formativos com relação às práticas docentes e à escola; (d) identificar dispositivos, dinâmicas e outros aspectos que favoreçam o fortalecimento do trabalho coletivo e da autonomia profissional; (e) analisar as contribuições de processos de DPD aos professores, aos alunos e à escola. Realizou-se pesquisa qualitativa, de caráter construtivo-colaborativo, tendo como técnicas de coleta de dados: questionário; observação; observação participante; grupo focal e análise documental. Os dados passaram por análise de conteúdo. Para análise dos registros de observação, também se considerou a microanálise etnográfica de interação. O estudo envolveu três escolas, quatro diretoras, sete vice-diretoras, cinco professores coordenadores, um técnico-agrícola, 45 professores em participação ativa e 47 professores em participação periférica ou forasteira. Os resultados destacam a importância de a gestão escolar ser vista como profissionais da educação, não da administração, pois precisam ter consciência de seu papel e organizar práticas intencionais em direção a um acompanhamento socioprofissional dos professores, articulando o projeto de escola ao projeto formativo, com o intuito de contemplar o desenvolvimento organizacional, pessoal e profissional. Nas escolas que conseguiam articular essas três dimensões, identificamos o surgimento de novas disposições, verificamos a cultura da escola em movimento. Esse processo é potencializado quando o grupo se constitui como uma comunidade profissional, o que corrobora o sentimento de pertença ao contexto e relações formativas mais horizontais. Nas sequências formativas, destacamos as capazes de propiciar percursos formativos, isto é, que reservaram tempo e ações planejadas para que os professores estabelecessem articulações entre diferentes elementos: saberes e práticas locais; trajetória de vida e atuação profissional etc. Essas articulações aconteceram a partir de reflexões, favorecidas por dispositivos de acompanhamento socioprofissional dos alunos e das práticas; por estudos sobre a docência; por diferentes formas de se acessar as práticas locais; pela diferenciação entre práticas e práticas locais; entre a socialização de atividades e a reflexão sobre elas etc. Lógicas formativas pautadas na sala de aula e no aplicacionismo foram identificadas, indicando a necessidade de superá-las. Assim, a pesquisa salientou espaços que favoreceram o DPD dentro da escola, mas verificou que ela ainda não ocupa este lugar do ponto de vista político, pois saberes e práticas nela produzidos tendem a ficar silenciados, às margens da lógica administrativa-legal. Para concluir, este trabalho nos convida a pensar novos caminhos para o processo de profissionalização, que aqui denominamos de profissionalização educativa, a qual deve estar ancorada na cultura profissional, no compromisso com a educação, na autonomia como conquista política e social e em respostas multidisciplinares aos desafios que emergem na escola. Os conceitos de acompanhamento socioprofissional, percursos formativos e comunidades profissionais emergiram como preponderantes para que a escola possa organizar espaços de DPD.
This research is based on the professionalization of teaching, a movement that contributed to the school being conceived as a place for training and production of teaching knowledge. The studies have pointed to this for about four decades, but, in practice, there are still many obstacles for the school to perform this function, such as: legislation that does not guarantee this place, excessive bureaucratic activities, lack of understanding of managers in relation to this function, etc. Thus, the question is: How to enable the construction of the school as a place of professional teacher development (PTD)? Therefore, we aim to investigate the processes of construction of the school as a place of PTD, based on the principles of professionalization of teaching. Specifically, we seek to: (a) document and analyze processes and tools that can collaborate with such construction; (b) point out the challenges found in the construction of the school as a place of PTD; (c) present the changes introduced in the new training processes in relation to teaching practices and the school; (d) identify devices, dynamics and other aspects that favor the strengthening of collective work and professional autonomy; (e) analyze the contributions of PTD processes to teachers, students and the school. A qualitative, constructive-collaborative research was carried out, using the following data collection techniques: questionnaire; observation; participant observation; focus group and document analysis. The data underwent content analysis. For the analysis of observation records, the ethnographic interaction microanalysis was also considered. The study involved three schools, four principals, seven vice principals, five coordinating teachers, one agricultural technician, 45 teachers in active participation and 47 teachers in peripheral or outside participation. The results highlight the importance of school management being seen as education professionals, not administration, as they need to be aware of their role and organize intentional practices towards a socio-professional monitoring of teachers, articulating the school project to the training project, with the aim of contemplating organizational, personal and professional development. In schools that managed to articulate these three dimensions, we identified the emergence of new dispositions, we verified the culture of the school in motion. This process is enhanced when the group is constituted as a professional community, which corroborates the feeling of belonging to the context and more horizontal training relationships. In the training sequences, we highlight those capable of providing training paths, that is, which reserved time and planned actions for teachers to establish links between different elements: local knowledge and practices; life trajectory and professional performance etc. These articulations took place from reflections, favored by devices of