Território, capital financeiro e agricultura: land grabbing e fronteira agrícola no Brasil

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Data

2018-11-29

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Universidade Estadual Paulista (Uunesp)

Resumo

Apesar de não ser um fenômeno novo no capitalismo, a aquisição em larga escala de terras se reveste de novas características no início do século XXI. A conjugação de diferentes crises (financeira, energética, ecológica e alimentar) despertou o interesse pelo investimento no mercado fundiário e agricultura por Estados soberanos e fundos financeiros, no que se convencionou denominar land grabbing. O território brasileiro não ficou indiferente a estas investidas. Dentre os países subdesenvolvidos, foi o que recebeu o maior aporte de investimentos em terra por fundos financeiros. A partir de revisão bibliográfica sobre a temática, levantamento e análise de dados e informações, especialmente, sobre composição societária e estratégias de acumulação das empresas agrícolas, e a realização de trabalhos de campo e entrevistas semiestruturadas com diretores corporativos, agricultores, organizações da sociedade civil, representantes do Estado e camponeses em diferentes regiões do território brasileiro e Argentina, entre 2013 e 2017, esta tese procurou responder a algumas questões: o que se entende pela noção de land grabbing? Qual sua relação com a financeirização da economia mundial? Como essa dinâmica se expressa em áreas de fronteira agrícola moderna? Quem são os investidores institucionais por trás das operações financeiras e das empresas do agronegócio? Quais são suas estratégias de acumulação e uso do território? Quais as consequências territoriais? De modo geral, evidencia-­‐se como empresas do agronegócio, controladas por diferentes tipos de investidores financeiros, estabelecem relações transescalares de poder para acessar o mercado de terras e utilizam-­‐se das técnicas da informação para captura da renda da terra, com importantes consequências territoriais, como aumento da concentração fundiária, desmatamento da vegetação de Cerrado e conflitos e expropriações de camponeses.
Although not new in capitalism, the large-­‐scale acquisition of land has new characteristics at the beginning of the 21st century. The combination of different crises (financial, energetic, ecological and food) has aroused interest in investment in the land market and agriculture by sovereign states and financial funds, in what is known as land grabbing. The Brazilian territory was not indifferent to this rush. Among the underdeveloped countries, it was the one that received most of the investments in land by financial funds. Based on a bibliographical review, analysis of data and information, especially on societal composition and strategies of accumulation of agricultural enterprises, and fieldwork and semi-­‐structured interviews with CEOs, farmers, civil society organizations, representatives of the State and peasants in different regions of Brazil and Argentina between 2013 and 2017, this thesis sought to answer some questions: what is meant by land grabbing? What is its relation to the financialisation of the world economy? How does this dynamic express itself in modern agricultural frontier? Who are the institutional investors behind the financial operations and agribusiness companies? What are your strategies for accumulation and land use? What are the territorial consequences? In general, it is evident how agribusiness companies, controlled by different types of financial investors, establish trans-­‐scalar relations of power to access the land market and use information techniques to capture land rent, with important territorial consequences, such as increased land concentration, deforestation of Cerrado vegetation and conflicts and expropriations of peasants.

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Palavras-chave

Território, Capital financeiro, Capital (Economia), Land grabbing, Fronteira agrícola, Territory used, Modern agricultural frontier, Financial capital, Agribusiness

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