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Educação matemática e marcas de gênero: atravessamentos do feminino na composição de uma área de pesquisa

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Orientador

Silva, Heloísa da

Coorientador

Pós-graduação

Educação Matemática - IGCE

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Esta tese investiga a História da Educação Matemática no Brasil sob uma perspectiva difrativa e pós-humanista, mapeando os atravessamentos do feminino na constituição ontológica e política do campo. Distanciando-se de uma historiografia que busca preencher supostas “ausências”, a pesquisa analisa os mecanismos de silenciamento, as barreiras materiais e, sobretudo, as potências criativas que emergem dos não-lugares epistêmicos, institucionais e interseccionais ocupados pelas mulheres. Metodologicamente, opera-se um deslocamento da História Oral para uma prática de escuta onto-epistemológica e não-linear, lendo difrativamente as narrativas de nove educadoras matemáticas – Maria do Carmo de Sousa, Maria Laura Magalhães Gomes, Andréia Maria Pereira de Oliveira, Maria Aparecida Viggiani Bicudo, Eliana Alves Pereira Leite, Miriam Godoy Penteado, Carmen Lúcia Brancaglion Passos, Sônia Maria Clareto e Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca – em emaranhamento com acervos do Grupo História Oral e Educação Matemática (Ghoem) e do Enaphem (Encontro Nacional de Pesquisa em História da Educação Matemática). A fundamentação teórica articula o realismo agencial de Karen Barad, as teorias feministas e a filosofia da diferença, tendo também a obra “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, como intercessora analítica. As análises indicam que as rupturas biográficas (maternidade, luto, cuidado), as tensões geopolíticas (a inversão Norte-Sul e a peregrinação epistêmica) e as interseccionalidades de raça e gênero não atuam apenas como obstáculos, mas como forças que co-constituem a área. Conclui-se que o feminino não apenas está ou atravessa na/a Educação Matemática, mas age como uma potência de desterritorialização que reinventa o rigor, as redes de colaboração e as fronteiras do conhecimento matemático a partir das fendas da estrutura acadêmica hegemônica.

Resumo (inglês)

This thesis investigates the History of Mathematics Education in Brazil from a diffractive and posthumanist perspective, mapping the entanglements of the feminine in the ontological and political constitution of the field. Distancing itself from a historiography that seeks to fill supposed absences, the research analyzes silencing mechanisms, material barriers, and, above all, the creative potencies emerging from the epistemic, institutional, and intersectional non-places occupied by women. Methodologically, a displacement from Oral History is operated towards an onto-epistemological and non-linear practice of listening, diffractively reading the narratives of nine mathematics educators – Maria do Carmo de Sousa, Maria Laura Magalhães Gomes, Andréia Maria Pereira de Oliveira, Maria Aparecida Viggiani Bicudo, Eliana Alves Pereira Leite, Miriam Godoy Penteado, Carmen Lúcia Brancaglion Passos, Sônia Maria Clareto, and Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca – in entanglement with archives from the Oral History and Mathematics Education Group (Ghoem) and Enaphem (National Meeting on Research in the History of Mathematics Education). The theoretical foundation articulates Karen Barad's agential realism, feminist theories, and the philosophy of difference, also employing Clarice Lispector's work “The Passion According to G.H.” as an analytical intercessor. Analyses indicate that biographical ruptures (motherhood, grief, care), geopolitical tensions (the North-South inversion and epistemic pilgrimage), and intersectionalities of race and gender act not merely as obstacles, but as forces that co-constitute the field. It is concluded that the feminine does not merely exist within Mathematics Education but acts as a potency of deterritorialization that reinvents rigor, collaborative networks, and the boundaries of mathematical knowledge from the fissures of the hegemonic academic structure.

Descrição

Palavras-chave

Matemática, Matemática Estudo e ensino, Educação, História oral, Mulheres na ciência, Professores de matemática

Idioma

Português

Citação

SANTI, Tailine Audilia de. Educação matemática e marcas de gênero: atravessamentos do feminino na composição de uma área de pesquisa. 2026. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro, 2026.

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