socio-professional monitoring of students and practices; by studies about the teaching; by different ways of accessing local practices; by the differentiation between local practices and practices; between the socialization of activities and reflection on them, etc. Formative logics based on the classroom and on the applicationism were identified, indicating the need to overcome them. Thus, the research highlighted spaces that favored DPD within the school, but found that it still does not occupy this place from a political point of view, as knowledge and practices produced in it tend to be silenced, on the margins of administrative-legal logic. In conclusion, this work invites us to think about new routes for the professionalization process, which we call here educational professionalization, which must be anchored in professional culture, in the commitment to education, in autonomy as a political and social achievement and in multidisciplinary responses to the challenges that emerge at school. The concepts of socio-professional monitoring, training route and professional communities emerged as preponderant for the school to organize DPD spaces.
Esta investigación se basa en la profesionalización de la docencia, movimiento que contribuyó a que la escuela se concibiera como un lugar de formación y producción de conocimientos docentes. Los estudios han apuntado a esto desde hace unas cuatro décadas, pero, en la práctica, aún existen muchos obstáculos para que la escuela realice esta función, tales como: legislación que no garantiza este lugar, exceso de actividades burocráticas, falta de comprensión de los gerentes en relación a esta función, etc. Entonces, la pregunta es: ¿Cómo posibilitar la construcción de la escuela como lugar de desarrollo profesional docente (DPD)? Por tanto, nuestro objetivo es investigar los procesos de construcción de la escuela como lugar de DPD, partiendo de los principios de profesionalización de la docencia. En concreto, buscamos: (a) documentar y analizar procesos y herramientas que puedan colaborar con dicha construcción; (b) señalar los desafíos encontrados en la construcción de la escuela como lugar de DPD; (c) presentar los cambios introducidos en los nuevos procesos de formación en relación a las prácticas docentes y la escuela; (d) identificar dispositivos, dinámicas y otros aspectos que favorezcan el fortalecimiento del trabajo colectivo y la autonomía profesional; (e) analizar las contribuciones de los procesos del DPD a los profesores, los alumnos y el colegio. Se realizó una investigación cualitativa, constructiva-colaborativa, utilizando las siguientes técnicas de recolección de datos: cuestionario; nota; observación participante; focus group y análisis documental. Los datos se sometieron a análisis de contenido. Para el análisis de los registros de observación también se consideró el microanálisis de interacción etnográfica. El estudio involucró a tres escuelas, cuatro directores, siete subdirectores, cinco maestros coordinadores, un técnico agrícola, 45 maestros en participación activa y 47 maestros en participación periférica o externa. Los resultados resaltan la importancia de que la gestión escolar sea vista como profesionales de la educación, no de la administración, pues necesitan ser conscientes de su rol y organizar prácticas intencionales hacia un seguimiento socioprofesional del docente, articulando el proyecto escolar al proyecto formativo, con el objetivo de contemplar el desarrollo organizacional, personal y profesional. En las escuelas que lograron articular estas tres dimensiones, identificamos el surgimiento de nuevas disposiciones, verificamos la cultura de la escuela en movimiento. Este proceso se potencia cuando el grupo se constituye como una comunidad profesional, lo que corrobora el sentimiento de pertenencia al contexto y relaciones formativas más horizontales. En las secuencias formativas, destacamos aquellas capaces de brindar itinerarios formativos, es decir, que reservaban tiempo y acciones planificadas para que los docentes establecieran vínculos entre diferentes elementos: saberes y prácticas locales; trayectoria de vida y desempeño profesional, etc. Estas articulaciones se dieron a partir de reflexiones, favorecidas mediante el seguimiento socioprofesional de estudiantes y prácticas; mediante estudios de docencia; por diferentes formas de acceder a las prácticas locales; por la diferenciación entre prácticas y prácticas locales; entre la socialización de las actividades y la reflexión sobre ellas, etc. Se identificaron lógicas formativas basadas en el aula y el aplicacionismo, lo que indica la necesidad de superarlas. Así, la investigación destacó espacios que favorecieron al DPD dentro de la escuela, pero encontró que todavía no ocupa este lugar desde el punto de vista político, ya que los conocimientos y prácticas producidos en él tienden a ser silenciados, al margen de la lógica administrativo-legal. En conclusión, este trabajo nos invita a pensar en nuevos caminos para el proceso de profesionalización, que aquí llamamos profesionalización educativa, que debe estar anclado en la cultura profesional, en el compromiso con la educación, en la autonomía como logro político y social y en respuestas multidisciplinares a los desafíos que surgen en la escuela. Los conceptos de seguimiento socioprofesional, itinerarios formativos y comunidades profesionales emergieron como preponderantes para que el colegio organizara los espacios del DPD. Keywords: desarrollo profesional docente; profesionalización educativa; comunidad profesional; itinerarios formativos; dispositivos de seguimiento socioprofesional.

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Palavras-chave

Desenvolvimento profissional docente, Profissionalização educativa, Comunidade profissional, Percursos formativos, Dispositivos de acompanhamento socioprofissional, Teacher professional development, Educational professionalization, Professional community, Training routes, Socio-professional monitoring devices

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