Ansiedade, depressão, estresse e coping religioso em profissionais de enfermagem durante a pandemia do coronavírus.

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Data

2023-12-06

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Introdução: a pandemia do novo coronavírus trouxe inúmeros aspectos contribuintes para um ambiente insalubre e propenso ao desenvolvimento de distúrbios mentais, tais como a ansiedade, a depressão e o estresse, principalmente entre os profissionais de enfermagem atuantes no enfrentamento da COVID-19. Compreender a dimensão deste fenômeno e detectar os níveis de estresse, ansiedade e depressão nos trabalhadores de saúde representa estratégia fundamental para o direcionamento de políticas públicas e assistenciais voltadas a essa população. Objetivo: analisar os níveis dos sintomas de ansiedade, depressão, estresse e o coping religioso em profissionais de enfermagem atuantes em UTI adulto/COVID-19, e especificamente, identificar as variáveis clínicas e sociodemográficas e comparar a associação da ansiedade, depressão e estresse com as estratégias de enfrentamento religioso e espiritual dos participantes, e em relação a outros grupos de trabalhadores em geral. Métodos: estudo exploratório, transversal, comparativo e com abordagem quantitativa realizado em dois hospitais públicos no município de Bauru e Botucatu, São Paulo, Brasil, com coleta de dados realizada no período de 09/10/2021 a 30/06/2022. Para testar as hipóteses do estudo, os participantes foram divididos em dois grupos: grupo dos profissionais da enfermagem, sendo elegíveis os enfermeiros e técnicos de enfermagem atuantes em UTI adulto / COVID-19; e grupo dos profissionais em geral, composto por participantes de áreas diversas e que também não pararam de trabalhar durante o auge da pandemia. A coleta de dados foi viabilizada mediante contato telefônico e posterior envio de formulário eletrônico, contendo um questionário de dados sociodemográficos, o Depression, Anxiety and Stress Scale - Short Form (DASS-21) e a Escala de Coping Religioso-Espiritual (Escala CRE). Os dados foram tabulados e verificados em dupla digitação, todas as variáveis foram analisadas descritivamente; as proporções entre os grupos foram comparadas pelo teste do Qui-quadrado de Pearson e os dados quantitativos e comparação das medianas dos escores de CRE-Breve e do DASS-21 pelo teste de Mann-Whitney. A correlação entre as variáveis foi explorada pelo coeficiente de correlação de Spearman e seus respectivos testes de significância e a variação dos escores CRE breve e do DASS-21 foram avaliadas frente às variáveis clínicas, demográficas e CRE por modelo linear generalizado. As análises foram realizadas no programa IBM SPSS, versão 22. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) (Parecer Consubstanciado Número 4.164.907) e seguiu as diretrizes do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE). Resultados: Participaram 213 sujeitos, sendo 106 do grupo de profissionais de enfermagem e 107 de profissionais em geral. O percentual geral de aceite foi de 79% e o tempo médio dos respondentes de 16 minutos. A amostra foi caracterizada predominantemente por profissionais mulheres, com idade média de 36 anos, casadas, com filhos, de religião não católica. Trabalharam em média 42 horas semanais nos turnos matutino e noturno, com ganhos em torno de três salários mínimos. Os profissionais de enfermagem apresentaram medianas para depressão (5,0:2,0-9,0; p=0.002), ansiedade (5,0:1,75-9,0; p=0.000) e estresse (8,0:4,0-12,25; p=0.004) superiores aos dos integrantes do grupo de profissionais em geral, bem como em relação ao escore geral do DASS-21 (p<0.000). O estresse foi o desfecho mais prevalente em ambos os grupos estudados. Aqueles que se afastaram durante a pandemia tiveram maiores escores de DASS-21 (p=0,006), ao passo que os profissionais em geral tiveram menores níveis de sintomas de ansiedade, depressão e estresse (p=0,007). No que se refere ao CRE-Breve, os participantes do sexo masculino (p=0,014) e aqueles de religião não católica (p=0,047) utilizaram menos coping religioso e espiritual. Conclusão: os níveis dos sintomas de ansiedade, depressão e estresse dos participantes foram normais, apesar de significativamente menores no grupo B. O afastamento das atividades laborais contribuiu para aumentar estes sintomas nos participantes. A utilização do CRE foi alta e prevaleceu o uso do enfrentamento positivo em ambos os grupos. No entanto, esta foi uma estratégia menos utilizada pelos participantes do sexo masculino e não praticantes da religião católica. Não foi identificada associação entre ansiedade, depressão, estresse e CRE.
