Do mito ao herói moderno: narrativa simbólica e masculinidade sob a lente estética da Disney nas adaptações do Capitão América
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Data
Orientador
Hattnher, Alvaro Luiz 

Coorientador
Pós-graduação
Letras - IBILCE
Curso de graduação
Título da Revista
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Desde que a Disney adquiriu os direitos da Marvel, as adaptações cinematográficas do Universo Cinematográfico Marvel [MCU, na sigla em inglês] passaram a seguir uma lógica narrativa e estética própria, marcada por estratégias de suavização simbólica e apelo emocional. O Capitão América, uma das figuras centrais desse universo, tornou-se um exemplo privilegiado de como heróis tradicionais podem ser ressignificados para se adequar aos valores e expectativas de uma audiência global. Este trabalho investiga de que forma a Disneyficação (entendida aqui como o processo de higienização da violência, simplificação de conflitos morais, estetização da inocência e controle da experiência emocional) atua sobre os discursos de masculinidade, violência e heroísmo presentes nas histórias em quadrinhos adaptadas, produzindo um novo tipo de mito: menos ambíguo, mais afetivo e profundamente alinhado à lógica da indústria cultural. A análise parte da comparação entre arcos narrativos das histórias em quadrinhos e os filmes da trilogia do Capitão América no MCU — Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), Capitão América: O Soldado Invernal (2014) e Capitão América: Guerra Civil (2016) —, observando como a figura do herói moderno é reconstruída sob uma lente ideológica que transforma conflitos morais em dilemas personalistas e adapta a violência a uma gramática visual controlada, quase higiênica. A pesquisa se apoia em teorias sobre o Monomito Clássico e o Monomito Americano, no conceito de herói moderno, nas discussões sobre adaptação e cultura pop, e também em estudos sobre masculinidade e violência. Mais do que atualizar uma narrativa, essas adaptações constroem um novo modo de experienciar o mito: moldado por memórias afetivas, reforçado por estratégias transmídia e legitimado por um imaginário coletivo que naturaliza certos valores como universais. A presente pesquisa contribui para os estudos sobre adaptação e cultura midiática ao revelar como a Disney transforma narrativas em discursos e heróis em veículos ideológicos.
Resumo (inglês)
Since Disney acquired the rights to Marvel, the cinematic adaptations of the Marvel Cinematic Universe (MCU) have followed a distinctive narrative and aesthetic logic, characterized by strategies of symbolic softening and emotional appeal. Captain America, one of the central figures of this universe, has become a prime example of how traditional heroes can be re-signified to align with the values and expectations of a global audience. This study investigates how Disneyfication—understood here as the process of sanitizing violence, simplifying moral conflicts, aestheticizing innocence, and controlling emotional experience—shapes the discourses of masculinity, violence, and heroism present in the adapted comic book narratives, producing a new type of myth: less ambiguous, more affective, and deeply aligned with the logic of the culture industry. The analysis draws on a comparison between narrative arcs from the original comic books and the films of the Captain America trilogy in the MCU—Captain America: The First Avenger (2011), Captain America: The Winter Soldier (2014), and Captain America: Civil War (2016)—examining how the modern hero figure is reconstructed through an ideological lens that turns moral conflicts into personal dilemmas and reshapes violence into a controlled, almost sanitized visual grammar. Grounded in theories of the Classical Monomyth and the American Monomyth, the concept of the modern hero, debates on adaptation and pop culture, as well as studies on masculinity and violence, this research argues that these adaptations do more than update a narrative: they construct a new way of experiencing myth—one shaped by affective memory, reinforced by transmedia strategies, and legitimized by a collective imaginary that naturalizes certain values as universal. This work contributes to adaptation and media culture studies by revealing how Disney, through Disneyfication, transforms narratives into discourse and heroes into ideological vehicles.
Descrição
Palavras-chave
Adaptação, Masculinidade, Mitologia, Ideologia, Disney, Adaptation, Masculinity, Mythology, Ideology, Disney
Idioma
Português
Citação
GEDO, Alyssa Carolina Barbosa Marques. Do mito ao herói moderno: narrativa simbólica e masculinidade sob a lente estética da Disney nas adaptações do Capitão América. (Doutorado em Letras). 2025. Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas (Ibilce), São José do Rio Preto, 2025.

