Publicação: As massas e a personalidade autoritária: a contribuição da psicanálise nos estudos de Adorno sobre o fascismo
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Data
2025-02-13
Autores
Orientador
Bueno, Sinésio Ferraz 

Coorientador
Pós-graduação
Educação - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O século XX foi marcado por um acentuado progresso técnico-científico, pela disputa imperialista e por duas guerras mundiais. Nesse contexto bélico e de transformação das formas de reprodução do capital, coube a Adorno pensar os reflexos de todos esses fenômenos para a constituição da individualidade. Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer (1985) tratam como equivalentes as modificações que ocorrem nas pessoas e nas empresas e que são fundamentais para o desenvolvimento econômico. Do mesmo modo que as pequenas lojas sucumbem diante do surgimento das lojas de departamento, o aparelho psíquico deixa de ser administrado desde o interior, pelo ego, e, então, seu controle passa a ser exercido desde o exterior, visto que o ritmo idêntico da produção mecanizada impõe os padrões de comportamento, desde as repetitivas atividades que o indivíduo desenvolve em seu trabalho até a hora de lazer, que é tomada pelos produtos da indústria cultural. Nos estudos realizados por Adorno sobre o fascismo, a psicologia de massa freudiana tem centralidade, pois auxilia na compreensão dos mecanismos de gratificação pulsional que conduzem o indivíduo isolado e enfraquecido para a massa fascista. Freud (2021) dá ênfase ao vínculo libidinal que une os seguidores em torno do líder, à medida que cada um deles coloca essa figura onipotente no lugar de seu ideal do ego. Os conceitos da psicanálise são utilizados por Adorno para compreender o enfraquecimento do indivíduo na sociedade contemporânea e o modo que as feridas impostas a ele, no processo de autoconservação, são ao mesmo tempo redirecionadas de maneira destrutiva ao out-group. Com efeito, o processo de formação cultural é violento e administrado; as pulsões eróticas e destrutivas estão a serviço da dominação no longo ciclo que une progresso e barbárie. Para Adorno, em consonância com os demais pensadores da Teoria Crítica, cada época produz o tipo de personalidade apropriado aos fins da dominação. No exílio norte-americano, durante a expansão nazista, o autor esteve reunido com outros pesquisadores a fim de aprofundar o estudo das tendências da personalidade autoritária, marcada pela submissão, por um ego fraco e por um pensamento ligado as dimensões de poder. A partir da apropriação que Adorno (2015; 2019) faz da psicanálise, nosso objetivo é estudar de que maneira os conceitos freudianos foram utilizados no estudo do fascismo e como as reflexões de Adorno sobre o campo formativo podem trazer luz para os atuais desafios da educação, no que diz respeito ao processo de isolamento e massificação, que no século XXI estão associados aos novos produtos culturais, como internet e celulares, e às novas formas de socialização.
Resumo (inglês)
The 20th century was marked by marked technical-scientific progress, imperialist disputes and two world wars. In this warlike context and transformation of the forms of reproduction of capital, it was up to Adorno to think about the consequences of all these characteristics for the constitution of individuality. In the Dialectic of Enlightenment, Adorno and Horkheimer (1985) treat as equivalent the changes that occur in men and companies and that are fundamental for economic development. In the same way that small stores succumb to the emergence of department stores, the psychic apparatus is no longer controlled from the inside, by the ego, and, then, its control begins to be exercised from the outside, since the identical rhythm of Mechanized production imposes standards of behavior, from the repetitive activities that the individual carries out in their work to the leisure time, which is taken over by the cultural industry. In Adorno's studies on fascism, Freudian mass psychology are central, as they help to understand the mechanisms of instinctual gratification that lead the isolated and weakened individual to the fascist mass. Freud (2021) emphasizes the libidinal bond that one of the followers has around the leader, as each of them places this omnipotent figure in the place of their ego ideal. The concepts of psychoanalysis are used by Adorno to understand the weakening of the individual in contemporary society and the way in which the wounds imposed on him, in the process of self-preservation, are at the same time redirected in a destructive way towards the out-group. In effect, the process of cultural formation is violent and administered; erotic and destructive drives are at the service of domination in the long cycle that unites progress and barbarism. For Adorno, in line with other thinkers of Critical Theory, each era produces the type of personality appropriate to the purposes of domination. In North American exile, during Nazi expansion, the author met with other researchers in order to deepen the study of the tendencies of the authoritarian personality, marked by submission, a weak ego and thoughts linked to the dimensions of power. Based on Adorno's (2015; 2019) appropriation of psychoanalysis, our objective is to study how Freudian concepts were used in the study of fascism and how Adorno's reflections on the formative field can bring light to the current challenges of education , with regard to the process of isolation and massification, which in the 21st century are associated with new cultural products, such as the internet and cell phones, and new forms of socialization.
Descrição
Idioma
Português
Como citar
THOMAZ, Rica de Cassia. As massas e a personalidade autoritária: a contribuição da psicanálise nos estudos de Adorno sobre o fascismo. 2025. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Filosofia e Ciência, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.