Introduction: the new coronavirus pandemic has brought numerous aspects that contribute to an unhealthy environment and prone to the development of mental disorders, such as anxiety, depression and stress, especially among nursing professionals working in the face of COVID-19. Understanding the dimension of this phenomenon and detecting the levels of stress, anxiety and depression in health workers represents a fundamental strategy for directing public and assistance policies aimed at this population. Objective: to analyze the levels of anxiety, depression, stress and religious coping in nursing professionals working in an adult ICU/COVID-19, and specifically to identify clinical and sociodemographic variables and compare the association of anxiety, depression and stress with coping strategies religious and spiritual confrontation of the participants, and in relation to other groups of workers in general. Methods: exploratory, cross-sectional, comparative study with a quantitative approach carried out in two public hospitals in the city of Bauru and Botucatu, São Paulo, Brazil, with data collection carried out from 10/09/2021 to 06/30/2022. To test the study’s hypotheses, participants were divided into two groups: group of nursing professionals, with eligible nurses and nursing technicians working in adult ICUs / COVID-19; and a group of professionals in general, composed of participants from different areas and who also did not stop working during the height of the pandemic. Data collection was made possible by telephone contact and subsequent submission of an electronic form containing a sociodemographic data questionnaire, the Depression, Anxiety and Stress Scale - Short Form (DASS-21) and the Religious-Spiritual Coping Scale (Scale CRE). Data were tabulated and double-checked, all variables were analyzed descriptively; the proportions between the groups were compared using Pearson's Chi-square test and the quantitative data and comparison of the medians of the CRE-Brief and DASS-21 scores using the Mann-Whitney test. The correlation between the variables was explored using Spearman's correlation coefficient and their respective tests of significance, and the variation in brief CRE and DASS-21 scores were evaluated against clinical, demographic and CRE variables using a generalized linear model. The analyzes were performed using the IBM SPSS program, version 22. The study was approved by the Research Ethics Committee of the Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) (Consubstantiated Opinion Number 4,164,907) and followed the guidelines of Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE). Results: 213 individuals participated, 106 from the group of nursing professionals and 107 from professionals in general. The general percentage of acceptance was 79% and the average time of respondents was 16 minutes. The sample was characterized predominantly by female professionals, with an average age of 36 years, married, with children, of non-Catholic religion. They worked an average of 42 hours a week in the morning and night shifts, earning around three minimum wages. Nursing professionals had medians for depression (5.0:2.0-9.0; p=0.002), anxiety (5.0:1.75-9.0; p=0.000) and stress (8.0 :4.0-12.25; p=0.004) higher than the members of the group of professionals in general, as well as in relation to the general DASS-21 score (p<0.000). Stress was the most prevalent outcome in both studied groups. Those who left during the pandemic had higher DASS-21 scores (p=0.006), while professionals in general had lower levels of anxiety, depression, and stress symptoms (p=0.007). With regard to the CRE-Breve, male participants (p=0.014) and non-Catholics (p=0.047) used less religious and spiritual coping. Conclusion: the participants' levels of anxiety, depression and stress symptoms were normal, although significantly lower in group B. The removal from work activities contributed to increase these symptoms in the participants. The use of CRE was high and the use of positive coping prevailed in both groups. However, this was a strategy less used by male participants and non-Catholic religion practitioners. No association was identified between anxiety, depression, stress and CRE.

Descrição

Palavras-chave

Covid-19, Enfermagem, Saúde Mental, Ansiedade, Depressão, Estresse, Coping religioso

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