Publicação: Symphony of Erotic Icons: erotismo e o corpo masculino na fotografia de Alair Gomes
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Data
2017-03-07
Autores
Orientador
Teixeira Filho, Fernando Silva 

Coorientador
Pós-graduação
Psicologia - FCLAS
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A partir dos estudos queer, busquei investigar a obra Symphony of Erotic Icons do fotógrafo brasileiro Alair Gomes (1921-1992). Engenheiro de formação, Alair transitou por diversos campos, como a escrita de diários íntimos, a Filosofia da Ciência e a crítica de arte, entre outros, tendo seu encontro com a fotografia se dado somente na década de 1960. O foco de seu trabalho fotográfico é o corpo masculino, sendo considerado o precursor na abordagem do homoerotismo na fotografia brasileira. Embora tenha se dedicado ao trabalho com a fotografia por mais de duas décadas, constituindo uma obra de dimensões exorbitantes, com 15 mil fotos e 150 mil negativos, Alair fez parte de um rol de artistas cuja invisibilidade impediu que ele se tornasse contemporâneo de seu próprio tempo. A escolha de Alair nesta pesquisa justifica-se pela relevância deste artista na fotografia, mas também por contemplar temas importantes para a Psicologia, tais como o corpo e o erotismo, em especial o masculino, foco desta investigação. O objetivo geral dessa pesquisa foi explorar como se dão os processos de construção do erotismo e das corporalidades masculinas na Symphony of Erotic Icons e cartografar os elementos de uma possível dissidência em relação à heterossexualidade compulsória vigente na época. Realizada nas décadas de 1960 e 1970, a Sinfonia é um conjunto de 1.767 fotos de nus masculinos. Alair dividiu a sequência em 5 partes: Allegro, Andantino, Andante, Adágio e Finale. Sua motivação para criação da Sinfonia é o fascínio com o corpo masculino, sendo a obra, em sua visão, uma forma de homenageá-lo. O título e a forma como nomeou cada uma de suas partes faz uma alusão à linguagem musical. Contudo, com tal associação, que poderia ser entendida com o intuito de enobrecer a sequência, dando-lhe um caráter de grandeza, Alair não pretende obnubilar o caráter erótico da Sinfonia, muitas vezes, associado à pornografia. Como também o fez em relação ao cinema, como evidenciado em seus escritos sobre a obra, tal aproximação têm o objetivo de estruturar a imensa quantidade de imagens que compõe a Sinfonia. Ao trabalhar com múltiplas imagens, seu desejo é contrapor-se à tradição pictórica que marcou a história da fotografia, conferindo a imagem única, tal como ocorre na pintura, um destino comum na tradição fotográfica. O grande acúmulo de imagens torna a fruição da obra extenuante e esse era mesmo um dos objetivos de Alair, fazer da Sinfonia uma espécie de teste para o espectador, ver quem atravessava. Alair propõe uma experiência com o corpo masculino que desata os códigos e convenções tradicionalmente associados à masculinidade como signos de virilidade, dominância, violência. Performances masculinas que não se contrapõe, nem obliteram a feminilidade. Mais do que nunca, necessitamos de masculinidades não hegemônicas, não virulentas. A obra de Alair Gomes é uma aliada nesse processo e pode nos ajudar nas reinvenções da cartografia do presente. Assim, essa pesquisa buscou somar-se aos esforços de ativação de sua obra, em detrimento daqueles que buscam anestesiar as potencialidades de reinvenção das masculinidades convocadas pela Sinfonia.
Resumo (inglês)
From the Queer studies, I sought to investigate the work of the Brazilian photographer Alair Gomes’ Symphony of Erotic Icons. Graduated in Engineering, Alair transited through several fields, such as the writing of private diaries, the Philosophy of Science and art criticism, among others, having his encounter with photography only in the 1960s. The focus of his photographic work Is the male body, being considered the precursor in the approach of the homoerotism in Brazilian photography. Even when he had dedicated in the working with photography for more than two decades, constituting a work of exorbitant dimensions, with 15,000 photos and 150,000 negatives, Alair was part of a group of artists whose invisibility prevented him from becoming contemporary of his own time. Alair's choice in this research is justified by the relevance of this artist in photography, but also by contemplating important themes for Psychology, such as the body and eroticism, especially the masculine one, the focus of this research. The general objective of this research was to explore the processes of construction of eroticism and male corporalities in the Symphony of Erotic Icons and to cartograph the elements of a possible dissent in relation to the compulsory heterosexuality in force at the time. Created in the 1960s and 1970s, the Symphony is a collection of 1,767 male nude photos. Alair divided the sequence into 5 parts: Allegro, Andantino, Andante, Adágio and Finale. His motivation for the creation of the Symphony is the fascination with the masculine body and his work, in his vision, is a homage to the subject. The title and the way he named each of its parts alludes to the musical language. However, with such an association, which could be understood in order to ennoble the sequence, giving it a character of grandeur, Alair does not pretend to obscure the erotic character of the Symphony, often associated with pornography. As he also did in relation to cinema, as evidenced in his writings on the work, such an approximation has the purpose of structuring the immense amount of images that composes the Symphony. In the working with multiple images, his desire is to counteract the pictorial tradition that marked the history of photography, giving the unique image, as it happens in painting, a common destination in the photographic tradition. The great accumulation of images makes the enjoyment of the work strenuous and this was one of Alair's goals, making the Symphony a kind of test for the spectator, to see who was crossing. Alair proposes an experience with the male body that unties the codes and conventions traditionally associated with masculinity as signs of virility, dominance, violence. Masculine performances that do not oppose or obliterate femininity. More than ever, we need masculinities that are not hegemonic, not virulent. The work of Alair Gomes is an ally in this process and can help us in the reinventions of the cartography of the present. Thus, this research sought to add to the efforts to activate his work, in the detriment of those who seek to anesthetize the potential of reinventing the masculinities that his work calls.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português