Do pícaro espanhol ao ladino de Guimarães Rosa
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Data
Autores
Orientador
Aquati, Cláudio 

Coorientador
Pós-graduação
Letras - IBILCE
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Este trabalho lança luzes sobre a interpretação dos romances Lazarillo de Tormes (1554), anônimo, Memórias de um Sargento de Milícias (1854), de Manuel Antônio de Almeida, e do conto “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo” (1946), de João Guimarães Rosa. Em ordem cronológica de publicação, o primeiro romance, representação às avessas do herói da Idade Média, tem sua fábula contada com foco narrativo em primeira pessoa sob o prisma do anti-herói pícaro, Lázaro. Cerca de três séculos depois, no Brasil, surge o primeiro romance em que figura o malandro como personagem principal, mas, diferentemente do romance picaresco espanhol, ele é narrado em terceira pessoa, embora ostente no título a palavra “memórias”. Meio século depois, o conto de Guimarães Rosa traz novos elementos para o conceito de malandragem, como, principalmente, o de “personagem astuta, esperta, finória”, que faz uso da linguagem como seu principal veículo de artimanha. Narrado em terceira pessoa, a grande quantidade de diálogos dá vazão à voz da personagem principal, Lalino Salãthiel. Lázaro conta sua falsa autobiografia, Leonardo tem um narrador que conta suas falsas memórias, pois são ficcionais, e Lalino tem seus traços biográficos contados por um narrador, ou seja, também nos deparamos com a ficcionalização de uma biografia. Do pícaro espanhol ao malandro brasileiro, o caminho percorrido neste trabalho passa pelo nascimento do anti-herói picaresco Lázaro, com o qual se confrontam Leonardo-Filho, o primeiro malandro brasileiro, e, depois, Lalino que, graças a seu desempenho com a linguagem, pode ser denominado “ladino”. Faremos um estudo sobre as origens do herói e do anti-herói, em seguida o desenvolvimento da literatura picaresca e da literatura malandra ou neopicaresca. Passaremos, então, ao contexto de cada romance, Lazarillo de Tormes, Memórias de um sargento de milícias e o conto “A volta do marido pródigo”, detendo-nos nas semelhanças e diferenças que as personagens apresentam no que diz respeito à categorização do malandro na literatura brasileira. Nesse percurso, muitos estudos já foram feitos sobre a personagem Lázaro e Leonardo, diversas comparações entre o pícaro e o malandro, motivo pelo qual nosso trabalho reúne o que está posto sobre essas duas obras e indaga quais seriam, então, as diferenças e/ou semelhanças de Lalino com relação aos outros dois protagonistas, supondo que, para a personagem rosiana, o manejo da linguagem seria o excesso que existe na sua malandragem.
Resumo (inglês)
This study casts light on the interpretation of the anonymous novels Lazarillo de Tormes (1554), Memórias de um Sargento de Milícias (Memoirs of a Militia Sergeant) (1854), by Manuel Antônio de Almeida, and the short story “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo” (“Lalino Salãthiel’s Biographical Features or The Return of the Prodigal Husband”) (1946), by João Guimarães Rosa. In chronological order of publication, the first novel, a reverse representation of the hero of the Middle Ages, has its fable told in a first-person narrative focus through the prism of the picaroon anti-hero, Lázaro. About three centuries later, in Brazil, we have the first novel in which the rascal is the main character, but, unlike the Spanish picaresque novel, it is narrated in the third person, although the word “memoirs” is in the title. Half a century later, Guimarães Rosa's short story brings new elements to the concept of trickery, such as, above all, a “cunning, clever, finicky character”, who uses language as the main vehicle for artifice. Narrated in the third person, the large amount of dialogue gives voice to the main character, Lalino Salãthiel. Lázaro tells his false autobiography, Leonardo has a narrator who tells his false memories, because they are fictional, and Lalino has his biographical traits told by a narrator, or, in other terms, we are also faced with the fictionalization of a biography. From the Spanish picaroon to the Brazilian rascal, the path taken in this study passes through the birth of the picaresque anti-hero Lázaro, who is confronted by Leonardo-Filho, the first Brazilian rascal, and then by Lalino, who, thanks to his performance with language, can be called a “silver-tongued rascal”. We will explore the origins of the hero and the anti-hero, and subsequently observe the development of picaresque literature and rascal or neopicaresque literature. We will then move on to the context of each novel, Lazarillo de Tormes, Memórias de um Sargento de Milícias and the short story “A volta do marido pródigo”, focusing on the similarities and differences that the characters present, addressing the categorization of the rascal in Brazilian literature. Many studies have already been carried out on the characters Lázaro and Leonardo, and there are several comparisons between the picaroon and the rascal, which is why our research brings together what has been highlighted about both novels and questions what Lalino's differences and/or similarities might be in relation to the other two protagonists, assuming that, for Rosa’s character, the language skill would be the excess that exists in his trickery.
Descrição
Palavras-chave
Anti-herói, Pícaro, Malandro, Ladino, Anti-hero, Picaroon, Rascal, Silver-tongued rascal
Idioma
Português
Citação
COSTA, A. G. Do pícaro espanhol ao ladino de Guimarães Rosa. 2025. 144 p. Dissertação (Mestrado em Letras) - Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), São José do Rio Preto, 2025.


