Educação, poder e masculinidades: a militarização da escola pública como projeto político-ideológico
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Data
Autores
Orientador
Brabo, Tânia Suely Antonelli Marcelino. 

Coorientador
Pós-graduação
Educação - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A presente pesquisa teve como objetivo investigar de que modo e em que medida valores militares são disseminados nas práticas educativas do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM), com ênfase nas construções de gênero, especialmente das masculinidades. A militarização da educação pública configura-se como um projeto político-ideológico implementado no contexto do governo Jair Messias Bolsonaro, que resgata valores autoritários e conservadores, apresentados como resposta às supostas crises de disciplina e desempenho escolar. Contudo, a militarização da escola no Brasil não constitui um fenômeno recente, inscrevendo-se em um processo histórico mais amplo. Trata-se de uma pesquisa de natureza teórico-bibliográfica, fundamentada na análise de documentos oficiais do PECIM (diretrizes, memoriais e relatórios), articulada a referenciais da sociologia da educação, dos estudos de gênero e da teoria crítica do currículo. A discussão é organizada em três eixos analíticos. Inicialmente, demonstra-se que o PECIM representa a expressão contemporânea de uma disputa histórica entre projetos privatistas/confessionais e a defesa de uma escola pública democrática, cujas origens remontam à década de 1930 e se aprofundam no período empresarial-militar iniciado em 1964. Em seguida, à luz das contribuições teóricas de Raewyn Connell e de outros autores do campo crítico, argumenta-se que a instituição militar atua como agente central na reprodução da masculinidade hegemônica, entendida como um ideal normativo associado à força, à agressividade, à disciplina, à hierarquia e à centralidade da figura masculina. Por fim, a análise dos documentos e das práticas do PECIM evidencia que a disseminação desses valores ocorre tanto de forma implícita, por meio do currículo oculto, via disciplinamento dos corpos, ritualização militar e controle, quanto de modo explícito, em ações como o Projeto Valores e o Projeto Cidadão, que veiculam concepções conservadoras de família, religião e pátria, marginalizando perspectivas plurais, críticas e progressistas. Conclui-se que o PECIM ultrapassa a dimensão de um modelo de gestão escolar, configurando-se como um mecanismo de controle social que contribui para a reprodução da ordem patriarcal e da masculinidade hegemônica. Ao impor uma lógica autoritária, homogeneizadora e fundada na obediência, o programa compromete o papel da escola como espaço democrático de formação para a autonomia, a diversidade, a cidadania crítica e a promoção dos direitos humanos.
Resumo (inglês)
This study aimed to investigate how and to what extent military values are disseminated in the educational practices of the National Program of Civic-Military Schools (Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares – PECIM), with a particular focus on gender constructions, especially masculinities. The militarization of public education constitutes a political-ideological project implemented during the government of Jair Messias Bolsonaro, which revives authoritarian and conservative values presented as responses to alleged crises of discipline and academic performance. However, the militarization of schools in Brazil is not a recent phenomenon, but rather part of a broader historical process. This is a theoretical and bibliographical study, based on the analysis of official PECIM documents (guidelines, memoranda, and reports), articulated with theoretical frameworks from the sociology of education, gender studies, and critical curriculum theory. The discussion is organized around three analytical axes. First, the study demonstrates that PECIM represents a contemporary expression of a long-standing historical dispute between privatist/confessional projects and the defense of a democratic public school, a process whose origins date back to the 1930s and which intensified during the corporate-military period initiated in 1964. Subsequently, drawing on the theoretical contributions of Raewyn Connell and other critical scholars, the study argues that the military institution functions as a central agent in the reproduction of hegemonic masculinity, understood as a normative ideal associated with strength, aggressiveness, discipline, hierarchy, and the centrality of the male figure. Finally, the analysis of PECIM documents and practices reveals that the dissemination of these values occurs both implicitly, through the hidden curriculum, via the disciplining of bodies, military ritualization, and mechanisms of control and explicitly, through initiatives such as the Values Project and the Citizen Project, which promote conservative conceptions of family, religion, and homeland, while marginalizing plural, critical, and progressive perspectives. The study concludes that PECIM goes beyond a model of school management, constituting a mechanism of social control that contributes to the reproduction of the patriarchal order and hegemonic masculinity. By imposing an authoritarian, homogenizing logic grounded in obedience, the program undermines the role of the school as a democratic space for the formation of autonomy, diversity, critical citizenship, and the promotion of human rights.
Descrição
Palavras-chave
Masculinidade, Relações de gênero, Militarização da educação, Programa das Escolas Cívico-Militares
Idioma
Português
Citação
MACHADO, Daniel Ribeiro. Educação, poder e masculinidades: a militarização da escola pública como projeto político-ideológico. 2026. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2026.


