A modernidade é uma serpente

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Data

2015-03-27

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

This paper's objective is to analyze the serpent myth from the municipality of Araraquara, SP, through the use of anthropologist Lévi-Strauss' canonic formula and, from there, point out possible articulations between the uses of a mythical discourse and the political relations in the city of Araraquara. The construction of a city is a project of political dispute for the definition of the space. Thus, a field of sensibility is constituted from the myth, which generates intense discursive conflicts, imposing an ethos to the city. The referred serpent myth narrates a curse cast by the Matriz priest at the time, stating that Araraquara would not have progress for a 100 years, that an enormous serpent would stay beneath the church, and that, should the city ever develop, the serpent would come out and destroy all of it. If the serpent does come out, an eagle, located at the fountain at the center of the Matriz's plaza, would face it in order to protect the city. Therefore, this project's object is the uses of the myth and how its narrative is appropriated in favor of the production of new contents about the city, in an attempt to obtain exclusivity in the enunciation of modernity as a value. Modernity is thought of here in its contentious dimension, inventor of the urbis, seeking to establish new centers of power. Lastly, this research aims to contribute to the comprehension of the tense and negotiated dimension which permeates the formation process of Brazilian middle-sized towns
Este trabalho tem por objetivo analisar o mito da serpente do município de Araraquara - SP através da fórmula canônica do antropólogo Lévi-Strauss e, a partir daí, apontar possíveis articulações entre os usos de um discurso mítico e as relações políticas da cidade de Araraquara. A construção da cidade é um projeto de disputa político pela definição do espaço. Constitui-se assim um campo de sensibilidade a partir do mito, que produz intensos conflitos discursivos, impondo um ethos à cidade. O referido mito da serpente narra uma praga rogada, pelo padre da Matriz na época, enunciando que Araraquara, por 100 anos, não teria progresso, que uma enorme serpente ficaria em baixo da igreja, e que, se um dia o município progredisse, ela sairia e destruiria toda a cidade. Caso saia, uma águia localizada no chafariz, no centro do largo da Matriz, irá enfrentá-la para proteger a cidade. Assim, este projeto tem por objeto os usos do mito e sobre como é apropriada sua narrativa em favor da produção de novos conteúdos sobre a cidade, na tentativa de obter exclusividade da enunciação da modernidade como valor. A modernidade aqui é pensada em sua dimensão conflituosa, interventora na urbe, buscando instaurar novas centralidades de poder. Por fim, busca-se através desta pesquisa contribuir para a compreensão da dimensão tensa e negociada que permeia o processo de formação das cidades médias brasileiras

Descrição

Palavras-chave

Mito, Cobra, Civilização moderna, Poder (Ciencias sociais), Espaço urbano, Myth, Araraquara (SP)

Como citar

FRANÇOSO, Luís Michel. A modernidade é uma serpente. 2015. 140 f. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciencias e Letras (Campus de Araraquara), 2015.