La mutua dissidenza : scambi poetici fra Italia e Brasile nel secondo Novecento
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Data
Supervisor
Ferreira, Eliane Aparecida Galvão Ribeiro 

Coorientador
Pós-graduação
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Relatório de pós-doc
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Este relatório objetiva apresentar reflexões sobre o vínculo que se instaurou entre a poesia italiana e a brasileira durante a segunda metade do século XX e a primeira década do século XXI. A formação em literatura comparada e o desenvolvimento de estudos sobre autores transnacionais de língua italiana, especialmente poetas, permitiram, ao longo do tempo, conhecer uma série de poetas brasileiros que se mudaram para a Itália, por várias razões, e passaram a escrever em italiano, como Murilo Mendes, com o texto Ipotesi (1977) e L'occhio del poeta (2002); e autores mais recentes, como Heleno Oliveira, Julio Monteiro Martins, Vera Lúcia de Oliveira, Márcia Theophilo, Rosana Crispim da Costa, entre outros. A pesquisa que se apresenta contemplou a obra desses autores de língua italiana ou bilíngues, e abordou sobretudo poetas ítalo-brasileiros do mesmo período, ou autores de origem italiana que se mudaram para o Brasil, como Marina Colasanti. Os poetas italianos e brasileiros analisados foram definidos como "dissidentes", exilados ou autoexilados de seus países de origem – Brasil e Itália –, em desacordo com o regime político vigente ou simplesmente com suas políticas culturais (no caso de Mendes, ele chegou à Itália com um cargo universitário, mas não pôde retornar ao Brasil devido à ditadura estabelecida naqueles anos). De qualquer forma, esses poetas estabeleceram uma relação frustrada e comprometida com a pátria, sendo ignorados pela crítica. Para os brasileiros, tratava-se da "geração perdida" dos anos 1980-1990, que deixou o país após a queda da ditadura. Para os italianos, como Emilio Villa que, em 1961, se refugiou em São Paulo, ligando-se aos poetas do Concretismo brasileiro, afirmava-se que havia violenta oposição ao mundo intelectual da pátria. No caso de Colasanti, com quem se trabalhou de perto na tradução de seus poemas da obra Passageira em trânsito (2009), notou-se o oposto, pois há um forte vínculo da escritora com a pátria, interrompido pelas consequências dos eventos da guerra, mas que deixou intensas marcas em sua imaginação e em sua escrita, mesmo que lusófonas. A produção da chamada literatura transnacional pode ser considerada, para todos os efeitos, como a verdadeira vanguarda de nosso mundo globalizado. O estudo transversal dos poetas que, durante os séculos XX e XXI, entre a Itália e o Brasil, buscaram (e estão buscando) um outro lugar para sua voz literária, permite destacar as profundas relações culturais que unem os dois Países e evidenciar novos espaços literários, onde essas relações podem interagir livremente, fora do controle dos centros de poder e do mercado.
Descrição
Palavras-chave
Poesia italiana, Poesia brasileira, Literatura comparada - Italiana e brasileira, Transnacionalismo na literatura, Poetas italianos, Poetas brasileiros, Brasil - Séc. XX e XXI, Itália - Séc. XX e XXI
Idioma
Italiano
Citação
LECOMTE, Mia Erminia Marie Regina. La mutua dissidenza : scambi poetici fra Italia e Brasile nel secondo Novecento. 2025. Relatório de Pós-Doutorado. Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2025.

