Bloqueadores dos canais de cálcio e hemorragia digestiva alta: um estudo caso-controle

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Data

2021-12-14

Orientador

Mastroianni, Patrícia de Carvalho
Forgerini, Marcela

Coorientador

Pós-graduação

Curso de graduação

Farmácia - FCF

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Trabalho de conclusão de curso

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

INTRODUÇÃO: A hemorragia digestiva alta de etiologia não varicosa (HDANV) é uma emergência médica associada com alta morbimortalidade. Alguns fatores como uso de anti- inflamatórios não esteroidais (AINES) hábitos de vida foram reportados como fatores de risco importantes para HDANV. O uso dos bloqueadores dos canais de cálcio (BCC), além de outros anti-hipertensivos, também tem sido sugerido como um potencial fator de risco para HDANV, mas os dados na literatura são controversos. OBJETIVO: Avaliar a razão de chances entre o uso BCC e o diagnóstico de HDANV; além de outras classes de anti-hipertensivos, comorbidades, outros medicamentos em uso e hábitos de vida. METODOLOGIA: Foram avaliados 200 casos e 706 controles recrutados durante um estudo do tipo caso-controle conduzido no complexo hospitalar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo de julho de 2016 a março de 2020. Casos: pacientes com diagnóstico de HDANV por meio endoscopia digestiva alta ou por intervenção cirúrgica. Controle: pacientes submetidos a cirurgias não relacionadas a desordens gastrointestinais. Variável dependente: HDANV; independente: uso de BCC; e intervenientes: sexo, idade, etnia, índice de massa corpórea, histórico familiar de úlcera, histórico pessoal de doenças gastrointestinais, comorbidades, infecção por Helicobacter pylori, farmacoterapia em uso e hábitos de vida (tabagismo e consumo de álcool). Os dados foram obtidos por meio de entrevistas e coleta de sangue e digitados na plataforma Research Electronic Data Capture (RedCap). A sorologia para Helicobacter pylori foi realizada por meio da técnica de quimiluminescência. Os odds ratio e seus intervalos de confiança de 95% foram estimados por meio de regressão logística no software estatístico SPSS (versão 26). RESULTADOS: Em relação ao perfil epidemiológico dos participantes, a maioria era homem [grupo caso: 145 (72,5%); grupo controle: 512 (72,5%)] com média de idade de 60,2 anos (±16,4) (caso) e 59,8 (±15,8) (controle. A hipertensão arterial sistêmica foi a comorbidade mais frequente entre os participantes106 (53,5%) casos e 356 (50,9%) controles faziam o uso de anti-hipertensivos, sendo que 36 casos (18,8%) e 77 controles (11,0%) faziam o uso dos BCC. Em relação as outras classes de anti-hipertensivos, 51 casos (25,8%) e 178 controles (25,4%) faziam o uso de diuréticos; 44 casos (22,2%) e 186 controles (26,6%) de bloqueadores dos receptores de angiotensina II; 44 casos (22,2%) e 96 controles (13,7%) de inibidores da enzima conversora de angiotensina; 25 casos (12,6%) e 21 controles (3,0%)] de betabloqueadores não seletivos; e 23 casos (11,6%) e 105 controles (15,0%) de betabloqueadores seletivos. A maioria dos participantes era não tabagista [grupo casos: 82 (41,0%); grupo controle: 307 (43,48%)] e abstêmio [grupo casos: 103 (51,5%); grupocontrole: 392 (55,5%)]. O uso de BCC [OR: 2,39; IC: 1,23 – 4,66; valor de p: 0,011] e dos betabloqueadores não seletivos [OR: 4,08; IC: 1,57 – 10,63; valor de p: 0,004] foi associado ao aumento do risco de HDANV. Outros fatores como histórico prévio de úlcera [OR: 4,66; IC: 2,37 – 9,14; valor de p: <0,001]; uso de AINEs [OR: 4,49; IC: 1,71 – 11,80; valor de p: 0,002] e anticoagulantes orais [OR: 6,44; IC: 2,41 – 17,26; valor de p: <0,001]; infecção por Helicobacter pylori [OR: 2,14; IC: 1,35 – 3,39; valor de p: 0,001]; e consumo de álcool destilado [OR: 2,45; IC: 1,39 – 4,32; valor de p: 0,002] também foram identificados como fatores de risco. CONCLUSÃO: O uso de BCC e dos betabloqueadores não seletivos foi associado ao aumento do risco de HDANV e considerando que hipertensão arterial sistêmica é uma das morbidades mais frequentes na população mundial, além da alta morbimortalidade da HDANV, identificar os pacientes que possuem alto risco para HDAVN é essencial.

