Consequências da restrição proteica materna sobre o comportamento parental e morfofisiologia ovariana materna

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Data

2023-12-08

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

O conceito das Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença (DOHaD) elucida que a exposição a condições adversas durante a gestação e/ou lactação podem acarretar diversas problemáticas na prole, acometendo vários órgãos e sistemas. Nesse contexto, uma das adversidades que podem acometer as mães é dietética, sendo o modelo de restrição proteica materna (RPM) um importante modelo para compreensão dos mecanismos de desnutrição e modulações na prole. Assim, estudos experimentais já demonstraram que a RPM leva a alterações no sistema nervoso central e ao desequilíbrio de hormônios sintetizados e liberados pelo eixo hipotálamo-hipófisegônadas, sendo esse essencial para a regulação pré e pós-natal por meio da secreção de hormônios esteroides. Além disso, mudanças nas vias esteroidogênicas afetam diretamente a responsividade materna ao filhote desde o início do comportamento parental, impactanto também na adaptação das glândulas mamárias e no fornecimento adequado de leite. Dessa forma, o objetivo desse trabalho é avaliar os efeitos pré e pós-natal da RPM, com enfoque nas análises neonatais, comportamento parental materno e seus impactos sobre as vias esteroidogênicas ovarianas das mães. Para isso, ratas prenhas da linhagem Sprague Dawley foram divididas em 2 grupos: CTR, alimentadas com dieta normoproteica (17% de proteína) e GLLP, alimentadas com dieta hipoproteica (6% de proteína), durante gestação e lactação (CEUA Nº5119280121). Para análises morfológicas, morfométricas e neonatais, as mães foram eutanasiadas e seus ovários coletados no dia gestacional 20 (DG20). Também foi avaliado o comportamento materno durante o período de lactação e, ao final do mesmo, foram coletados os ovários dessas mães para análises moleculares. Os resultados demonstram que não houveram diferenças entre os grupos nos parâmetros de consumo alimentar, apesar do peso das mães do grupo GLLP se mostrar significativamente diminuido tanto na gestação como na lactação. A morfometria ovariana materna no DG20 demonstrou diminuição dos folículos primordiais e aumento dos folículos primários no grupo GLLP. Em relação às análises neonatais, observamos que o grupo GLLP apresenta maiores índices de reabsorção e diminuição no peso fetal no DG20. As análises durante o período lactacional indicaram uma diminuição significativa do comportamento parental materno no grupo GLLP. Ao final deste período, observamos que a expressão gênica de enzimas precursoras da via esteroidogênica ovariana materna apresentaram-se aumentadas no grupo GLLP, predizendo que variações nas concentrações de aromatase, por exemplo, durante a lactação, poderiam justificar o fornecimento não adequado de leite à prole. Portanto, os resultados demonstram que a RPM impacta na vida pré e pós-natal materno-fetal, afetando a morfofisiologia ovariana, vias esteroidogênicas e comportamento inicial das mães, o que resulta em consequências negativas na saúde e desenvolvimento da prole.
The concept of the Developmental Origins of Health and Disease (DOHaD) elucidates that exposure to adverse conditions during pregnancy and/or lactation can lead to various problems in the offspring, affecting various organs and systems. In this context, one of the adversities that can affect mothers is diet, being the model of maternal protein restriction (RPM), an important model for understanding mechanisms of malnutrition and modulations in offspring. Thus, experimental studies have already demonstrated that RPM leads to changes in the central nervous system and imbalance of hormones synthesized and released by the hypothalamic-pituitary axis, which is essential for pre- and postnatal regulation through the secretion of steroid hormones. Furthermore, changes in steroidogenic pathways affect directly maternal responsiveness to offspring from the beginning of the behavior parental, also impacting the adaptation of the mammary glands and the supply adequate amount of milk. Therefore, the objective of this work is to evaluate the pre- and postnatal care of RPM, focusing on neonatal analysis, parental behavior maternal and its impacts on the mothers' ovarian steroidogenic pathways. For that, Pregnant Sprague Dawley rats were divided into 2 groups: CTR, fed with a normoprotein diet (17% protein) and GLLP, fed with low-protein diet (6% protein) during pregnancy and lactation (CEUA No. 5119280121). For morphological, morphometric and neonatal analyses, mothers were euthanized and their ovaries collected on gestational day 20 (GD20). It was also maternal behavior during the lactation period was assessed and, at the end of it, the ovaries of these mothers were collected for molecular analysis. The results demonstrate that there were no differences between the groups in consumption parameters food, despite the weight of mothers in the GLLP group being significantly decreased both during pregnancy and lactation. Maternal ovarian morphometry in DG20 demonstrated a decrease in primordial follicles and an increase in follicles primaries in the GLLP group. Regarding neonatal analyzes, we observed that the group GLLP presents higher reabsorption rates and decreased fetal weight in GD20. To the analyzes during the lactation period indicated a significant decrease in maternal parental behavior in the GLLP group. At the end of this period, we observed that gene expression of precursor enzymes of the maternal ovarian steroidogenic pathway were increased in the GLLP group, predicting that variations in aromatase concentrations, for example, during lactation, could justify the inadequate supply of milk to offspring. Therefore, the results demonstrate that the RPM impacts maternal-fetal pre- and postnatal life, affecting morphophysiology ovarian, steroidogenic pathways and initial behavior of mothers, which results in negative consequences on the health and development of offspring.

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Palavras-chave

Comportamento materno, Má nutrição, Vias esteroidogênicas ovarianas

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