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Avaliação do efeito sedativo do midazolam em pacientes autistas

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Orientador

Silva, Cristina Antoniali

Coorientador

Pós-graduação

Curso de graduação

Araçatuba - FOA - Odontologia

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Trabalho de conclusão de curso

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

O autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento, de etiologia indefinida, caracterizado por déficits na capacidade de interação social recíproca e comunicação, além de uma série de padrões de comportamento e interesses restritos, repetitivos e inflexíveis; em decorrência desses aspectos o consultório odontológico torna-se um local desagradável para os pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que as alterações nociceptivas associadas aos estímulos diversos presentes neste ambiente são de relevante incômodo para esses pacientes. Sendo assim, visando um atendimento minimamente estressante, tanto para o paciente como para o cirurgião dentista, a sedação farmacológica apresenta-se como um mecanismo de manejo; neste contexto o Midazolam, em decorrência de suas características farmacocinéticas e farmacodinâmicas, podendo-se destacar a amnésia anterógrada, torna-se o medicamento de escolha para tais procedimentos. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da sedação farmacológica utilizando o benzodiazepínico Midazolam em pacientes diagnosticados com TEA. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, no qual foram incluídos neste estudo 33 pacientes de 3-15 anos de idade, atendidos no Centro de Assistência Odontológica à Pessoa com Deficiência (CAOE) da FOA-UNESP. Foi realizado o estudo e avaliação dos prontuários dos pacientes admitidos no período de 2012 a 2024. Foram avaliados dados referentes à idade, sexo, medicação de uso contínuo, dose e via de administração do sedativo, resposta sedativa e tipo de procedimento odontológico realizado. Os níveis de sedação foram classificados com base nos critérios do RASS, a partir das descrições dos prontuários. A análise utilizou estatística descritiva e testes inferenciais comparativos (Kruskal-Wallis e Fisher), com significância de 5% (α = 0,05). Os resultados demonstraram que 63,7% dos pacientes apresentaram resposta sedativa insatisfatória, classificando-se entre ausência de sedação, sedação ruim ou apenas razoável. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (81,8%), e as faixas etárias predominantes foram de 7 a 9 anos. Os procedimentos mais frequentes foram exodontias (30,3%) e dentística (24,2%). Verificou-se que procedimentos mais invasivos estiveram associados a níveis de sedação inferiores. Entre os pacientes que não sedaram, 50% faziam uso de Risperidona, 33,3% de Risperidona associada à Carbamazepina e 16,7% não utilizavam nenhuma medicação. Nos casos de sedação ruim, 55,6% faziam uso de outros fármacos, 22,2% não utilizavam medicação e 11,1% faziam uso de Carbamazepina ou Risperidona. Os resultados dos testes comparativos não mostraram associação significativa entre as principais medicações de uso contínuo e a resposta ao midazolam (p > 0,05 pelo teste exato de Fisher). Sendo assim, isso nos leva a sugerir que a explicação mais coerente para a falha sedativa observada não vem das porcentagens isoladas, mas sim da interpretação conjunta dos resultados comparativos, que enfraqueceram a hipótese de interação medicamentosa, e do que a literatura já explica sobre o TEA. Conclui-se que o Midazolam apresenta eficácia limitada em pacientes autistas, sugerindo-se a fisiopatologia do TEA a principal causa da resistência sedativa observada. A variabilidade de resposta reforça a necessidade de protocolos individualizados.

Resumo (inglês)

Autism is a neurodevelopmental disorder of undefined etiology, characterized by deficits in the ability to initiate and maintain reciprocal social interaction and communication, as well as a range of restricted, repetitive, and inflexible patterns of behavior and interests. As a result of these characteristics, the dental office becomes an unpleasant environment for patients with Autism Spectrum Disorder (ASD), since nociceptive alterations associated with the various stimuli present in this setting cause significant discomfort for these individuals. Therefore, in order to provide care that is minimally stressful for both the patient and the dentist, pharmacological sedation emerges as a management strategy. In this context, Midazolam, due to its pharmacokinetic and pharmacodynamic properties, particularly its ability to induce anterograde amnesia, becomes the drug of choice for such procedures.The aim of this study was to evaluate the effectiveness of pharmacological sedation using the benzodiazepine Midazolam in patients diagnosed with ASD. This was a retrospective observational study including 33 patients aged 3 to 15 years who were treated at the Center for Dental Care for Persons with Disabilities (CAOE) at FOA-UNESP. Patient records from 2012 to 2024 were reviewed and analyzed. Data collected included age, sex, continuous-use medication, sedative dose and route of administration, sedative response, and type of dental procedure performed. Sedation levels were classified according to the RASS criteria, based on descriptions recorded in the patients’ charts. The analysis employed descriptive statistics and comparative inferential tests (Kruskal–Wallis and Fisher’s exact test), with a significance level of 5% (α = 0.05). The results showed that 63.7% of patients exhibited an unsatisfactory sedative response, classified as no sedation, poor sedation, or only fair sedation. Most patients were male (81.8%), and the predominant age range was 7 to 9 years. The most frequent procedures were tooth extractions (30.3%) and restorative treatments (24.2%). More invasive procedures were associated with lower levels of sedation. Among patients who did not achieve sedation, 50% were using risperidone, 33.3% were using risperidone combined with carbamazepine, and 16.7% were not taking any medication. In cases of poor sedation, 55.6% were using other medications, 22.2% were not taking any medication, and 11.1% were using carbamazepine or risperidone. Comparative test results showed no significant association between the main continuous-use medications and response to midazolam (p > 0.05, Fisher’s exact test). Therefore, these findings suggest that the most coherent explanation for the observed sedative failure does not lie in isolated percentages, but rather in the combined interpretation of the comparative results—which weakened the hypothesis of drug interaction—and in what the literature already explains regarding ASD. It can be concluded that Midazolam demonstrates limited efficacy in autistic patients, with the pathophysiology of ASD being suggested as the main cause of the observed sedative resistance. The variability in response reinforces the need for individualized protocols.

Descrição

Palavras-chave

Autismo, Farmacologia, Transtorno do espectro autista, Pharmacology

Idioma

Português

Citação

PEREIRA, Isadora Dias. Avaliação do efeito sedativo do midazolam em pacientes autistas. 2025. 36 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Odontologia) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Araçatuba, 2025.

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