Resumo (inglês)

INTRODUCTION: Non-variceal upper digestive bleeding (UGIB) is a medical emergency associated with high morbidity and mortality. Some factors such as the use of nonsteroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs) as well as lifestyle habits have been reported as important risk factors for UGIB. The use of calcium channel blockers, in addition to other antihypertensive, has also been suggested as a potential risk factor for UGIB, but data in the literature are controversial. OBJECTIVE: To evaluate the odds ratio between CHBs use and a diagnosis of UGIB; in addition to other classes of antihypertensive, comorbidities, other medications in use, and lifestyle habits. METHODOLOGY: We evaluated 200 cases and 706 controls recruited during a case- control type study conducted at the hospital complex of the Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto of the Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da University of São Paulo from July 2016 to March 2020. Cases: patients diagnosed with UGIB by upper digestive endoscopy or surgical intervention. Control: patients submitted to surgeries not related to gastrointestinal disorders. Dependent variable: UGIB; independent: CHBs use; and intervening variables: sex, age, ethnicity, body mass index, family history of ulcer, personal history of gastrointestinal diseases, comorbidities, Helicobacter pylori infection, pharmacotherapy in use, and lifestyle habits (smoking and alcohol consumption). Data were obtained through interviews and blood sampling and entered into the Research Electronic Data Capture (RedCap) platform. Serology for Helicobacter pylori was performed using the chemiluminescence technique. The odds ratios and their 95% confidence intervals were estimated by logistic regression in the statistical software SPSS (version 26). RESULTS: Regarding the epidemiological profile of participants, most were men [case group: 145 (72.5%); control group: 512 (72.5%)], with a mean age of 60.2 years (±16.4) (case) and 59.8 (±15.8) (control). High blood pressure [case group: 104 (52.0%); control group: 371 (52.5%)] was the most frequent comorbidity among participants. 106 (53.5%) cases and 356 (50.9%) controls were using antihypertensive, with 36 cases (18.8%) and 77 controls (11.0%) using CHBs. Regarding the other classes of antihypertensive, 51 cases (25.8%) and 178 controls (25.4%) were using diuretics; 44 cases (22.2%) and 186 controls (26.6%) were using angiotensin II receptor antagonists; 44 cases (22.2%) and 96 controls (13.7%) on angiotensin-converting enzyme inhibitors; 25 cases (12.6%) and 21 controls (3.0%) on nonselective beta-blockers; and 23 cases (11.6%) and 105 controls (15.0%) on selective beta-blockers. Most participants were nonsmokers [case group: 82 (41.0%); control group: 307 (43.48%)] and abstainers [case group: 103 (51.5%); control group: 392 (55.5%)]. The use of CHBs [OR: 2.39; CI: 1.23 - 4.66; p value: 0.011] and of non- selective beta-blockers [OR: 4.08; CI: 1.57 - 10.63; p value: 0.004] was associated with increased risk of UGIB. Other factors such as previous history of ulcer [OR: 4.66; CI: 2.37 - 9.14; p value: <0.001]; use of NSAIDs [OR: 4.49; CI: 1.71 - 11.80; p value: 0.002] and oral anticoagulants [OR: 6.44; CI: 2.41 - 17.26; p value: <0.001]; Helicobacter pylori infection [OR: 2.14; CI: 1.35 - 3.39; p value: 0.001]; and distilled alcohol consumption [OR: 2.45; CI:1.39 - 4.32; p value: 0.002] were also identified as risk factors for UGIB. CONCLUSION: The use of CHBs and non-selective beta-blockers was associated with increased risk of UGIB and considering that high blood pressure is one of the most frequent morbidities in the world population, in addition to the high morbidity and mortality of UGIB, identifying patients who have high risk for UGIB is essential.

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Português

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