Do discurso científico sobre o indígena ao discurso indígena na ciência: decorrências críticas na construção de um paradigma indígena de pesquisa

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Data

2020-09-16

Autores

Nascimento, Priscila da Silva [UNESP]

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Nesta tese objetivei compreender questões epistêmicas e metodológicas que atravessam a produção teórica de intelectuais indígenas que procuram conjugar a multiplicidade de saberes dos povos indígenas com conhecimentos reconhecidos hegemonicamente como científicos. A pesquisa se concentrou na análise de uma variedade de materiais bibliográficos disponíveis, e ainda pouco conhecidos, produzidos por indígenas e de outros que compõe a vasta tradição teórica que conforma o pensamento científico moderno-ocidental em um recorte que privilegia o campo das Ciências Sociais. As reflexões desenvolvidas aqui se estruturam em três momentos principais. No primeiro deles contextualizo o debate teórico acerca do lugar reservado aos povos indígenas nas produções científicas anteriores e posteriores à década de 1960 e identifico as transformações teóricas e sociopolíticas que possibilitaram reconhecimento, ainda incipiente, das agências e protagonismos dos povos indígenas no campo da produção intelectual. Em um segundo momento procuro mapear e destacar alguns elementos relacionados a emergência de intelectuais autodefinidos como indígenas como as particularidades do processo educativo comunitário, a importância dos movimentos indígenas na luta por direitos educacionais, as conflitualidades presentes nos modelos de educação indígena de caráter estatal e as iniciativas e experiências indígenas em torno da autonomia e autodeterminação educacional. Por fim, procuro refletir sobre as especificidades de uma perspectiva indígena sobre a produção de conhecimentos científicos e destacar uma série de elementos epistêmicos e metodológicos que, na perspectiva de diferentes intelectuais indígenas, permitem afirmar a existência de um paradigma indígena de pesquisa.
In this thesis I objected to understanding epistemic and methodological issues that cross the theoretical production of indigenous intellectuals who seek to combine the multiplicity of knowledge of indigenous peoples with knowledge hegemonically recognized as scientific. The research focused on the analysis of a variety of bibliographic materials available, and still little known, produced by indigenous peoples and others that compose the vast theoretical tradition that conforms modernWestern scientific thought into a cut that privileges the field of Social Sciences. The reflections developed here are structured in three main moments. In the first of these, I contextualize the theoretical debate about the place reserved for indigenous peoples in scientific productions before and after the 1960s and identify the theoretical and sociopolitical transformations that allowed recognition, still incipient, of the agencies and protagonisms of indigenous peoples in the field of intellectual production. In a second moment I try to map and highlight some elements related to the emergence of self-defined intellectuals as indigenous as the particularities of the community educational process, the importance of indigenous movements in the struggle for educational rights, the conflicts present in indigenous education models of state character and indigenous initiatives and experiences around educational autonomy and self-determination. Finally, I try to reflect on the specificities of an indigenous perspective on the production of scientific knowledge and to highlight a series of epistemic and methodological elements that, from the perspective of different indigenous intellectuals, allow us to affirm the existence of an indigenous paradigm of research.

Descrição

Palavras-chave

Ciência, Intelectualidade indígena, Educação, Colonialismo

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