A construção da ferrovia bioceânica Sul-Americana: os investimentos chineses em infraestrutura no Brasil, de 2011 a 2020

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Data

2023-03-10

Autores

Doro, Mauricio Jose Caires

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

A retomada das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China datam de 1974 em um momento marcado pela abertura diplomática da China para o resto do mundo e uma política externa desenvolvida por Ernesto Geisel e Azeredo da Silveira com pretensões universalistas e com perspectivas opostas ao conflito Leste-Oeste dentro de uma lógica de afirmação do Sul em desenvolvimento em relação ao Norte desenvolvido. Esse foi o momento de aproximação entre os dois países e que se aprofundou posteriormente com o passar do tempo. No século 21, já em uma relação bilateral consolidada, Brasil e China se firmaram como potências emergentes ao lado de Rússia, Índia e África do Sul e, no contexto da política externa Ativa e Altiva, tal relação forneceu novos mecanismos de aprofundamento, notadamente a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação. Diante dessa lógica, já no final do governo Lula da Silva, a República Popular da China se firmou como principal parceiro comercial do Brasil, em um claro sinal de constante aproximação entre os dois países. Tal cenário favoreceu a assinatura de tratados bilaterais e o lançamento da parceria estratégica global. Apesar dessas condições favoráveis, a concentração da pauta de exportação brasileira para o país asiático, assim como a perda de espaço pelo Brasil para a China na região apontam para a necessidade do pragmatismo na análise de tal relacionamento. Tendo isso em mente, o presente projeto de pesquisa busca compreender como a ferrovia bioceânica insere-se nesse contexto: como uma aproximação entre duas potências em desenvolvimento ou um mecanismo de manutenção da pauta agroexportadora do Brasil para a RPC. Para essa análise, enquanto instrumento teórico, a pesquisa se utiliza dos estudos da Economia Política Internacional, notadamente a teoria do poder estrutural de Susan Strange bem como o conceito de geoeconomia para avaliar as condições e os interesses envolvidos nesse projeto.
The renewal of diplomatic relations between the Federative Republic of Brazil and the People's Republic of China dates back from 1974 onwards, in a moment marked by the diplomatic opening of China to the rest of the world and a foreign policy developed by Ernesto Geisel and Azeredo da Silveira with universalist pretensions and with perspectives opposed to the East-West conflict within a logic of affirmation of the developing South in relation to the developed North. This was the moment of rapprochement between the two countries, which deepened over time. In the 21st century, already in a consolidated bilateral relationship, Brazil and China established themselves as emerging powers alongside Russia, India, and South Africa, and, in the context of the Active and Assertive foreign policy, this relationship provided new mechanisms for deepening these relations, notably the Sino-Brazilian High Level Commission for Consultation and Cooperation. Given this logic, by the end of the Lula da Silva administration, the People's Republic of China had already established itself as Brazil's main trading partner, in a clear sign of constant rapprochement between the two countries. This scenario favored the signing of bilateral treaties and the launching of the global strategic partnership. Despite these favorable conditions, the concentration of Brazil's export agenda to the Asian country, as well as Brazil's loss of space to China in the region, point to the need for pragmatism in the analysis of this relationship. With this in mind, this research project seeks to understand how the bioceanic railroad fits into this context: as a rapprochement between two developing powers or as a mechanism to maintain Brazil's agroexport tariff to the PRC. For this analysis, as a theoretical instrument, the research uses International Political Economy studies, notably Susan Strange's structural power theory, as well as the concept of geo-economics to evaluate the conditions and interests involved in this project.
Las retomada de relaciones diplomaticas entre la República Federativa de Brasil y la República Popular China se remontan a 1974, en una época marcada por la apertura diplomática de China al resto del mundo y por una política exterior desarrollada por Ernesto Geisel y Azeredo da Silveira con pretensiones universalistas y con perspectivas opuestas al conflicto Este-Oeste dentro de una lógica de afirmación del Sur en desarrollo en relación con el Norte desarrollado. Este fue el momento del acercamiento entre los dos países, que se profundizó con el tiempo. En el siglo 21, ya en una relación bilateral consolidada, Brasil y China se establecieron como potencias emergentes junto a Rusia, India y Sudáfrica, y, en el contexto de una política exterior activa, esta relación proporcionó nuevos mecanismos de profundización, en particular la Comisión Sino-Brasileña de Alto Nivel de Consulta y Cooperación. En esta lógica, al final del gobierno Lula da Silva, la República Popular China ya se había consolidado como el principal socio comercial de Brasil, en una clara señal de acercamiento constante entre los dos países. Este escenario favoreció la firma de tratados bilaterales y el lanzamiento de la asociación estratégica global. A pesar de estas condiciones favorables, la concentración de la agenda exportadora brasileña hacia el país asiático, así como la pérdida de espacio de Brasil para China en la región, apuntan a la necesidad de pragmatismo en el análisis de esta relación. Con esto en mente, este proyecto de investigación busca entender cómo encaja el ferrocarril bioceánico en este contexto: como acercamiento entre dos potencias en desarrollo o como mecanismo para mantener el arancel agroexportador de Brasil a la RPC. Para este análisis, como instrumento teórico, la investigación utiliza estudios de Economía Política Internacional, en particular la teoría del poder estructural de Susan Strange, así como el concepto de geoeconomía para evaluar las condiciones e intereses involucrados en este proyecto.

Descrição

Palavras-chave

Infraestrutura brasileira, Brazilian infrastructure, Infraestructura brasileña, Ferrovia Bioceânica, Bioceanic Railway, Ferrocarril bioceánico, Economia Política Internacional, International Political Economy, Economía política internacional, Relação sino-brasileira, Sino-Brazilian relations, Relación sino-brasileña

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